… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 15 de janeiro de 2017

15 de janeiro de 1929 • Martin Luther King, Jr., “Eu tenho um sonho!”


15 de janeiro de 1929  Martin Luther King, Jr.,

“Eu tenho um sonho!”

Martin Luther King, Jr., nasceu em Atlanta, neste dia, 15 de janeiro de 1929. Era um defensor cristão de mudanças sociais por vias não-violentas, e o mais notável líder dos direitos civis nos Estados Unidos, de 1955 até ser assassinado em 4 de abril. Filho de um destacado pastor baptista negro em Atlanta, King estudou na Faculdade Morehouse, no Seminário Teológico Crozer e na Universidade de Boston, onde obteve o seu grau de doutor em Filosofia. Em Boston, continuou os estudos filosóficos (personalismo e hegelianismo) e a teologia (variedades do existencialismo, liberalismo e da ortodoxia mais tradicional) que um dia contribuiriam para as suas actividades ligadas aos direitos civis. Em 1955, enquanto era pastor da igreja Batista da Avenida Drexler, em Montgomery, estado do Alabama, nos E.U.A., comandou um bem sucedido boicote nos autocarros, que pôs fim à segregação racial nos transportes públicos da cidade. Em 1957, ajudou a organizar a Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC), cujos líderes eram, na sua maioria, pastores baptistas negros como King.



O prestígio de King alcançou o seu auge entre o começo e os meados da década de 1960. O seu sermão “Tenho um sonho” na grande marcha até Washington, em agosto de 1963, foi uma das realizações mais inesquecíveis na história dos Estados Unidos. Além disso, comandou a marcha de Selma até Montgomery, que recebeu muita publicidade, na primavera de 1965. O primeiro destes eventos mobilizou apoio ao Decreto dos Direitos Civis de 1964, e o segundo, ao Decreto Federal do Registo de Eleitores de 1965. King recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 1964.



Perto do fim da sua vida, King tinha-se encaminhado para várias direções novas que prejudicaram a sua influência. Viajou para o norte, para Chicago em 1966, por exemplo, para fazer uma campanha em prol dos direitos civis, perdendo, assim, o apoio daqueles que viam a questão em termos rigorosamente sulistas. Além disso, criticou a guerra no Vietname, facto que lhe trouxe a desconfiança da administração do Presidente Lyndon Johnson. Foi apanhado no fogo cruzado ideológico provocado por motins em algumas cidades norte-americanas na segunda parte da década de 1960. Os críticos alegavam que King devia ser responsabilizado pela violência, por causa da sua promoção enérgica dos direitos civis. Alguns negros achavam que King havia traído a causa deles, por continuar a repudiar o uso da violência na obtenção da justiça racial.



Durante as décadas de 1950 e 1960, a preeminência de King deu a muitos norte-americanos o seu primeiro relance da riqueza da pregação negra. Os seus discursos e escritos usavam abundantemente o vocabulário da história cristã negra. O seu pensamento, no entanto, reflectia várias influências. Fazia uso do realismo evangélico no tocante à natureza do bem e do mal e de uma defesa bíblica da não-violência (“amai aos vossos inimigos”). Contudo, do modo negro clássico, fazia pouca distinção entre os problemas espirituais e sociais envolvidos na luta pelos direitos civis. Outros elementos também entraram na sua maneira de pensar — o pacifismo de Gandhi, a desobediência civil de Thoreau, a teologia existencialista de Paul Tillich, o idealismo personalista que estudara na Universidade de Boston e a fé pública norte-americana na igualdade democrática. A convicção que ligava estas várias influências era a sua crença de que um passado de sofrimentos tornava os oprimidos especialmente capazes de proclamar o triunfo final da justiça divina e de trabalhar em favor dele.



A este pastor protestante e ativista dos direitos humanos muitas frases célebres são atribuídas. Nem todas terão sido mesmo proferidas por ele. Já vi atribuídas a outros frases como “o que vale não é o quanto se vive; mas como se vive”, “o que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons” e ainda esta “se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda hoje plantaria uma árvore”.



Mas esta frase é mesmo dele: “Não somos o que deveríamos ser; não somos o que queríamos ser; mas graças a Deus, não somos o que éramos”. E esta que é conhecida como “O triângulo de Martin Luther King” também é dele, “O comprimento da vida é o caminho interior de cada homem com vista aos seus fins e ambições pessoais, a preocupação interior pelo bem-estar e o sucesso. A largura da vida é a preocupação exterior pelo bem-estar de outrem. Altura da vida é a subida para Deus. A vida, na verdade, é um triângulo coerente.”



Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou no seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de iniciar mais uma marcha, num hotel da cidade de Memphis. James Earl Ray confessou o crime, mas, anos depois, repudiou a sua confissão.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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