… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

12 de maio de 304 • Martírio de Aquiles, Nereu e Pancrácio (entre muitos outros) na Perseguição de Diocleciano


12 de maio de 304 Martírio de Aquiles, Nereu e Pancrácio (entre muitos outros) na Perseguição de Diocleciano


Busto de Diocleciano, atroz perseguidor dos Cristãos
AQUILES e NEREU



Etimologicamente os nomes “Aquiles” e “Nereu”, de origem grega, significam respetivamente “Força” e “Pertence-me”.


Irmãos, ambos eram soldados adscritos ao tribunal militar durante o governo do Imperador Dioclesiano [Caio Aurélio Valério Diocleciano (em latim: Gaius Aurelius Valerius Diocletianus, 22 de dezembro de 244 – 3 de dezembro de 311)] no tempo em que a maldade perpetrava ataque feroz contra os seguidores de Cristo. Contudo, quanto mais se alargavam as fileiras do martírio, tanto mais florescia o Cristianismo revestido com a força do testemunho vivo da verdade cristã.



Aquiles e Nereu eram flores que se encontravam no meio dum inferno de espadas, sangue e guerra, quando se converteram a Cristo. Diante disso, o dilema que se lhes apresentava não era fácil: se por um lado, renegassem a sua fé e adorassem os ídolos, livrar-se-iam da morte; por outro, se abandonassem o exército, seriam mortos, já que as regras militares eram rigorosíssimas nesse sentido. Abrasados, porém, pela lembrança de Jesus Crucificado e das convicções que lhes inflamavam o coração, não era difícil prever o inevitável desenlace por amor a Deus. Cumpriam perfeitamente com o seu dever de militares, mas passaram a apresentar-se como dois jovens fervorosíssimos, fazendo orações ao Deus dos Cristãos, tornando-se dois comunicadores exemplares da Palavra de Deus.



Finalmente, decidiram abandonar o exército. Não tardou que lhes fosse decretado o exílio na ilha de Ponza, para onde também teria sido desterrada Flávia Domitila (Flavia Domitila foi uma nobre na época do Império Romano, que foi esposa do governador Flávio, sendo parente próxima de Vespasiano, Domiciano e Tito, nascera em Roma no século I, que após a sua conversão foi exilada para uma ilha onde sofreu o martírio por se manter firme nas suas convicções cristãs, morreu, renunciando a uma vida de riquezas e luxos, abraçando a humildade de ser cristã.), sobrinha do cônsul Flávio Clemente, com a qual eles partilharam as tribulações advindas pelas ordens imperiais. O historiador Eusébio [Eusébio de Cesareia c. 265 — Cesareia, 30 de maio de 339) (chamado também de Eusebius Pamphili, “Eusébio amigo de Pânfilo”] diz que esta nobre dama de Roma fora enviada para o desterro por ordem de Domiciano [Tito Flávio Domiciano (em latim Titus Flavius Domitianus; 24 de outubro do 51  — 18 de setembro de 96), habitualmente conhecido como Domiciano, foi Imperador romano de 14 de outubro de 81 d.C. até à sua morte em 18 de setembro de 96. Tito Flávio Domiciano era filho de Vespasiano e da sua mulher Domitila, e irmão de Tito Flávio, a quem ele sucedeu.] porque também proclamara a sua fé ao Divino Redentor. Segundo São Jerónimo [São Jerónimo (português europeu) ou Jerônimo (português brasileiro) (Strídon, c. 347 - Belém, 30 de setembro de 420), nascido Eusébio Sofrónio (Sofrónio) Jerónimo (em latim: Eusebius Sophronius Hieronymus; em grego: Εὐs?ßιος S?fρόνιος Ἱερώνυµος) foi um padre e apologista cristão ilírio. É conhecido sobretudo como tradutor da Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim. A edição de São Jerónimo, a Vulgata, é ainda o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana, que o reconhece como Padre da Igreja (um dos fundadores do dogma católico) e ainda doutor da Igreja. Nasceu em Strídon, na fronteira entre a Panónia e a Dalmácia (motivo pelo qual também é chamado de Jerónimo de Strídon), no segundo quarto do século IV e faleceu perto de Belém, em sua cela, próximo à gruta da Natividade. A Vulgata foi publicada cerca de 400 d.C., poucos anos depois de Teodósio I ter feito do Cristianismo a religião oficial do Império Romano (391).É reconhecido pela Igreja Católica como santo e Doutor da Igreja, e como santo pela Igreja Ortodoxa Oriental, onde é conhecido como São Jerónimo de Stridonium ou Abençoado Jerónimo.] “o exílio foi tão cruel e longo que isto por si só já lhes serviria de martírio.” Foram condenados à morte, entregando gloriosamente a alma pelo fogo e pela espada.



