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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

31 de janeiro de 1686 • Hans Poulsen Egede, o Apóstolo da Gronelândia

31 de janeiro de 1686 Hans Poulsen Egede, o Apóstolo da Gronelândia
 Estátua de Hans Poulsen Egede em Nuuk, Gronelândia

No âmbito da História Natural, Hans Egede dá-nos uma das mais antigas descrições de uma serpente do mar, mas geralmente, crê-se que teria sido uma lula gigante. Egede escreveu no dia 6 de julho de 1734 que o seu navio navegava na costa da Groenlândia, quando de repente as pessoas a bordo “viram a mais terrível criatura, assemelhando-se a nada do que eles viram antes. O monstro ergueu a cabeça tão alto que parecia ser mais alto do que o cesto da gávea no mastro principal. A cabeça era pequena e o corpo curto e enrugado. A criatura desconhecida, estava usando barbatanas gigantes, que a impulsionavam através da água. Posteriormente os marinheiros viram a sua cauda também. O monstro era maior do que o nosso navio inteiro.”



Nascido neste dia, 31 de janeiro de 1686, Hans Poulsen Egede foi um missionário luterano norueguês, de ascendência dinamarquesa, que iniciou esforços para a missão da Gronelândia, que o levou a ser denominado e conhecido entre os Cristãos como o “Apóstolo da Gronelândia”. Ele estabeleceu uma missão bem sucedida entre os Inuit. Fundou a capital (Godthab em dinamarquês e Nuuk na língua dos inuit) e fez com que a Noruega e a Dinamarca voltassem a interessar-se pelo território, que hoje é uma região autónoma da Dinamarca.



Hans Egede nasceu numa casa de função em Hinnøy, em Harstad, na Noruega, várias centenas de milhas ao norte do Círculo Polar Ártico. Era filho de um pastor luterano que trabalhava em Vester Egede, no sul de Zealand, na Dinamarca. Ele foi educado por um tio, pastor duma igreja luterana numa localidade. Em 1704, Hans Egede partiu para Copenhaga para entrar na Universidade de Copenhague, onde obteve um diploma de bacharel em teologia. Voltou para Hinnøy e em abril de 1707, foi ordenado pastor e designado para uma paróquia num igualmente remoto arquipélago de Lofoten. No mesmo ano casou-se com Gertrud Rasch. Hans e Gertrud teriam quatro filhos: dois meninos e duas meninas.



Egede estava em Lofoten, quando ouviu histórias sobre a colonização de Old Norse na Groenlândia, com o qual se havia perdido o contacto anos antes. Em maio de 1721, pediu a Frederico IV da Dinamarca permissão para pesquisar sobre a colónia e também para estabelecer uma missão lá, presumindo que talvez a colónia tivesse permanecido católica após a Reforma da Igreja dinamarquesa ou até tivesse perdido por completo a fé cristã. Frederico deu um consentimento apenas parcial, para ser restabelecido somente o direito colonial dinamarquês sobre a ilha.



Vários navios deixaram Bergen em 12 de maio de 1721, e chegaram à costa da Groenlândia em 3 de julho. Hans Egede escreveu um diário sobre sua viagem à Gronelândia, e publicou-o. Tinha sido enviado para encontrar a velha colónia norueguesa na Groenlândia, mas não encontrou sobreviventes. A última comunicação com a colónia tinha sido feita há mais de 300 anos antes. Ele, contudo, encontrou os Inuit e começou uma missão entre eles. Estudou o idioma inuit e traduziu textos cristãos para ele. Isso exigiu um pouco de imaginação, como, por exemplo, os Inuit não tinham pão, nem qualquer ideia sobre ele. Não tinham a palavra para pão! Assim, as palavras da Oração do Senhor foram traduzidos por Egede como o equivalente de “Dá-nos hoje o nosso nutrimento diário de foca.”



Egede fundadou Godthåb (agora Nuuk), que mais tarde se tornou a capital da Groenlândia. Em 1724, batizou os primeiros convertidos. O novo rei, Cristiano VI da Dinamarca, mandou retirar todos os europeus da Gronelândia em 1730. Egede permaneceu lá, no entanto, encorajado  pela sua esposa Gertrud. O livro de Egede “The Old Greenlands New Perlustration” (A Velha Gronelândia, Nova Ondulação) (em norueguês: Det Nye Grønlands gamle Perlustration) apareceu em 1729 e foi traduzido para várias línguas.



Em 1733, os missionários de Herrnhut, de Nicolaus Ludwig Zinzendorf, foram autorizados a estabelecer uma Nova Herrnhut, ao sul de Nuuk. Em 1734, uma epidemia de varíola eclodiu, espalhando-se rapidamente entre o povo Inuit e contaminou também Gertrud Egede, que faleceria em 1735. Hans Egede deixou o seu filho Paul Egede na Groenlândia e viajou em 9 de agosto de 1736 com as suas duas filhas e seu filho Niels para a Dinamarca. Ele instalou-se ainda nesse ano de 1736 em Copenhague para se tornar diretor de um seminário que preparava missionários para a Groenlândia. Em 1741, foi nomeado bispo da Groenlândia. Aprovou e difundiu um catecismo para uso na Groenlândia em 1747. Egede morreria em 5 de novembro de 1758, aos 72anos de idade em Falster, na Dinamarca.



A Noruega reclama que Hans Egede era um cidadão da Noruega. Egede tornou-se um santo nacional da Gronelândia. A cidade de Egedesminde (literalmente: a memória de Egede) honra a sua memória. Foi fundada por Niels Egede, o segundo filho de Hans, em 1759, na península Eqalussuit, mas foi mudada para a ilha de Ilulissat em 1763, que tinha sido o local de uma colónia Viking Inuit.



Uma estátua de Hans Egede vigia a capital da Groenlândia, em Nuuk.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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