… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 11 de abril de 2017

11 de abril de 1836 • George Müller inaugura o “seu” orfanato em Bristol

11 de abril de 1836George Müller inaugura o “seu” orfanato em Bristol
Vista do Edifício do Orfanato em Ashley Down, Bristol, Grã-Bretanha


Deus escolhe habitualmente homens comuns, homens que costumavam zombar da fé cristã ou homens que exigiram muita paciência pela sua relutância em voltar-se para Ele e em obedecer ao Seu chamamento. George Muller foi um desses homens.

Nascido em 27 de setembro de 1805 na Prússia (parte da Polónia atualmente), quando era jovem, George Muller costumava roubar e mentir, segundo ele mesmo disse que quase não houve pecado no qual ele não tivesse caído

Aos 20 anos de idade, tornou-se Cristão depois de visitar uma pequena reunião numa casa particular. A Sua conversão foi dramática e ele abandonou de vez os seus hábitos pecaminosos.

Em 1829 foi para Londres para receber treino na “Sociedade Londrina para a Promoção do Cristianismo entre os Judeus” (hoje conhecida como Church Mission to the Jews).

Um dos muitos aspetos fascinantes da vida de George Müller é que ela ilustra com muita propriedade o poder de Deus.

George Müller recebeu aproximadamente €395 250 000 00 em resposta a orações sem jamais ter pedido ofertas! Se isto tivesse ocorrido há dois ou três mil anos, os céticos iriam, sem dúvida, questionar a autenticidade deste facto. Como isto ocorreu no final do século XIX, com registos modernos e evidência factual, tais fatos não podem ser negados.

O aspeto mais significante dos 93 anos de vida de George Müller aqui na Terra foi a sua obediência absoluta à vontade de Deus. O facto do Espírito de Deus ter transformado um jovem rebelde e pecaminoso num tal homem de Deus, certamente nos renova a esperança.

Em 1830 ele casou-se com Mary Grooves, que se tornou nos anos seguintes numa verdadeira companheira e num sustentáculo.

Em 1834 George Müller fundou o “Instituto de Conhecimentos das Escrituras”, que ainda existe hoje, sempre respeitando o princípio que ele mesmo impôs, de nunca depender de patrocínios, de nunca fazer apelos por ofertas e de nunca contrair dívidas. Deus sempre proveu os recursos para todas as necessidades conforme Ele mesmo promete em Filipenses 4.19.

Ele também orava diariamente pela conversão de pessoas; e orou durante cinquenta anos por algumas pessoas, mostrando a sua fé e a sua confiança em Deus. Todas as suas orações eram registadas em cadernos de apontamentos, com a data do começo da petição, o pedido a Deus, a data da resposta e como Deus respondeu.

Existe o registo de cerca de 50 mil orações de George Müller respondidas por Deus.

Como a epidemia de cólera aumentou dramaticamente na cidade de Bristol, na Inglaterra, o e muita gente falecia, então também aumentou muito o número de órfãos naqueles dias. Perante este grande problema social, em 1835 Müller sentiu o chamamento de Deus para abrir um orfanato totalmente pela fé, pois ele não tinha recursos financeiros para isto. Assim neste dia, 11 de abril de 1836, abre o primeiro orfanato em Bristol, dirigido por George Müller.

O trabalho foi crescendo e     em 1870 George Müller dirigia já cinco orfanatos que davam um lar a mais de 2 000 crianças órfãs de pais e da vida.

São muitas as histórias que estão registadas acerca de respostas de Deus à oração de George Müller. Uma delas aconteceu, quando, ao levantarem-se pela manhã, não haver nenhum pedaço de pão para as crianças. Müller ordenou que mesmo assim as crianças dessem graças a Deus pelo alimento e ficassem esperando.

Minutos depois um almocreve bateu à porta, dizendo que a sua carroça se havia quebrado ali à frente e se eles queriam ficar com o carregamento de pão que ele estava levando para outros lugares! Assim as crianças e os demais irmãos glorificaram o Senhor por mais um dos Seus extraordinários feitos. Toda a vida e obra de Müller atestam a fidelidade e a graça provedora de Deus.

