… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 4 de abril de 2017

4 de abril de 397 • Morre Ambrósio de Milão



4 de abril de 397Morre Ambrósio de Milão
Mosaico na Basílica de Santo Ambrósio em Milão
Ambrósio de Milão nasceu em Tréveris (atual Trier, na Alemanha), onde seu pai exercia uma alta função na administração do Império Romano, por volta do ano 340, e morreu em Milão neste dia, 4 de abril do ano 397.



Ambrósio de Milão foi educado em Roma para ser advogado e por volta do ano de 370 foi designado prefeito consular para o norte da Itália, fixando a sua residência em Milão.



No ano 374 acirrou-se a disputa pela naquela cidade entre os cristãos das fações católica e ariana sobre a eleição de um bispo que sucedesse a Auxêncio, que era ariano, e tinha acabado de falecer. Ambrósio, como primeiro magistrado da cidade, foi à igreja para manter a ordem, e aí foi eleito pelo povo para ocupar o lugar de bispo deixado vago por Auxêncio! Como era só catecúmeno teve de ser batizado e oito dias mais tarde, em 7 de dezembro do 374, foi consagrado bispo.



Como dirigente eclesiástico distinguiu-se pelo seu apoio à fé católica.



No ano 379 conseguiu estabelecer um bispo católico em Sirmio, apesar dos esforços da imperatriz Justina que era ariana.



Entre os anos 385 e 386 rejeitou entregar a basílica em Milão à imperatriz para o culto ariano. Essas lutas com os arianos relata-as nas suas cartas à sua irmã Marcelina (Epist., xx, xxii) e ao imperador Valentiniano II (Epist., xxi) e em “De basilicis tradendis”.



Ambrósio também travou uma inflamada controvérsia com o monge romano Joviniano (Epist., xlii).



Ambrósio, além de se opor às heresias, também enfrentou o paganismo com o mesmo zelo.



No senado romano existia um altar dedicado à deusa Vitória, diante do qual todos faziam os seus juramentos. No ano 382 Graciano retirou de lá o altar, provavelmente por sugestão do bispo Ambrósio. O senado, que favorecia a antiga religião, fez denodados esforços sob a orientação de Graciano e dos Imperadores Valentiniano II e Teodósio para que o altar fosse reposto no seu antigo altar, mas sem êxito, devido à férrea oposição do bispo da cidade.



Por outro lado, Ambrósio sustentava que o Estado não deve interferir na Igreja.



No ano de 370 o povo de Tessalónica assassinou o governador da cidade durante uma revolta, e Teodósio, na sua fúria, ordenou um massacre contra a população. Ambrósio repreendeu-o publicamente, impondo-lhe disciplina eclesiástica.



Após vencer a guerra contra Máximo e ordenar o Massacre de Tessalónica, Teodósio pretendia, como era costume sentar-se no presbitério da igreja de Milão, mas foi proibido pelo bispo Ambrósio de entrar na igreja, sem que antes fizesse uma confissão pública.



Ambrósio excluiu o imperador da comunhão e durante oito meses a tensão manteve-se, até que Teodósio, durante o Natal, vestido com um saco de penitência, foi perdoado. Teodósio afirmaria mais tarde: "Sem dúvida, Ambrósio fez-me compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo". Desde então o poder eclesiástico de julgar os poderes públicos, não só em questões dogmáticas mas também pelos seus erros públicos, prevaleceu até a Idade Moderna.



No ano 388 alguns monges queimaram a sinagoga de Callinicum, pequena cidade na Mesopotâmia, e Teodósio obrigou o bispo da cidade a reconstruí-la e puniu os incendiários. Ambrósio num sermão pronunciado na presença de Teodósio condenou a atitude deste e do conselheiro imperial Timásio, opondo a Igreja à Sinagoga. À resposta de Teodósio dizendo que os monges tinham cometido muitos crimes, Ambrósio ameaçou-o com a excomunhão e Teodósio cedeu. Assim, Ambrósio convenceu o imperador para que anulasse a ordem.



Esse episódio é significativo, porque exemplifica a mudança de posição em assuntos de liberdade religiosa do Império Romano pluralista para o Império Romano, estado cristão. Teodósio começou a sua resposta à queima da sinagoga em Callinicum comportando-se como um imperador pagão o teria feito, cioso de manter a lei e a ordem, respeitando os direitos aceitos dos judeus. Ambrósio desafiou o auto entendimento da sua qualidade de imperador, levando-o a comportar-se como imperador cristão, que não deveria mostrar boa vontade aos judeus, ou até a simples equidade em assuntos de liberdade religiosa. Isso era, segundo Ambrósio, inconsistente com a Cristandade. O dever do imperador cristão, segundo Ambrósio, era garantir o triunfo da verdade (na sua visão, o cristianismo) sobre o erro (na sua visão, o judaísmo). Teodósio capitulou, e a Igreja tinha a última palavra. A separação entre o cristianismo e o judaísmo, efetivada teologicamente em 325 no Primeiro Concílio de Niceia, era agora lei sob os imperadores romanos, que tomaram os seus conselhos da Igreja. O incidente de Callinicum é o símbolo da conquista do antissemitismo eclesial. A Igreja podia agora manejar, e manejou, para influenciar a legislação imperial num modo danoso para os judeus.



Como professor Ambrósio de Milão estava mais preocupado por questões práticas e éticas do que pelas metafísicas. Os seus escritos são ricos em claros matizes práticos, mas Ambrósio não é original no seu pensamento. Das suas obras dogmáticas o seu “De mysteriis” recorda-nos Cirilo de Jerusalém e “De fide” e “De spiritu sancto” são devedores a Basílio. Sobre a questão do pecado Ambrósio permanece mais perto de Agostinho de Hipona que dos anteriores pais latinos ou gregos, embora o seu ponto de vista concorde mais com o pensamento inicial de Agostinho do que com as suas posições mais tardias e amadurecidas.



As obras exegéticas de Ambrósio de Milão estão muito influenciadas pelo pensamento de Basílio e acham-se fortemente imbuídas do método alegórico. A sua principal e melhor característica é a sua tendência prática. O mesmo se pode dizer dos seus sermões, que mostram a dignidade do gentil cavalheiro romano. Entre os seus tratados morais e ascéticos estão “De officiis ministrorum” (modelada segundo Cícero), “De virginibus”, “De viduis”, “De virginitate”, etc. A sua crescente tendência para o ascetismo mostra o alto valor que atribuía ao celibato, ao martírio e à pobreza voluntária. A obtenção de uma vida cristã mais elevada e pura por tais meios denota a influência da moral estóica no seu método.



Ambrósio foi o autor de uma reforma na música eclesiástica, estando associado a uma tradição litúrgica muito antiga em Milão, com o seu nome. Dos hinos que lhe atribuem não mais de quatro ou cinco são genuínos, não estando o “Te Deum” entre eles.



Existem mais de noventa cartas suas.



Foi enterrado na basílica ambrosiana de Milão, perto dos mártires Gervásio e Protásio. No século IX, o arcebispo Angilberto II colocou os restos destas três personagens num sarcófago que foi descoberto no ano 1864 e aberto em 1871.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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