… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

20 de abril de 1233 • Os Dominicanos tornam-se nos ferozes inquisidores


20 de abril de 1233Os Dominicanos tornam-se nos ferozes inquisidores

O Papa Gregório IX foi o responsável por duas Bulas que marcam o início da Inquisição
Duas das manchas mais negras da história cristã são a caça às bruxas da Europa Medieval e a da Inquisição e os executores desta missão. Ninguém sabe ao certo quantas pessoas sofreram nas mãos da Inquisição. Milhares sofreram, com certeza. Para a maioria dos religiosos e dos governos, parecia evidente que a ortodoxia devia ser preservada, independentemente do preço a pagar.



Embora os papas Alexandre III (foi Papa de 1159 até 3 de agosto de 1181), Lúcio III (foi Papa entre 1 de setembro de 1181 e 25 de novembro de 1185) e Inocêncio III (foi Papa de 8 de janeiro de 1198 até 16 de julho de 1216), tenham dado passos na direção da Inquisição, foi o Papa Gregório IX [nascido Ugolino di Anagni (Anagni, c. 1160 — Roma, 22 de agosto de 1241) foi Papa de 1227 a 1241], que instituiu a máquina em 1227. Naquele ano, ele nomeou um conselho de inquisidores para reprimirem a heresia, em Florença. Pouco depois, ele ampliou a operação. Isso era inevitável, dada a natureza autoritária da Igreja Medieval e o fermento dos tempos. A heresia era abundante na Itália, na França e nos Balcãs.



Até 1231 o Papa Gregório IX tinha emitido regras formais. Ele imaginava a Inquisição, como sendo para a salvação, coerção e punição do erro de Católicos apenas. Judeus, muçulmanos e outros não-cristãos não deviam ser tocados. A Inquisição seria para investigar a propagação da heresia, chamar os hereges suspeitos aos tribunais, e punir a infidelidade de modo a converter e salvar almas. Foi destinada principalmente ao crescente número de valdenses e albigenses. A tortura seria permitida, como havia acontecido no direito romano. Como seu inquisidor em França, o Papa Gregório IX nomeou o brutal Robert, le Bougre, ex-herege. Ele duma vez queimou 180 pessoas na fogueira num dia e realizou tantas outras atrocidades que ele próprio foi por fim acusado e preso.



Nesta dia, 20 de abril de 1233 (Alguns historiadores dizem que foi em 1232), o papa Gregório IX, o mesmo que canonizou Francisco de Assis, Domingos de Gusmão e António de Lisboa (ou de Pádua, para os nativos daquela urbe), publicou a bula “Licet ad capiendos”, com a finalidade de reprimir a heresia, atribuindo tal missão aos dominicanos, colocando-lhes assim nas mãos o funcionamento da Inquisição. Os dominicanos eram a escolha óbvia para o papel. Reconhecidos pela Igreja em 1220, a missão da Ordem era a de ensinar e pregar: a empregar o poder da razão em apoio da fé. Não é por acaso que estudiosos como Alberto Magno e Tomás de Aquino, cheios de virtude e doutos, eram Dominicanos. Os Dominicanos tinham como ponto de honra ganhar os hereges pela força da sua vida santa e pela sua pregação persuasiva.



Os métodos empregados pela sua ordem não eram muito agradáveis, incluíam a tortura e a execução, normalmente, pela fogueira. Ainda que as instruções para interrogatório limitassem o uso da tortura, a tendência foi para superá-la. Muitos Dominicanos nunca participaram da Inquisição. Outros eram suaves nas suas medidas. Alguns renunciaram, ao invés de continuar o trabalho brutal. Não obstante, o bom nome dos Dominicanos foi manchado para sempre pela sua participação nesta atividade cruel. Em pouco tempo a Ordem ficou popularmente conhecida como “Domini canes”, expressão latina que significa “cães de Deus.”



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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