George Müller era um homem comum, porém, a sua fé era inegável, e a sua confiança total em Deus, e o seu amor a Deus, têm o mesmo impacto no mundo de hoje, como quando ele morreu em 1898.

A sua vida continua sendo uma inspiração para todos aqueles que entregaram as suas vidas a Deus. E, para todos nós continua sendo mais uma daquelas “vidas que marcaram....”

Ele foi muito para além da maioria dos homens na sua relação com o dinheiro. Por exemplo: ele nunca aceitava ofertas quando saía para pregar, temendo dar a impressão que pregava por dinheiro. Quando ele rejeitava as ofertas, as pessoas, algumas vezes, queriam pô-las à força dentro do seu bolso, então, ele fugia.

Durante os seus primeiros anos de vida cristã, Müller começou a desenvolver estas convicções sobre a oração e fé, que proporcionaram a base para poderosas demonstrações da provisão de Deus. Além de pedir a Deus por comida e fundos pessoais, ele, frequentemente ,orava com crentes enfermos até estes ficarem curados. Um biógrafo observa que “quase sempre as suas orações eram respondidas, mas em algumas ocasiões não eram.” Nesses casos, Müller continuava orando sobre estes assuntos ou pessoas, por anos.

Além de trabalhar com Henry Graik na capela Bethesda, uma moderna igreja situada no coração de Bristol, Müller começou a sentir preocupação pelas massas de crianças órfãs, abandonadas, que estavam por toda a parte, na Inglaterra do século XIX. Em 5 de março 1834, com Craik, ele fundou a “Scriptural Knowledge Institution for Home and Abroad” - SKI (“Instituição do Conhecimento Bíblico para a Pátria e Estrangeiro”) sem um vintém, que continua até hoje. Os seus objetivos eram: 1) estabelecer Escolas diárias, Escolas dominicais e Escolas para adultos onde as Escrituras fossem ensinadas; 2) distribuir Bíblias; 3) ajudar o serviço missionário.

Durante a vida de Müller, o SKI proporcionou educação a muitos milhares de crianças e adultos, que de outro modo não poderiam ter ido à escola. Distribuiu milhares de Novos Testamentos, Bíblias e folhetos evangelísticos a preços reduzidos, em muitas línguas. Enviou o equivalente moderno a muitos milhões de euros para missionários nacionais e estrangeiros. Durante um período de dois anos, Müller quase sustentou sozinho a Hudson Taylor e a trinta dos  seus colegas missionários, na China.

 As maiores obras pelas quais Müller é lembrado – e deve ser guardado na memória que ele foi também um líder de Igreja por excelência – são os orfanatos. Nestes, e também em todo o seu trabalho, Mary Groves Müller (1797- 6 de fevereiro de 1870), a sua fiel adjutora, manteve-se sempre firme a seu lado.

Milhares de pais morreram na epidemia de cólera de 1834. Os poucos medicamentos e conhecimentos médicos precários sobre a cólera, as más condições sociais e leis laborais infames multiplicavam os órfãos. Essas crianças infelizes tentavam sobreviver nas ruas, ou eram obrigadas a submeter-se às péssimas condições das oficinas de trabalho. Charles Dickens disse que os órfãos eram “desprezados por todos e ninguém se compadecia deles.” As casas para órfãos do Estado eram poucas e quase não existiam as particulares. Todas elas serviam apenas para as crianças das famílias de classes mais altas. Pobreza, crime e prostituição aguardavam o resto.

Muitos fatores convergentes levaram Müller a começar um orfanato: 1) Ele estava genuinamente preocupado com os órfãos de Bristol; 2) Ele estava cansado de ouvir homens de negócios e operários dizerem que a necessidade financeira e a competição os proibiam de colocar Deus e Seus assuntos em primeiro lugar nas suas vidas; 3) Ele queria provar que Deus responde às orações e colocar “diante do mundo uma prova de que Deus de modo nenhum mudou. Isto parecia-lhe ser melhor feito pelo estabelecimento de um orfanato. Devia ser algo que pudesse ser visto até pelos olhos naturais.”