O Papa Dâmaso I (305 — 11 de dezembro de 384) escreveu no ano 400 a seguinte inscrição na tumba dos dois mártires: “Nereu e Aquiles pertenciam ao exército do Imperador. Porém, negaram-se a cumprir certas ordens que a eles pareciam cruéis. Ao converter-se ao Cristianismo abandonaram toda a violência e preferiram ter de abandonar o exército antes que ser cruéis com os outros. Proclamaram o seu amor a Cristo nesta terra e agora gozam da amizade de Cristo na eternidade.”



Os sepulcros de “Aquiles” e “Nereu”, conservam-se no cemitério da Via Ardeatina.




PANCRÁCIO



Pancrácio [Em latim, Pancratius; grego Άγιος Παγκράtιος; italiano Pancrazio. A palavra é de origem grega e signfica: pan ("todos") + kratos ("força")] nasceu por volta do ano 289-290, numa nobre família frígia e morreu neste dia, 12 de maio de 304, com cerca de 14 anos de idade. Convertido ao Cristianismo, tornou-se mártir ao ser decapitado na Via Aurelia por conta da sua fé, durante o império de Diocleciano.



Tudo o que pode haver de edificante na vida de um jovem, é encontrado na ‘Vida de Pancrácio’, um dos mais gloriosos mártires do século quarto. Contava com apenas 14 anos quando rendeu a alma a Deus, recebendo a palma do martírio e dando-nos um grande exemplo de coragem, personalidade e fé na doutrina de Cristo Salvador.



Filho de pais nobres e ricos, era natural de Symnado, na Frígia. O pai, ocupava altas e honrosas posições no governo de Diocleciano, que muito o estimava e com a sua amizade pessoal o distinguia. Mas, dando preferência à sua fé, seu pai pagou esta fidelidade com o martírio. Pancrácio não conheceu o seu progenitor, tendo sido confiado à guarda de seu tio Dionísio que, apesar de pagão, educou o seu sobrinho, a quem devotava o mais terno amor paternal.



Passados alguns anos, mudou de domicílio, transferindo-se para Roma para proporcionar ao sobrinho a ocasião de relacionar-se com os mais exímios professores e membros da alta sociedade. Nessa ocasião, já ocorriam rumores de que o Imperador Diocleciano tencionava exterminar o Cristianismo, exigindo dos seus súbditos homenagens divinas à sua pessoa.



