… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 29 de março de 2017

29 de março de 1788 • A nossa dívida a Carlos Wesley



29 de março de 1788A nossa dívida a 



Carlos Wesley
Carlos Wesley foi um dos líderes do movimento metodista conjuntamente com o seu irmão mais velho, João Wesley. Carlos é mais lembrado pelos muitos hinos que compôs, mais de 6500!


Carlos Wesley nasceu em Epworth, Lincolnshire, Inglaterra, neste dia, 29 de março de 1788, onde o seu pai era pastor da igreja de Inglaterra (anglicana). Foi o décimo oitavo filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley. Foi educado na Christ Church College, em Oxford, e foi o grande fundador do grupo "Clube dos Santos " com os seus condiscípulos em 1729. Carlos seguiu os passos do seu pai e do seu irmão ordenando-se em 1735, tendo viajado com o seu irmão João para a Geórgia, nos Estados Unidos, então colónia inglesa, na comitiva do governador James Oglethorpe, regressando um ano depois, sem alcançar os objectivos propostos.



Apesar de serem muito próximos, Carlos e o seu irmão João, nem sempre concordavam com as questões relativas à fé. Em particular, Carlos opunha-se fortemente à ideia de uma ruptura com a Igreja da Inglaterra (Igreja Anglicana), pela qual eles haviam sido ordenados.



Como resultado das suas composições poéticas, a Gospel Music Association dos E.U.A, em reconhecimento pelas suas contribuições para a música gospel, incluiu Carlos Wesley no Hall da Fama da Música Gospel em 1995.



No último dia da sua vida de terrestre, neste dia, 29 de março de 1788, Carlos Wesley, o grande poeta cristão metodista escreveu o seu último hino, «In Age and Feebleness extreme»!



Estudos mais recentes confirmam que Carlos Wesley escreveu cerca de 9 mil hinos.



Carlos Wesley aprendeu a escrever e a ler como todos os seus irmãos aprenderam, com a sua mãe, Suzana. Aos nove anos de idade, ocupava com Samuel, o seu irmão mais velho, um lugar na Escola de Westminster. Estudou cinco anos em Londres, e aos catorze anos Carlos Wesley ganhou uma bolsa que era oferecida pelo rei inglês, que permitia estudar gratuitamente nas faculdades das universidades inglesas.



Durante os seus anos de estudante, um irlandês muito rico, chamado Garret Wesley, queria que Carlos fosse o seu herdeiro, e para isso Carlos Wesley teria de ir para a Irlanda, mas ele resolveu não aceitar esta proposta e pouco tempo depois o Sr. Garret Wesley adotou um dos parentes de Carlos Wesley, chamado Ricardo Colley, que herdou o nome e a fortuna do Sr. Garret Wesley, tornando-se em 1747 o barão de Mornington.



Em 1726, Carlos Wesley foi aluno do Christ Church, na Universidade de Oxford. Já nessa mesma Universidade haviam estudado o seu avô, o seu pai e o seu irmão João.



Por esse tempo Carlos estava-se perdendo em cada dia no meio das amizades que fizera na Universidade de Oxford, e por isso se tornou indiferente com as coisas referentes à religião.



João Wesley sentia a obrigação de cuidar do seu irmão mais novo, e falava-lhe constantemente sobre religião, assunto que o deixava nervoso, e então Carlos dizia para o seu irmão João: “Quer que eu fique santo de vez?” (in BUYERS, 1929, p.54).



Durante uns tempos, João Wesley teve de se afastar de Oxford, para ajudar o seu pai em Wroote. Quando João Wesley regressou em 1729 a Oxford, encontrou um novo Carlos Wesley, que refletindo sobre a sua solidão, resolveu frequentar semanalmente a igreja, e levando também consigo alguns dos seus amigos estudantes, na tentativa de os ajudar a caminharem correctamente perante Deus, e por isso todos já haviam recebido o nome escarninho de “metodistas”.