Em 1835, Müller colocou o seu plano diante da igreja de Bethesda. Imediatamente a congregação se uniu para sustentar o empreendimento. Móveis, utensílios, roupas e fundos chegaram. Dali em diante, Bethesda e o seu círculo crescente de igrejas permaneceram inteiramente com Müller no cuidado dos órfãos. No começo, eles costumavam alugar casas para as crianças. Muitos crentes de Bethesda trabalhavam em tempo parcial ou integral nos orfanatos. Eles conheciam os pormenores particulares e as necessidades diárias ligadas a um tão grande projecto.

Eles também compreendiam a convicção de Müller em não solicitar fundos – ele queria provar que Deus responderia às orações dos crentes. Müller escreveu: “Eu não digo que estaria agindo contra os preceitos do Senhor se procurasse ajuda para a Sua obra através do pedido pessoal e individual [apelos] feitos aos crentes, mas eu faço assim para o benefício da Igreja em geral.” Ele era ainda totalmente contrário, todavia, à possibilidade de que algum cristão fizesse apelos financeiros aos descrentes.

Neste dia, 11 de abril de 1836, Müller abriu a primeira casa para os órfãos da cidade de Bristol, quando ainda não tinha 30 anos de idade. A comida para os órfãos chegava muitas vezes minutos antes da hora de ser servida, embora as crianças nunca soubessem disso. Mais e mais crianças suplicavam a Müller para que as recebesse e ele alugava, então, mais casas. Mas estas logo abarrotavam, e por isso, em oração e em conversas com os cristãos de Bristol, George Müller decidiu construir um grande e moderno edifício para os órfãos. Este projeto foi iniciado em 1845, exatamente quando a tempestade da divisão entre os Irmãos se estava formando em Plymouth. Em 1848, mesmo enquanto Darby estava atacando Müller, o primeiro dos imensos orfanatos estava quase completo. E enquanto a carta de Darby excomungando toda assembleia de Bethesda estava circulando pela Inglaterra e ao redor do mundo, o telhado foi estendido. Enquanto a divisão entre os chamados “Irmãos de Plymouth” progredia e os antigos amigos se estavam voltando contra ele, George Müller continuava amorosamente esperando em Deus, por fundos e provisões.

Em 1870, depois de profundas e repetidas provas de fé, a última das cinco magníficas casas de pedra, para 2000 órfãos, foi levantada exatamente fora de Bristol, em Ashley Down. Müller maravilhou-se com o que Deus tinha feito naqueles 34 anos, em resposta à fé e à oração. Além de providenciar comida e roupas para muitos milhares de órfãos, George Müller tinha a responsabilidade de levantar o “ordenado” [salário] mensal para mais de 100 empregados.

As jovens órfãs eram educadas para serem empregadas e costureiras, enquanto os rapazes aprendiam vários ofícios. A cada órfão era assegurado um emprego antes de ele deixar as casas, ou então Müller pagava o salário de aprendiz deles ao patrão que lhes ensinaria uma profissão. Cada órfão saía com um jogo completo de roupas.

Um homem que vivia em Bristol, próximo dos orfanatos disse que “sempre que ele sentia dúvidas sobre o Deus Vivo, que vinham à sua mente, levantava-se à noite e olhava através da escuridão para as muitas janelas iluminadas em Ashley Down, brilhando na escuridão como estrelas no céu.” Cobra-se em Inglaterra, por aqueles tempos, um imposto sobre janelas grandes quando Müller construiu os orfanatos, mas ele disse: “Mós confiaremos em Deus para o dinheiro do imposto – deixemos as crianças terem luz e ar!”

