… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

27 de abril de 1541 • A “Conferência de Ratisbona”


27 de abril de 1541 A “Conferência de Ratisbona”
Vista parcial da cidade antiga, com a Ponte de Pedra sob o rio Danúbio, e a Catedral de São Pedro, ao fundo

Roma e os Reformadores “quase” que se reconciliaram. Neste dia, 27 de abril de 1541, o imperador Carlos V convocou uma conferência em Ratisbona para discutir a reunificação da Igreja ocidental. No seu discurso de abertura, Carlos disse que ele tinha percebido que as diferenças religiosas tinham rasgado a unidade religiosa da Europa e tinham também permitido que os turcos em armas quase chegassem às portas da Alemanha. Ele queria encontrar uma solução pacífica, disse o sacro imperador Carlos V.



O Papa Paulo III também esperava a  reconciliação. Ele enviou como seu representante o cardeal Contarini, um homem de vida pura, cujos pontos de vista sobre a doutrina da justificação estavam perto dos de Lutero. Os Protestantes também queriam a paz. Eles estavam em menor número na Europa e sabiam que eles sofreriam um mau bocado se algum acordo não fosse alcançado. João Calvino também veio para assistir à Conferência de Ratisbona, todavia ele provou ser profético quando declarou que as diferenças entre os dois lados eram grandes demais para serem resolvidas por simples discussões.



Os negociadores do lado Católico foram Eck, Pflug e Gropper. Os negociadores Protestantes foram Melanchthon, Bucer  e Pistorius. As negociações seguiram um esquema conhecido como o “Livro de Ratisbona”, que havia sido preparado com antecedência por Martin Bucer e por Johann Gropper e lido e revisto pelo Cardeal Contarini.



O Papa Paulo III queria que a questão da sua autoridade fosse resolvida em primeiro lugar. Contarini reconheceu que isto era melhor ser deixado de lado até serem discutidas questões mais fáceis para ambos os lados que criassem uma dinâmica de cooperação. E, de facto, os negociadores chegaram rapidamente a acordo sobre doutrinas como “o pecado original”, “o livre arbítrio”, e até mesmo sobre “a justificação.” Calvino alegrou-se que os compromissos tivessem mantido “toda a substância da verdadeira doutrina.”



Os negociadores omitiram nesta Conferência os assuntos da autoridade da Igreja, quando viram que estavam em desacordo, e passaram a discutir os sacramentos. Mas, sobre a Ceia do Senhor, para os Protestantes e Eucaristia, para os Católicos Romanos, o acordo não pôde ser encontrado. Os Católicos insistam em que o pão se torna literalmente “o Corpo de Cristo” e devia ser adorado, os Reformadores declararam que Cristo estava meramente presente, e que a adoração dos símbolos era idolatria. As tentativas para forjar fórmulas, que permitissem que cada lado sustentasse a sua própria visão, falharam.



E assim decorreu a Conferência. Embora os participantes pouco mais falassem sobre as outras questões ainda em cima da mesa, as discussões foram timoratas. A reconciliação tinha falhado. João Calvino quando concluiu que não era possível mais nenhum diálogo oficial com Roma, afirmou, com pesar, “estar disposto a deixar cortar a cabeça, a fim de que a paz seja restabelecida no seio da igreja.”



Como consequência, ambos os lados Cristãos participantes nesta Conferência de Ratisbona tomaram os seus próprios caminhos. Finalmente, a Europa ia tornar-se o palco de conflitos de guerras religiosas travadas entre os Irmãos Cristãos.

Notas:

Ratisbona ou Regensburg (em alemão Regensburg, latim e demais línguas latinas Ratisbona,) é uma cidade independente (kreisfreie Stadt) no leste do estado alemão da Baviera. É a capital e sede da administração da região administrativa do Alto Palatinado e do Bezirk Oberpfalz. Ratisbona também é a sede da administração do distrito homónimo;

Imperador Carlos V [Carlos de Habsburgo (Gante, 24 de fevereiro de 1500 — Cáceres, 21 de setembro de 1558) foi Rei de Espanha (Carlos I) e Imperador do Sacro Império Romano (Carlos V)];

Papa Paulo III [Papa Paulo III, nascido Alessandro Farnese (Roma, 29 de fevereiro de 1468 - Roma, 10 de novembro de 1549) foi Papa de 13 de outubro de 1534 até à data da sua morte];

Cardeal Contarini [Gasparo Contarini (16 de outubro de 1483 - 24 de agosto de 1542)];

Martinho Lutero (em alemão: Martin Luther; Eisleben, 10 de novembro de 1483 — Eisleben, 18 de fevereiro de 1546) foi um sacerdote agostiniano e professor de teologia alemão precursor da Reforma Protestante];

João Calvino [Jean Calvin (aportuguesado João Calvino; Noyon, 10 de julho de 1509 — Genebra, 27 de maio de 1564) foi um teólogo cristão francês. Calvino teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, uma influência que continua até hoje. Portanto, a forma de Protestantismo que ele ensinou e viveu é conhecido por alguns pelo nome Calvinismo, mesmo que o próprio Calvino teria repudiado contundentemente este apelido;

Eck [Dr. Johann Eck von Maier (13 de novembro de 1486 - 13 de fevereiro de 1543)];

Pflug [Julius von Pflug, bispo da diocese de Naumburg-Zeitz];

Gropper [Johann Gropper nasceu em Soest em 24 de fevereiro de 1503 e morreu em Roma em 13 março de 1559];

Melanchthon [Philipp Melanchthon (em português Filipe Melâncton; Bretten, 16 de fevereiro de 1497 — Wittenberg, 29 de abril de 1560) foi um reformador alemão. Colaborador de Lutero, redigiu a Confissão de Augsburgo (1530) e converteu-se no principal líder do luteranismo após a morte do próprio Lutero];

Bucer [Martin Bucer (em alemão: Martin Butzer; Nasceu em Sélestat, França, 11 de novembro de 1491 - Morreu em Cambridge, Inglaterra, 28 fevereiro 1551)];

Pistorius [Johannes Pistorius, o velho (Niddanus = de Nidda) (1504 - 1583), Reformator e superintendente].


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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