A pouca distância da vivenda de Dionísio, morava oculto o Papa Marcelino [Marcellinus (250, Roma — 1 de abril de 304, Roma) foi papa de 30 de junho de 296 a 25 de outubro de 304. O seu pontificado coincidiu com a perseguição de Diocleciano. Era papa quando surgiu o primeiro país cristão, a Arménia. Historicamente foi a primeira nação a adotar o Cristianismo como religião de Estado em 301], hóspede de um cristão que era carpinteiro no palácio imperial. Observando a movimentação nesse local de homens e mulheres de todas as classes e investigando as razões, acabou descobrindo que no local havia reuniões secretas de Cristãos devotos à verdadeira doutrina de Cristo. Dionísio, já fortemente inclinado para o Cristianismo, e também Pancrácio, ouvindo muitas boas referências a respeito do Cristianismo, nutriam ardente desejo de serem pessoalmente esclarecidos. Certa noite dirigiram-se ao porteiro, que, desconfiado, relutou em deixá-los entrar, mas confessando eles que queriam conhecer a religião cristã, foram cordialmente recebidos. Durante dias consecutivos ouviram, em reuniões, as explicações da doutrina cristã, até que finalmente foram admitidos no batismo e ao culto divino, nas catacumbas.



Nesse ínterim, o Imperador firma o decreto de perseguição aos Cristãos. Em poucos dias registaram-se não só numerosos casos de prisão de fiéis, mas também os instrumentos de tortura e morte fizeram jorrar o sangue dos Cristãos abundantemente. Dionísio, ao ver tais atrocidades, morreu num caloroso acesso, pois o seu coração sensível não suportou ver o modo cruel como os Cristãos eram tratados. O seu pupilo e muito querido Pancrácio prometeu fidelidade absoluta à fé, embora isso implicasse martírio.



Como Pancrácio era de natureza nobre, houve de se justificar diante do Imperador, pois fora delatado como cristão.



O Imperador, apelando para a sua nobreza, usa de todos os meios a fim de persuadir o jovem menino, tentando convencê-lo de que os Cristãos o haviam enganado e que deveria voltar-se para as suas origens e amar os deuses do Imperador, caso contrário, justificaria com o seu sangue o rigor das leis. Mas, Pancrácio, com o timbre argentino da sua voz juvenil, respondeu: “Imperador, enganas-te em supor que me deixei iludir pelos Cristãos. Só pela misericórdia de Deus cheguei ao conhecimento da Salvação. Sou apenas um menino de 14 anos, mas fica a saber que Nosso Senhor Jesus Cristo reparte as Suas graças não pela escala dos anos, mas segundo a Sua bondade e sabedoria. Ele dá-nos coragem e entendimento, para não ligarmos às ameaças dos Imperadores e para não lhes darmos maior importância do que a um fogo pintado. Exiges de mim, que preste adoração aos deuses e às deusas da tua veneração. Ainda bem, por que eles são...”. A tais palavras, o Imperador considerou-as insultuosas e atrevidas, ordenando a sua imediata decapitação.



À terrível sentença, fez o semblante angélico do jovem cobrir-se de santa alegria e prontamente Pancrácio se pôs à disposição do carrasco. Sem a menor relutância, entregou a sua cabeça ao cutelo do algoz. Antes disso, proclamou: “Graças te dou, ó Jesus, pelo dom da fé e pela honra de me terdes aceitado entre os Teus servos.”



Que exemplo formidável de firmeza cristã, de fidelidade a Deus, de extrema valentia! De contemporâneos do Imperador Dioclesiano, que perpetrou tão dura perseguição aos Cristãos, temos duas histórias que convergem num mesmo sentido. De um lado, Aquiles e Nereu, dois soldados do exército romano que, pela fidelidade a Cristo, abandonaram a farda do exército romano pela perseguição cristã e se abraçaram à cruz de Cristo. De outro lado, um simples menino de nome Pancrácio, com pensamento de menino, corpo de menino, inocência de menino. Mas, com a mesma convicção daqueles valorosos Cristãos, ele testemunhou resolutamente da sua fé já em tenra idade, abraçando com força inexplicável o madeiro da Cruz. Todos glorificados com a coroa do martírio.



Não nos esqueçamos que ainda hoje, pela rosa do Sol, há países onde os Cristãos sofrem restrições, perseguições, torturas e martírios!



Aliás sabemos que assim foi, assim é, e assim será, em todos os tempos, com os Nascidos de Novo! Glória ao Seu Nome!



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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