Com o rodar dos anos Cristãos por todo o oeste da Inglaterra e ao redor do mundo ficavam sabendo sobre os orfanatos. E, também reconheciam o poder e a provisão de Deus, que, se tornavam acessíveis em resposta às orações fiéis de Müller e dos crentes mais chegados.

Ao envelhecer, Müller, que falava sete línguas, viajou por 42 países em “viagens missionárias” e pregou o Evangelho para multidões de milhares. O seu alvo nessas viagens era, de acordo com o propósito de A. N. Groves, e dos “Irmãos” no início do seu Movimento, quebrar as barreiras denominacionais e promover o amor fraternal entre os verdadeiros cristãos. Em três ocasiões visitou os Estados Unidos e o Canadá, pregando centenas de vezes, e, em quase todas, pessoas vieram a Cristo.
  
Em 1878, Müller foi convidado para ir à Casa Branca, a fim de falar sobre os orfanatos ao presidente Rutherford B. Hayes (4 de outubro de 1822 —17 de janeiro de 1893). Provavelmente Müller não contou ao presidente Hayes que foi enquanto J. N. Darby estava tentando virar pessoas contra ele que Deus proveu os fundos para as grandes casas de órfãos.

Müller criou um regulamento fixo em que nem ele nem os seus auxiliares jamais deveriam pedir a qualquer indivíduo qualquer coisa em particular, para “que a mão do Senhor pudesse ser claramente vista.” Mas ele pedia ao Senhor que movesse pessoas para ofertar. Uma vez, quando um homem fez um grande donativo, Müller, muito satisfeito, visitou-o para lhe agradecer; então Müller mostrou a este homem a anotação feita no seu diário quando, meses antes, começou a rogar a Deus para que aquele homem lhe desse aquela quantia específica!

O historiador Roy Coad observa, todavia, que “a lenda popular” tem escondido um tanto da natureza prática de Müller. “A lenda enfatiza um lado da moeda: a intensidade da confiança de Müller. Muitas vezes o outro lado tem sido esquecido – que os fundos para suprir a necessidade vieram de homens e mulheres que eram coparticipantes com Müller da sua fé em Deus.”

Müller havia atraído a Igreja de Bethesda para dentro dos seus planos do orfanato desde o início. Ele usava vários sistemas de relatórios para mantê-la informada, e aos outros Cristãos também, do que ia acontecendo nos Orfanatos:

1) No mês de dezembro, durante três noites, Müller presidia a reuniões públicas para informar as Igrejas de Bristol e o público a respeito do que se havia passado durante aquele ano nos Orfanatos.

2) Todos os anos, ele escrevia e publicava um “Relatório Anual” com pormenores financeiros e notas sobre eventos importantes que durante o ano se havia passado nos Orfanatos e também alguns objetivos do que ele esperava para os anos vindouros. Estes “Relatórios Anuais” eram dados ou vendidos a pessoas interessadas e circulavam ao redor do mundo.

3) Em 1837, Müller publicou a primeira edição de “A Narrative of Some of the Lord”s Dealings with George Müller” (Uma Narrativa de alguns dos procedimentos do Senhor para com George Müller), um livro consideravelmente grande, de seleções do seu diário que graficamente descrevia como o Senhor repetidamente providenciava ajuda para os órfãos através de diferentes pessoas. Esta narrativa era regularmente atualizada e aparecia em intervalos de cinco anos, até se tornar numa coleção de quatro volumes. Muitas pessoas enviavam donativos anexos às suas cartas nas quais diziam a Müller que sabiam da sua necessidade pela leitura dos “Relatórios Anuais da Narrativa.”

4) Depois que Müller contou aos amigos o seu plano de construir as grandes casas para órfãos, em Ashey Down, eles espalharam a notícia por toda a Inglaterra. Müller notou isso. Mas não parecia preocupado com o facto de que muitos milhares de pessoas soubessem do que ele estava pedindo a Deus para fazer. Ele acreditava que qualquer que fosse o meio é Deus quem motiva as pessoas para ofertar. (De 1882 em diante, o rendimento de Müller diminuiu e ele teve de reduzir muito a SKI e os programas do orfanato. Durante o mesmo período, todavia, o governo Inglês começou a providenciar um melhor cuidado para os órfãos).

