… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 16 de maio de 2017

16 de maio de 1569 • Dirk Willems queimado na estaca


16 de maio de 1569Dirk Willems queimado na estaca

Dirk Willems resgata o seu perseguidor. Ilustração de Jan Luyken, para o livro “Espelho dos Mártires”, obra de Thieleman J. van Braght, publicado em 1660, em holandês. (Imagem da Wikipédia)
Dirk Willems nasceu em Asperen, Gelderland, na Holanda, no tempo em que a Inquisição Católica estava no auge, em toda a Europa, incluindo no seu país. Ele foi batizado quando era adulto, rejeitando assim o batismo infantil praticado naquela época tanto por católicos como por protestantes estabelecidos nos Países Baixos. Essa ação, além da sua devoção contínua à sua nova fé e do batismo de várias outras pessoas realizado na sua casa, levou à sua condenação pela Igreja Católica Romana e à sua subsequente detenção.



Dirk Willems era um humilde e piedoso servo do Senhor Jesus Cristo que estava na prisão, aguardando a morte na estaca. O crime de que fora acusado era o de ter sido rebatizado nas águas, após ter feito uma confissão de fé no sacrifício de Cristo consumado na cruz, como sendo isto total e suficiente para a salvação da sua alma. Os registos oficiais da cidade declaram que “o prisioneiro, persistindo obstinadamente na sua opinião... deve ser executado pelo fogo, até à morte.”



Dirk Willems estava preso num palácio residencial que fora transformado em prisão. Mas enquanto aguardava o cumprimento da sentença conseguiu escapar usando uma corda feita de panos atados uns nos outros.



Rapidamente os guardas deram por falta dele, e, depois de dado o alarme, o guarda responsável por Dirk Willems foi convocado para que o trouxesse de volta, senão ele pagava a vida do fugitivo com a sua própria vida, pelo que ele rapidamente saiu em perseguição do fugitivo.



Assim que Dirk Willems se achou cá em baixo em liberdade, viu que o fosso estava coberto com uma fina camada de gelo, que a mais leve pena quebraria, mas, recordando, talvez, nesse momento a promessa escrita no livro de Isaías: "Quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos rios, eles não te submergirão" ele, corajoso, avançou.



Enquanto fugia sob a fina superfície do gelo da água do fosso que rodeava a prisão e que estava congelada, de repente Dirk escutou atrás de si, não muito longe, uns estalidos do gelo quebrando-se.



Parou, olhou para trás e viu o seu perseguidor começando a afundar-se nas águas escuras do fosso...



Dirk Willems esperou um momento, dominado por uma profunda luta de consciência. Por fim, resolveu voltar atrás e salvar da morte certa o seu perseguidor. O soldado, em sinal de gratidão pelo gesto heróico do fugitivo, resolveu permitir que ele escapasse, mas Dirk recusou, explicando que a sua fuga significaria a morte do soldado, e, que portanto, ele não deveria fugir. Explicou-lhe que Jesus havia ensinado que “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” Falou ao soldado da salvação dada por Cristo, e, ali mesmo, ele aceitou o dom gratuito de Deus...



Assim, foi Dirk Willems reconduzido para o cárcere, e, depois de várias semanas, chegou este dia, o 16 de maio de 1569, o dia marcado para execução de Dirk, quando ele foi colocado na estaca.



Os registos da época narram que um vento oriental soprava muito forte naquele dia, o que tornou mais lenta a agonia daquele cristão, enquanto o fogo devorava muito lentamente seu o corpo mortal.



Dirk Willems estava atado na fogueira sendo queimado vivo lentamente, mas por causa do vento forte, o fogo foi afastado da parte de cima do seu corpo. Deste modo, ele sofreu terrivelmente, enquanto as chamas lhe queimavam as suas pernas. No povoação próximo de Leerdam, as pessoas escutaram-no exclamar mais de setenta vezes: “Oh, meu Senhor, meu Deus!” Finalmente, o juiz, que comandava o cumprimento desta terrível e injusta sentença de morte, montado no seu cavalo, disse ao verdugo: “Despacha o homem com uma morte rápida.”



Dirk Willems suportou corajosamente este último sofrimento da sua vida, e, de certeza, que na mesma hora, recebeu a coroa da glória eterna.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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