… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 2 de março de 2017

2 de março de 276 • Mani, o maior e o último profeta, ou o “paracleto” enviado pelo Pai da Luz


2 de março de 276 Mani,

o maior e o último profeta, ou o “paracleto” enviado pelo Pai da Luz

Mani ou Manes e também conhecido como Maniqueu morreu neste dia, 2 de março de 276. Tinha nascido no ano de 216. Foi um profeta e pregador iraniano que sintetizou ideias persas, cristãs e budistas para formar o maniqueísmo, uma fé dualista que se tornou uma das principais religiões do mundo antigo. Recebeu a sua educação básica numa comunidade gnóstica no sul da Babilónia, e alegou ter tido a sua primeira revelação aos doze anos de idade, e a sua chamada para ao apostado aos vinte e quatro. Depois do fracasso dos seus esforços para converter a sua comunidade, partiu para a Índia, onde fundou o seu primeiro grupo religioso. Voltou em 242 para pregar a sua religião nas províncias da Babilónia, onde se tornou vassalo do novo monarca, Chapur I. Embora as crenças de Mani nunca tenham sido estabelecidas como religião oficial da nação, ele desfrutou da proteção real e enviou para todas as partes da Pérsia e alguns países estrangeiros sequazes que faziam prosélitos.



Mani declarava-se o maior e o último profeta ou o “paracleto” enviado pelo Pai da Luz. Alegava que o seu ensino era superior ao dos profetas que o antecederam, porque, ao contrário de Zoroastro, de Buda e de Jesus, Mani publicou um cânon autorizado de pelo menos sete obras de vulto. O seu sistema inclui uma cosmogonia e uma escatologia mística e complexa, concebida em termos de dois princípios absolutos: a Luz e as Trevas, e um caminho de salvação pelo ascetismo. Uma característica singular do maniqueísmo era a coleção de pinturas que ilustrava o seu sistema de redenção. Mani reivindicava ter recebido revelações e inspirações contínuas da parte de um anjo, “o Gémeo”, que como seu outro ego celestial o preparava e o protegia como ensinador, e que o iniciou no caminho da salvação. Curas e milagres também foram atribuídas a Mani, a fim de se autenticar a sua missão divina.



Depois da morte de Chapur, Mani foi acusado por sacerdotes persas de perverter a religião tradicional. O novo rei, Bahram I, encarcerou-o, e seguiu-se um longo processo jurídico. Mani foi acorrentado (episódio que os seus seguidores chamaram da sua “crucificação”) e bastante enfraquecido por jejuns, morreu vinte e seis dias depois de dar uma mensagem final à sua igreja. Os seus seguidores relembravam a morte de Mani na sua festa de Bema, celebrada anualmente em 2 de março, data apontada para a sua morte, ainda que incerta, que alguns investigadores atiram para o ano de 276 e outros para 277.



Pois bem, o maniqueísmo, a religião dualista do século III, foi fundada por Mani, que fundiu elementos persas, cristãos e budistas numa nova religião de destaque. Ela foi combatida no Ocidente como uma heresia cristã virulenta. A religião de Mani era um complexo sistema gnóstico que oferecia a salvação pelo conhecimento. As principais características do maniqueísmo eram enunciadas por um pormenorizado mito cosmogónico a respeito de dois princípios absolutos e eternos que se manifestavam em três eras ou “momentos”.



O primeiro momento descreve um dualismo radical numa era anterior. A luz e as trevas (o bem e o mal), personificadas no Pai das Luzes e no Príncipe das Trevas, eram igualmente co-eternas e independentes. No momento central, as trevas atacaram e misturaram-se numa queda pré-cósmica do homem primevo, O resultado disso foi uma segunda criação do mundo material e do homem pelos poderes malignos, em que a luz ficou presa na natureza e nos corpos humanos. A redenção da luz ocorre por um mecanismo cósmico nos céus, mediante o qual partículas da luz (almas) são atraídas para cima e enchem a lua durante quinze dias, Nas últimas fases da lua, a luz é transferida para o sol e, finalmente, para o paraíso. A partir da queda, profetas têm sido enviados pelo Pai das Luzes, tais como Zoroastro, na Pérsia; Buda, na Índia; e Jesus, no Médio Oriente. Mas Mani era o maior dos profetas que, como “paracleto”, proclamou uma salvação mediante o conhecimento (gnosis), que consistia em práticas ascéticas rigorosas. Nos últimos dias do segundo momento uma grande guerra será travada, cujo fim será o juízo e uma conflagração global de 1 468 anos de duração. A luz será salva, e tudo quanto é material será destruído. No terceiro momento, a luz e as trevas serão separadas para sempre como na divisão primordial.



No mito de Mani, o homem está perdido e caído na existência, mas, na sua essência, ele é uma partícula de luz e, portanto, da mesma substância de Deus. A salvação individual consiste em captar esta verdade mediante a iluminação da parte do Espírito de Deus. Cristo aparece como simples profeta, e não realmente encarnado. Os Seus ensinos a respeito da luz e das trevas foram falsificados por Seus apóstolos, que provinham do judaísmo. Mani restaurou os Seus ensinamentos essenciais.



A salvação era exemplificada na comunidade maniqueia, que consistia de uma hierarquia de duas classes: os eleitos, representados pelo sucessor de Mani, 12 apóstolos, 72 bispos e 360 presbíteros; e os ouvintes. Os eleitos eram “selados” com uma tríplice defesa: a pureza de boca, abstendo-se de todas as coisas com “alma” (a carne) e das bebidas fortes; a pureza de vida, renunciando a todos os bens terrenos e ao trabalho físico, que podia ser um perigo para a luz difundida na natureza; e a pureza de coração, consistia em rejeitar sob juramento a atividade sexual. A classe inferior, e dos ouvintes, que vivia uma vida menos enérgica, esperava uma libertação posterior mediante a reencarnação.



O culto maniqueu incluía o jejum, as orações diárias e as refeições sacramentais que eram muito diferentes da Ceia do Senhor. Os ouvintes serviam aos eleitos “esmolas”, isto é, frutas como melões que, segundo criam, continham grandes quantidades de luz. Não se celebrava o batismo, visto que a iniciação na comunidade ocorria mediante a aceitação da sabedoria de Mani através da pregação. Também havia ciclos de hinos que exaltavam o conhecimento redentor e eram cantados para concentrar a atenção dos fiéis na beleza do paraíso, onde habitavam as almas que tinham sido libertas.



O maniqueísmo espalhou-se tanto no Oriente como no Ocidente a partir da Pérsia. No Ocidente, foi vigorosamente combatido tanto pela Igreja Cristã como pelos imperadores romanos. A oposição ao maniqueísmo foi especialmente forte na África, sob o comando de Agostinho de Hipona, que durante nove anos tinha sido um ouvinte do maniqueísmo. Agostinho desafiava o maniqueísmo, ao negar o apostolado de Mani e ao condenar a rejeição da verdade bíblica por este. Outros críticos acusavam o maniqueísmo de inventar fábulas o que revelava que as suas ideias não eram uma teologia nem uma filosofia, mas uma teosofia. O maniqueísmo sobreviveu até à Idade Media, através de seitas como os paulicianos e os cátaros, que muito provavelmente se terão desenvolvido a partir da tradição original de Mani.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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