Uma vez, Charles Dickens (7 de fevereiro de 1812 — 9 de junho de 1870), escritor de referência da língua inglesa, apareceu em Ashley Down para “investigar” o que Müller estava fazendo a estes órfãos. Müller entregou as chaves a Dickens e mandou um assistente mostrar-lhe qualquer coisa que ele quisesse ver. Depois da investigação, Dickens disse a Müller que acreditava que os órfãos estavam sendo muito bem cuidados.

George Müller morreu na manhã de 10 de março de 1898, aos 92 anos. Ele participou ativamente, enquanto viveu, na Assembleia Local em Bethesda e nos orfanatos até ao dia anterior à sua morte. Milhares de pessoas lotaram as ruas para ver o cortejo funebre do imigrante alemão que, segundo o jornal “The Bristol Mercury”, foi “a maior personalidade que Bristol conheceu como cidadão nesta geração.” Sete mil pessoas lotaram o cemitério para ver o sepultamento.

O “Bristol Evening News” escreveu que “na era do agnosticismo e materialismo, ele pôs em prática teorias sobre as quais muitos homens estavam contentes em as sustentar numa controvérsia inútil.”

O “Liverpool Mercury” maravilhou-se por causa da provisão feita a milhares de crianças e perguntou como isto aconteceu. “Müller disse ao mundo que foi o resultado de Oração. O racionalismo de hoje zombará desta declaração. Mas os factos permanecem, e permanecem até serem explicados. Não seria científico desdenhar das ocorrências históricas quando elas são difíceis de esclarecer. E seria necessário muitos truques de magia para fazer com que os orfanatos em Ashley Down se sumissem da nossa vista.”

Por sua vez, Müller já havia escrito: “Eu sei que belo, gracioso e generoso ser Deus é pela revelação que Ele Se agradou em fazer de Si mesmo na Sua santa Palavra. Eu creio nesta revelação. Também sei por minha própria experiência da veracidade disso. Portanto, eu estava satisfeito com Deus. Regozijava-me em Deus. E o resultado é que Ele realizou o desejo do meu coração.”

George Müller acreditava que Deus fará o mesmo com qualquer um que O busque.

Certa vez, ao compartilhar com os ministros e obreiros, por ocasião do seu nonagésimo aniversário, George Müller falou da seguinte forma a respeito de si mesmo: “... Eu lembro-me da minha entrega absoluta ao Senhor. Fui convertido em novembro de 1825, mas somente quatro anos mais tarde, em julho de 1829, entreguei o meu coração ao Senhor de forma absoluta. Somente então abandonei o amor ao dinheiro, à paz, à posição, aos prazeres e aos compromissos mundanos. Deus, somente Deus Se tornou a minha porção. Encontrei nEle o meu tudo. Não desejava nada mais, e, pela graça de Deus, assim permaneço até hoje. Isso fez-me um homem feliz, um homem profundamente feliz e levou-me a ocupar-me somente com as coisas de Deus. Amado Irmão, eu pergunto-lhe com muito amor: Você já entregou o seu coração a Deus de forma absoluta? Ou há algo que você está retendo e não quer entregar a Deus? Anteriormente eu lia um pouco as Escrituras, mas preferia outros livros; todavia, desde o dia em que me entreguei totalmente ao Senhor, a Revelação que Ele fez de Si mesmo tornou-se uma bênção incomparavelmente mais preciosa para mim. Posso afirmar de coração que, “Deus é um Ser infinitamente amoroso.” Oh, não fiquemos satisfeitos até que, do mais profundo da nossa alma, possamos dizer: “Deus é um Ser infinitamente amoroso.”