Após terminar os seus estudos na Universidade Carlos Wesley foi aí nomeado instrutor.



No ano de 1735, com a morte do seu pai, Carlos Wesley resolveu juntamente com seu irmão João Wesley, servirem o reino de Deus na América, a fim de salvar a sua própria alma. João foi como capelão e Carlos como secretário, na comitiva do governador James Oglethorpe. Assim como seu irmão João Wesley, também ele não foi bem-sucedido, pois na colónia inglesa da Geórgia, nos atuais Estados Unidos América, os colonos não aceitavam a sua pregação, e em tudo era criticado, e isso fez com que ele voltasse desalentado para Inglaterra. Ao chegar a Inglaterra, teve um encontro com o conde de Zinzendorf, líder dos morávios, que lhe fez um convite para ele assistir a uma reunião em Londres, e mais tarde, assim descreveu ele aquela reunião: “Parecia-me estar no meio de um coro de anjos”. (in BUYERS, 1929, p. 59).



Algum tempo mais tarde Pedro Bohler, foi visitá-lo, porque Carlos adoecera, e anunciou-lhe coisas que falaram muito ao seu coração, pelo que Carlos Wesley não demoria a converter-se. No dia 21 de maio de 1738 reuniu-se com alguns amigos e com o seu irmão João, na casa de um operário pobre chamado Bray, que conhecia o Senhor, e neste local sentiu paz e muita alegria, “entrou no gozo do Espírito Santo e experimentou a fé viva”. (in BUYERS, 1945, p.37).



Carlos Wesley decidiu então unir-se ao seu irmão João e a Jorge Whitefield, como pregador itinerante, começando a pregar ao ar livre. Porém a sua fama estendeu-se por toda a Inglaterra não por causa da sua pregação do Evangelho mas pelos seus poemas e hinos, que tocavam as almas do povo de Deus na sua busca do Deus vivo e verdadeiro.



Ao deixar a vida de pregador itinerante Carlos Wesley casou-se com Sara Gwynne, filha de um homem rico que consentiu neste casamento, porque os Wesley não eram de família rica. O pai da jovem fez com que os irmãos Wesley assinassem um contrato de casamento, prometendo à noiva um ordenado de cem libras esterlinas por ano, e só assim Carlos pôde casar no dia 8 de abril de 1749. Carlos tinha então quarenta e dois anos e Sara Gwynne vinte e três anos. Tiveram oito filhos, cinco morreram quando ainda eram pequenos. Os seus filhos influenciados pelo pai, tinham paixão pela música, foram músicos e tocavam vários instrumentos. Carlos Wesley dava prioridade à educação na sua casa.



Carlos Wesley sobressai como escritor. Escreveu cerca de 9 mil hinos, entre os quais se destacam: "Carinhoso Salvador" e "Ouvi um Som em Alta Esfera". O seu primeiro hino foi publicado em 1740 e a respeito da sua composição, conta-se uma história muito interessante. Carlos Wesley da sua janela estava contemplando um violento temporal, quando, entre os trovões e as furiosas rajadas do vento, apareceu um passarinho que fugia desesperadamente de uma ave de rapina. O incidente penetrou profundamente no coração de Carlos Wesley, que ao estabelecer a feliz comparação com o pecador que acha refúgio em Cristo, escreveu as estrofes deste hino.



O perito em hinologia Eric Routley disse que "Pelas portas que Watts tinha aberto, por elas passou Wesley com gozo, e que o campo que fora semeado por Watts foi colhido por Wesley." Estas portas e campos que Routley descreve são a plenitude da expressão do canto congregacional na Igreja. O efeito dos hinos Carlos Wesley ainda se sente hoje em dia. Uma das razões pelas quais a influência de Carlos Wesley contínua em nossos dias é a surpreendente quantidade de hinos que ele escreveu. Desde a sua conversão, em 1738, até à sua morte, (50 anos mais tarde), ele escreveu uma média de 3 hinos por semana — mais de 6500 em total.



