… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 30 de março de 2017

30 de março de 1591 • Antonio del Corro, um Reformador espanhol



30 de março de 1591Antonio del Corro, um Reformador espanhol


Mosteiro de San Isidoro del Campo, em Santiponce, (Sevilha, Espanha) donde Antonio del Corro (não encontrei qualquer imagem sua... Até onde foi a perseguição contra ele?!) fugiu da Inquisição espanhola em 1527...
O grande educador Antonio del Corro nascido em Sevilha, no ano de 1527 e falecido em Londres, neste dia, 30 de março de 1591, aos 64 anos, é possivelmente uma das figuras mais importantes e simultaneamente uma das menos conhecidas da Reforma espanhola. É também um exemplo a imitar por todos os que seguimos a Cristo e sobretudo para os que nos dedicamos a servi-Lo através do ensino. O historiador Emilio Monjo Bellido refere-se a Antonio del Corro como "uma personagem que reflete o aspecto da Reforma espanhola em relação com a sua liberdade de pensamento e de palavra: uma igreja que havia nascido livre pela ação da Escritura, e que se manteve livre com a Escritura, também no seu exílio europeu."



Em 1547, aos 20 anos de idade, Antonio del Corro professou como frade Jerónimo e esteve em Santiponce, localidade perto de Sevilha, no Mosteiro de San Isidoro del Campo até 1557 quando teve de fugir da inquisição espanhola. Del Corro converteu-se ao Cristianismo através do estudo das Escrituras assim como também outros monges, entre eles Casiodoro de Reina e Cipriano da Valera, que poucos anos depois traduziriam e revisariam respectivamente a Bíblia para o castelhano, agora conhecida como a versão Reina-Valera. Ao ser descoberta a sua crença na salvação somente pela graça por meio da fé e a sua firme convicção na Bíblia como a sua única fonte de autoridade de fé e de conduta, del Corro conjuntamente com outros monges conseguiram escapar para Genebra onde se reuniram com João Calvino. Os mais de 800 crentes que então havia em Sevilha não tiveram a mesma sorte, e, a maioria deles foi queimada na fogueira pela Inquisição Espanhola, e desta maneira quase que a fé evangélica foi exterminada na Espanha durante muitos séculos. Como del Corro tinha conseguido fugir, em 26 de abril de 1562 a sua efígie foi consumida pela fogueira no incinerador inquisitorial de Tabalada.



Antonio del Corro era um erudito que falava vários idiomas e era um mestre do latim. No outono de 1559 por recomendação de Calvino mudou-se para a corte de Navarra. Ali, foi acolhido pela rainha Joana d'Albret que se havia convertido ao Cristianismo e aí começou a dar aulas de castelhano ao príncipe, de seis anos, o futuro Henrique IV, rei de frança, do qual dizem que quando abjurou da sua fé, para se tornar rei de França, teria dito: «Paris vale bem uma missa!» Resta é saber desta verdade de Jesus: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? (Mt 16:26)



Antonio del Corro enfrentou muitas vicissitudes devido à sua crença firme na autoridade da Bíblia e apesar de ter escapado da Inquisição Espanhola foi perseguido por muitos cristãos protestantes que desejavam que ele se conformasse a certas posturas doutrinais que ele considerava secundárias e externas ao ensino bíblico. Na sua carta aos pastores cristãos luteranos em Antuérpia, na Bélgica, del Corro definia a sua postura em relação à clara distinção que fazia em relação à diferença entre doutrina humana e revelação divina: "Há outros que fazem as suas confissões, catecismos, comentários e tradições como se fossem um quinto Evangelho, e querem autorizar as suas interpretações particulares de maneira que os põem ao nível dos artigos da fé, e atrevem-se a chamar heréticos a todos os que não seguem exatamente as suas imaginações: as quais, ainda que fossem boas e cheias de edificação, são feitas por homens e, por conseguinte, indignas de ser comparadas com a Palavra do Senhor."



Como professor, del Corro admitia a todos nas suas aulas sem se importar com as suas crenças, até católicos, já que era um "advogado" da liberdade" e acreditava que todos tinham direito à livre busca do conhecimento. Esta atitude também lhe causou muitos problemas com aqueles que mantinham posturas mais radicais quando à tolerância académica. O erudito Francisco Ruiz de Pablos descreve a atitude de del Corro da seguinte maneira: "A luta pela tolerância marcou sempre a vida no exílio de del Corro. Teve de defender-se em Londres contra as graves acusações formuladas pelas igrejas francesa e italiana... del Corro, incansável paladim da liberdade na primeira linha, defendeu permanentemente, sem solução de continuidade, que ler ou perguntar sobre alguém não significa estar de acordo com seus pontos de vista… o seu sentido profundo da liberdade de consciência em matéria religiosa permitia-lhe ampliar até ao infinito o seu horizonte sem restringir o privilégio ao Cristianismo. Era um sábio exercício pedagógico."



A atitude del Corro perante os seus adversários e inimigos mostra o seu verdadeiro caráter como Cristão. Na sua apresentação da sua obra “Diálogo da carta aos Romanos”, del Corro resume assim o seu sentir perante os seus acusadores: "A doutrina celestial ordena que amemos os nossos inimigos e que não compensemos às injúrias com injúrias calibrando o igual com o igual, mas, pelo contrário, façamos o bem aos nossos aborrecedores e que pelas injúrias recebidas peçamos para eles coisas favoráveis. Por conseguinte, seguindo esta regra, peço a Deus Ótimo Máximo, Pai de nosso senhor Jesus Cristo, que conceda aos meus perseguidores, espírito de arrependimento e melhor intenção para comigo a fim de que não obstaculizem o curso do Evangelho procurando a minha infâmia, sobretudo entre os meus companheiros que podem ouvir obscuros boatos, embora não assim razões. Oxalá que por estas minhas preces e desejos aconteça alguma vez que se persuadam e se convertam os corações de quem me persegue."



Em 1579 Antonio del Corro obteve o objetivo de converter-se em professor em Oxford. Não pôde obter o seu doutoramento apesar da intercessão a seu favor do chanceler da universidade, o conde de Leicester, devido a pressões dos seus inimigos teológicos. Foi colocado como preceptor de religião em três institutos universitários de Oxford. Desde 1581 a1585 foi censor teológico do Christ Church College daquela universidade. Antonio del Corro morreu em Londres como cónego anglicano em 30 de março de 1591. Sobreviveram-lhe a sua esposa, com a qual esteve casado trinta anos e os seus filhos.



Antonio del Corro recorda-nos que devemos ser firmes nos fundamentos essenciais da nossa fé, mas também ao mesmo tempo, devemos respeitar as diferenças de opiniões em assuntos secundários. Podemos aprender de Antonio del Corro que como Cristãos devemos defender a liberdade de pensamento e a busca da verdade. Apesar de não ser muito conhecido, até na sua Espanha natal, del Corro é um dos pais da Reforma espanhola e, portanto, um dos nossos pais por adopção, que nos antecederam na nossa fé e nos deixaram o seu brilhante exemplo para o seguirmos.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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