George Müller fala na sua “Uma Narrativa de alguns dos procedimentos do Senhor para com George Müller” acerca dessa mudança ocorrida na sua vida. Há muitos anos atrás ele fora para uma cidade chamada Teignmouth (na Alemanha) a fim de tratar a sua saúde física. Lá ele ouviu um pregador cuja mensagem ele jamais esqueceu. Ele relata o significado dessa mensagem nas seguintes palavras: “Embora eu não tenha gostado do que ele falou, eu vi nele uma seriedade e uma solenidade diferente dos demais. Através do ministrar desse irmão, o Senhor concedeu-me uma grande bênção e a Ele serei grato ao longo de toda a eternidade. Deus começou a mostrar-me que unicamente a Sua Palavra deve ser o nosso padrão para o julgamento em coisas espirituais, que a Palavra de Deus somente pode ser explicada pelo Espírito Santo e que, nos nossos dias, assim como nos tempos passados, Ele é o Mestre do Seu povo. Antes dessa ocasião na minha vida, eu não tinha ainda, na minha experiência, entendido a função do Espírito Santo. Anteriormente eu não havia enxergado que somente o Espírito Santo pode ensinar-nos acerca da nossa condição natural, mostrar-nos a nossa necessidade de um Salvador, capacitar-nos a crer em Cristo, a explicar-nos as Escrituras, a ajudar-nos a pregar, etc...”
    “Foi a compreensão dessa verdade em especial que exerceu uma grande influência na minha vida, pois o Senhor capacitou-me a experimentar a sua validade quando eu coloquei de lado comentários e quase todos os outros livros e comecei simplesmente a ler e estudar (pessoalmente) a Palavra de Deus. Como resultado, na primeira noite em que entrei no meu quarto, fechei a porta a fim de orar e meditar nas Escrituras, eu aprendi mais sobre a Palavra de Deus em algumas poucas horas do que havia aprendido durante um período de vários meses. A maior diferença, no entanto, foi o poder real que experimentei na minha alma através disso.”

“Além disso, aprouve ao Senhor fazer-me ver um padrão mais elevado de dedicação do que o que eu havia visto anteriormente. Ele levou-me, numa medida, a ver qual é a minha glória neste mundo: ser desprezado, ser pobre e pequeno com Cristo. Ao regressar a Londres, a minha saúde física estava muito melhor, e, no que diz respeito à minha alma, a mudança fora tão grande que parecia uma segunda conversão.”

“Eu caíra na armadilha em que muitos cristãos caem: preferir ler livros religiosos ao invés da Bíblia. Na verdade, de acordo com as Escrituras, nós deveríamos pensar da seguinte maneira: O próprio Deus dignou-Se tornar-Se autor de um livro, e eu sou ignorante acerca deste precioso livro que o Seu Espírito inspirou; por causa disso, eu devo ler novamente este Livro dos livros mais cuidadosamente, com mais oração, com muito mais meditação. Mas essa não foi a minha atitude. É verdade que a minha ignorância sobre a Palavra levou-me a desejar estudá-la, todavia, por causa da minha dificuldade em entendê-la, nos primeiros quatro anos da minha vida cristã, eu negligenciei a sua leitura. Assim como muitos cristãos fazem, eu praticamente preferia ler as obras de homens não inspirados ao invés de ler os oráculos do Deus vivo. Como consequência disso, eu permaneci um bebé tanto no conhecimento quanto na graça. No conhecimento, porque todo verdadeiro conhecimento deve ser obtido da Palavra de Deus por meio do Seu Espírito. Como triste consequência, esta falta de conhecimento impediu-me de caminhar nos caminhos de Deus com firmeza e constância. Pois é a Verdade que nos liberta, livrando-nos do cativeiro dos desejos da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida. A Palavra prova isto. Também a experiência dos santos e a minha própria experiência provam, de modo incontestável, a veracidade deste princípio, pois quando aprouve ao Senhor, em agosto de 1829, ensinar-me a confiar nas Escrituras, a minha vida e meu caminhar tornaram-se muito diferentes.”