Os hinos do Carlos Wesley são um legado de teologia bíblica e de sã doutrina. O seu irmão João, foi um dos mais notáveis pregadores de toda a história cristã. Via o "mundo como se fosse a sua paróquia". Habitualmente ministrava àqueles que não eram atendidos pela igreja tradicional (a anglicana), aos de classe baixa com pouca educação e aos analfabetos. Ambos os irmãos Wesley viam o canto como uma ferramenta muito poderosa para penetrar e conservar nos corações dos seus ouvintes as doutrinas que pregavam. No livro "Jubilate II", Donald Hustad diz que "Os hinos de Carlos Wesley são um compêndio de teologia metodista que cobre cada aspeto da experiência espiritual cristã."



Esta ênfase posta na experiência espiritual é outra das razões pelas quais os hinos de Carlos Wesley mantêm a sua popularidade. Antes do século XVIII a maioria dos hinos cristãos eram uma réplica objetiva das verdades das Escrituras. O efeito que se supunha que essas ditas verdades deviam impactar nas emoções de quem as cantava raramente se via em cena. Contudo, tanto João como Carlos Wesley tinham sido impactados pelos morávios que cantavam com muita paixão e que se focavam nos aspectos mais subjetivos da fé cristã. Isto inspirou a Carlos a compor hinos como "Jesus, Amante de minha Alma" que o seu irmão João inicialmente considerou como muito emocional para ser incluído no seu hinário. Ao longo da sua vida Carlos tentou aproximar os efeitos presentes na verdade das Escrituras dos corações dos crentes. Os seus hinos são exemplos maravilhosos do zelo evangélico que com frequência convida o pecador a responder às verdades que são cantadas.



João Wesley, o irmão de Carlos foi o editor dos 56 hinários metodistas que se produziram em 53 anos na Inglaterra. Teve de enfrentar situações melindrosas para assegurar que os hinos cantados fossem ajustados às tonalidades específicas, o que não era uma prática usual na nascente Igreja Metodista de então. Na introdução à coleção de hinos de 1751, João Wesley além de indicar as tonalidades de cada hino, especificou a forma correta como deviam ser cantados os hinos: "Cantai espiritualmente. Ponde os vossos olhos em Deus, à medida que cantais cada uma das palavras dos hinos. Isto ajuda-vos a agradar-Lhe mais do que a vós mesmos ou a qualquer outra criatura. Para obter isto, ponde a vossa atenção em tudo o que cantais e tende atenção para que o vosso coração não seja levado pelo som, isto é pela música, mas que ele seja devotado a Deus continuamente". Um conselho muito pequeno, mas apropriado para todas as gerações!



Isaac Watts (17 de julho de 1674 – 25 de novembro de 1748) e CarlosWesley deixaram um rasto incalculável no canto congregacional da Igreja Cristã. "Eles asseguraram… que a fé cristã não seria expressa em toda a sua plenitude sem os hinos de louvor" (Eric Routley). Ambos, Watts e Wesley deixaram também uma porta aberta para o papel das emoções na adoração cristã congregacional, coisa que é de grande valor, mas que não deixa de ter os seus riscos espirituais.



Em vários hinários cristãos, de todas as matizes espirituais, se encontram os hinos de Carlos Wesley (e de muitos outros autores cristãos de todas as épocas!), para nosso deleite espiritual.



Quanta riqueza, Carlos Wesley, com a sua poesia, pôs nas nossas mãos, para adorarmos ao Senhor!



O Deus dos Cristãos é melhor louvado pelo Seu povo em toda a ‘rosa dos ventos’ com muitos cânticos e hinos espirituais saídos da pena de Carlos Wesley!



Damos graças a Deus por este Homem, a quem Ele salvou e separou para nos ajudar a observarmos uma melhor adoração, cantando-Lhe hinos!




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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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