… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

28 de dezembro de 1524 . Johann von Staupitz, Confessor de Lutero

28 de dezembro de 1524  Johann von Staupitz, Confessor de Lutero

Gravura de  Johann von Staupitz, 1889 


Johann von Staupitz foi um teólogo e professor universitário alemão, vigário geral da Ordem Agostiniana na Alemanha e superior de Martinho Lutero durante um período crítico da sua vida. O próprio Lutero destaca: «Se não fosse o Dr. Staupitz, eu ter-me-ia afundado no inferno». Considera-se que Johann von Staupitz teve uma grande influência no pensamento de Lutero e no dos primeiros reformadores, por isso é recordado pela Igreja Luterana em 8 de novembro no seu Calendário de santos.



Johann von Staupitz nasceu cerca de 1460 em Motterwitz no seio de uma família nobre da Saxónia e estudou artes até 1489 em Leipzig e Colónia. Posteriormente, em 1485 entrou na Ordem Agostiniana em Munique e no ano 1500 doutorou-se em Tubinga, onde foi nomeado prior.



Johann von Staupitz encontrou-se com Martinho Lutero pela primeira vez em Erfurt. Lutero era então um jovem frade angustiado com a sua vida espiritual e obcecado com o pecado. Martinho Lutero encontrou em Johann von Staupitz um eficaz confessor. Pelo menos, numa vez, Martinho Lutero confessou-se a Johann von Staupitz durante seis horas! Segundo vários estudiosos, Johann von Staupitz dirigiu muito assertivamente o jovem religioso Lutero para uma vida académica centrada na reflexão em torno da Graça divina e da transubstanciação.



Johann von Staupitz notabilizou-se por amparar espiritualmente Lutero. Quando Martinho lhe confessou que os seus pecados eram grandes demais, Staupitz respondeu-lhe: “Cristo é o perdão de todos os pecados. Ele é um salvador real. Deus enviou o Seu próprio Filho e entregou-O por todos nós”. Lutero afirmou mais tarde que se não fossem os sábios conselhos espirituais de Johann von Staupitz ter-se-ia se entregado ao desespero.



Martinho Lutero descreveu Johann von Staupitz como seu “pai em Deus” e certa vez disse: “Se não fosse o Dr. Staupitz eu ter-me-ia afundado no inferno.” Isso porque quando Martinho Lutero na sua angústia espiritual se interrogava “Quem pode amar um Deus irado que julga e condena?” e nada lhe trazia paz, apesar de todas as suas intercessões, o principal auxílio e conforto no meio dessas angústias e provações (anfechtungen, em alemão) veio do seu Superior Johann von Staupitz, que lhe recomendou que olhasse para as chagas de Cristo, pois ali está o amor de Deus.



Em 1503 Von Staupitz foi eleito vigário geral da Ordem Agostiniana da Alemanha e decano da Faculdade de Teologia da Universidade de Wittenberg, para onde tinha sido chamado pelo príncipe Federico, o Sábio, com o objetivo de organizar a nascente universidade, fundada no ano anterior. Aí destaca-se pelo seu ensino baseado na Bíblia.



Johann von Staupitz foi o guia espiritual de Lutero. E quando estava em Wittenberg encoraja Lutero a obter um doutoramento em teologia e posteriormente nomeia-o como seu sucessor na cátedra do ensino de Bíblia. Durante as primeiras lutas de Lutero para compreender a graça de Deus, foi Staupitz quem o aconselhou a concentrar-se em Cristo, e não em si mesmo.



Johann von Staupitz recomenda que Lutero se torne pregador, a fim de que, confortando a outros, ele próprio seja confortado; como acima referi, também estimula Lutero a obter o doutoramento em teologia e a assumir a cadeira do ensino da Bíblia na Universidade de Wittenberg. Diante de tamanha responsabilidade, Lutero sente-se incapaz e alega que tanto trabalho acabaria por matá-lo, ao que Staupitz teria respondido: “Não te preocupes com isso, Deus tem bastante trabalho no Céu para os homens inteligentes.”



Em 1510, Johann von Staupitz envia Martinho Lutero a Roma para tratar de assuntos da Ordem Agostiniana, na Alemanha. Nessa vagem o jovem e ardente Padre Matinho Lutero viria a sentir-se chocado com a frivolidade espiritual que encontra na cúria romana.



Em 1512 Johann von Staupitz renuncia ao seu lugar de professor e muda-se para o sul da Alemanha, deixando o seu vigário geral da Ordem Agostiniana oficialmente em 1520. Dois anos depois abandonou a ordem para se unir aos beneditinos e ser abade de São Pedro em Salzburgo.



Em 1518, depois de Lutero ser condenado como herege, Johann von Staupitz foi nomeado “promagister” da Ordem Agostiniana para discutir com o Lutero o assunto das indulgências em pormenor. Johann von Staupitz tem sido considerado frequentemente um precursor de Lutero que quis purificar com as suas críticas a Igreja Católica no seu interior. Finalmente Johann von Staupitz permitiu a saída do Lutero da Ordem Agostiniana, preservando assim o bom nome da mesma enquanto discretamente se unia a alguns dos protestos do Lutero. Esta situação ambígua provocou que em 1520 o Papa Leão X exigisse uma abjuração total da heresia por parte Johann von Staupitz. Este negou-se a abjurar do que quer que fosse, pois replicou que nunca tinha afirmado em público estar de acordo com os postulados reformistas, já que reconhecia, sem paliativos a autoridade do Santo Pontífice como juiz e superior.



Lutero considera então o seu antigo professor como um traidor ao espírito da Reforma protestante. Numa carta de 1524, Johann von Staupitz deixou claro a Lutero que não estava satisfeito com a direção que a Reforma tinha tomado.



Johann von Staupitz escreveu vários livros teológicos sobre a predestinação, a fé e o amor. Em 1559 Papa Paulo IV incluiu todas suas obras no Index Librorum Prohibitorum.



O pensamento de Johann von Staupitz inclui-se na corrente chamada «evangelismo» ou «paulinismo»



O “versículo lema” de Johann von Staupitz era o Salmo “Sou teu, salva-me” (Sl 119:94), um texto que ele compartilhou com Martinho Lutero quando o jovem monge estava aflito pela graça de Deus.



Johann von Staupitz sofre um ataque de apoplexia, o que lhe causou a morte neste dia, 28 de dezembro de 1524, em Salzburgo, na Alemanha.



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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha



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