“Se alguém me perguntasse como é possível ler as Escrituras de modo mais proveitoso, eu responderia da seguinte maneira:

Acima de tudo, devemos ter a Palavra armazenada (decorada) na nossa mente, de modo que Deus apenas por meio do Espírito Santo possa ensinar-nos. Desta forma, é de Deus que vamos esperar todas as bênçãos e vamos buscar a bênção de Deus tanto antes quanto durante a leitura da Palavra.

Deveríamos compreender claramente que o Espírito Santo não é apenas o melhor Mestre, mas também é o Mestre suficiente. Nem sempre Ele nos ensina imediatamente aquilo que desejamos saber. É possível, portanto, que algumas vezes necessitemos de suplicar-Lhe várias vezes a fim de recebermos a explicação para algumas passagens; não obstante, Ele certamente no fim ensinar-nos-á se nós buscarmos a luz com oração, com paciência e para a glória de Deus.”

Apenas mais uma palavra proferida por ocasião do seu nonagésimo aniversário: Por sessenta e nove anos e dez meses George Muller fora um homem muito feliz. Isso ele atribuía a duas coisas: ele havia mantido uma boa consciência, não seguindo deliberadamente um caminho que ele soubesse ser contrário à vontade de Deus; isso não quer dizer que ele fosse perfeito; ele era pobre, fraco e pecador. Em segundo lugar, ele atribuía a sua felicidade ao seu amor pelas Escrituras. Nos seus últimos anos, ele costumava ler toda a Bíblia quatro vezes por ano, aplicando-a ao seu próprio coração e sobre ela meditando. Ele amava a Palavra de Deus muito mais agora do que há sessenta e seis anos atrás. Foi o seu amor à Palavra, bem como o manter uma boa consciência que lhe proporcionaram todos aqueles anos de paz e alegria no Espírito Santo. (R. A. Torrey)

Recapitulando o que atrás disse: George Müller confiava nas promessas de Deus, porque “Quem fez a promessa é fiel...” (Hebreus 10:23)

- “A despensa está quase vazia” - informou uma funcionária.

- “É preciso lembrar-lhe que já venceu o prazo para o pagamento do aluguel?” Interrogava o senhorio.

- “O Senhor proverá” - disse George Müller animadamente. “Ele prometeu suprir todas as nossas necessidades. Não vai falhar agora.” Naquele momento, ele tinha apenas 27 pennies, (um péni - a centésima parte de uma Libra) para alimentar várias centenas de crianças do orfanato.

Então chegou uma carta. George abriu-a e leu o seguinte: Porventura estariam vocês com alguma necessidade urgente de dinheiro? Sei que decidiram pedir somente a Deus que lhes suprisse as necessidades. Mas haveria algum problema em informar de quanto dinheiro estão precisando? George Muller balançou a cabeça e escreveu o seguinte bilhete: “Nada mencionarei sobre os nossos recursos. O principal objeto de meu trabalho é mostrar que Deus é real e que cumprirá as Suas promessas. Até ao momento ainda não contamos a ninguém sobre as nossas necessidades e não o faremos.”

Tendo despachado a carta, George Müller caiu sobre os joelhos no seu escritório: “Senhor, estamos numa situação desesperada. Temos apenas 27 centavos. Por favor, dirige este homem para que nos envie dinheiro.”

Ao receber a carta de George Müller, o referido homem, sentiu-se impressionado a enviar-lhe cem libras de uma só vez.

Quando o dinheiro chegou, não havia um único centavo na instituição de Müller para comprar alimento para a refeição seguinte!

Certa vez, um amigo perguntou a George Müller: “O que faria, caso Deus não enviasse ajuda no momento certo?”

“Certamente isso jamais aconteceria” – respondeu George – 

“Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. Deus não mente. É completamente confiável.”

George Müller cuidou de mais de 10 000 órfãos durante os 63 anos em que decidiu confiar inteiramente em Deus para o atendimento das suas necessidades. Nem uma única vez deixou Deus de cumprir a Sua promessa! Deus é o Amigo em Quem podemos confiar.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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