… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

8 de fevereiro de 58 • Paulo talvez tenha partido de Malta para a sua prisão em Roma



8 de fevereiro de 58 Paulo talvez tenha partido de Malta para a sua prisão em Roma



Paulo, por Rembrandt

Identificar acontecimentos no Novo Testamento com datação antiga é complicado. A controvérsia gira em torno de tentativas de datar os acontecimentos nas vidas de Cristo, Paulo, e de outras figuras bíblicas. Os estudiosos ficam sempre excitados quando podem ligar a cronologia dos Evangelhos e os Atos dos Apóstolos, com datas que possam ser determinadas a partir de fontes não bíblicas.



Como nos são dados tantos pormenores sobre Paulo, não só por Lucas, mas pelo próprio Paulo nas suas cartas às Igrejas, os historiadores têm muitos fatos que podem tentar combinar com os escritos antigos e com os achados arqueológicos. Sabemos, por exemplo, que Paulo foi levado perante Gálio no ano em Gálio foi procônsul da Acaia. Sabemos que ele encontrou Priscila e Áquila, depois de terem sido expulsos de Roma. Sabemos que ele foi trazido perante Pórcio Festo no seu primeiro ano como governador da Judeia. Se pudermos determinar as datas para os eventos, teremos um esboço dos movimentos de Paulo.



Infelizmente, nenhuma dessas datas para os eventos são fáceis de definir. As maiores autoridades mundiais do assunto discordam entre si.



De acordo com os cálculos de Jack Finegan no “Handbook of Biblical Chronology” (Manual de cronologia bíblica), Paul foi convertido no ano de 36 A. D.. Durante vários anos ele pregou o Evangelho, indo sempre primeiro pregá-lo aos Judeus e, só quando a maioria deles rejeitou o Evangelho, é que ele se voltou para os gentios. O seu Evangelho era da salvação pela fé em Cristo ressuscitado que ele tinha visto com os seus próprios olhos.



Apesar da grande adversidade, Paulo levou o Evangelho através da Ásia Menor e do sul da Europa. De facto, a Europa é cristã hoje, em larga medida por causa do zelo de Paulo. Finalmente, Paulo foi preso em Jerusalém. Depois de estar preso há vários anos, ele finalmente recorreu para César, como era seu direito como cidadão romano. Ele “foi enviado para Roma sob a guarda de um centurião por nome Júlio, da coorte augusta, embarcando num navio adramitino.” Isto foi provavelmente no ano 57 da nossa era.



Na viagem a navegação foi difícil, incómoda e com muito dano, não só para o navio e a carga, mas também para as vidas da tripulação, dos passageiros, onde se incluíam soldados romanos e prisioneiros, um dos quais era Paulo. Após vários episódios relatados no capítulo 27 do Livro dos Atos dos Apóstolo o navio adramitino onde embarcaram após “uma veemente tempestade, no dia seguinte, aliviaram o navio. E, ao terceiro dia, nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio. E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.” Com o navio desfeito pela força das ondas do mar o “centurião, querendo salvar a Paulo, mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar e se salvassem em terra; e os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo.” E, havendo escapado, então, souberam que a ilha se chamava Melita (Malta).



“Três meses depois, partimos num navio de Alexandria, que invernara na ilha, o qual tinha por insígnia Castor e Pólux.”



Este dia, 8 de fevereiro de 58, pode muito bem ser o dia em que Paulo partiu de Malta. Plínio diz-nos na sua “História Natural” (uma enciclopédia, que foi um dos seus primeiros trabalhos), que o dia 8 de fevereiro era a data na Primavera em que se abriam os mares para as viagens. Se os marinheiros iniciaram a viagem na data tradicional, podemos realmente ter encontrado um acontecimento com uma data exata na vida de Paulo. Mas, pelos dados que temos hoje, não podemos saber com certeza. Até o ano é uma conjectura. Alguns pesquisadores colocam a data do naufrágio, dois anos depois.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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