… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10 de janeiro



William MacDonald
Um dia de cada vez
10 de janeiro

“Corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta.” (Hb 12:1, ARC, Pt)


São muitos os que têm uma ideia excessivamente idealista da vida cristã. Supõem que esta deve ser uma série ininterrupta de experiências sublimes. Lêem livros e revistas cristãs, escutam testemunhos de sucessos dramáticos e tiram a conclusão de que isto é tudo na vida. No mundo dos seus sonhos, não há problemas, angústias, provas e perplexidades. Não há que trabalhar duro, não há rotina diária nem monotonia. Trata-se do “sétimo céu.” Quando se dão conta de que a sua vida não encaixa neste modelo, sentem-se desanimados, desiludidos e em desvantagem.



Todavia, estes são os factos verdadeiros. A maior parte da vida cristã é o que G. Campbell Morgan [i] chama: “o caminho da perseverança laboriosa fazendo coisas aparentemente pequenas.” Assim é como a vejo: depois de entregar-se a muitas tarefas insignificantes, a longas horas de estudo disciplinado e ao serviço diligente sem resultados aparentes, perguntamo-nos desconcertados, “Estou realmente obtendo algo?” É então quando o Senhor nos faz chegar alguma sinal de estímulo, alguma resposta maravilhosa à oração, alguma palavra clara que nos indica o caminho. Sentimo-nos fortalecidos e reatamos a marcha para chegar um pouco mais à frente.



A vida cristã é uma carreira de longa distância, não de 100 metros planos, e necessitamos de resistência para a correr. É importante começar bem, mas o que realmente conta é a resistência que nos capacita para terminá-la cobertos de glória.



Henoch terá sempre um lugar de honra nos anais da paciência. Caminhou com Deus —pensemos nisto— por 300 anos (Gn 5:22, ARC, Pt). Mas não pensemos que aqueles foram anos de puro brilho ou de emoção ininterrupta. Num mundo como o nosso, era inevitável ter a sua porção de padecimentos, de perplexidades e até de perseguições. Mas Henoch não se cansou de fazer o bem. Resistiu até ao fim.



Se alguma vez te sentires tentado a retroceder, recorda as palavras de Hb 10:36 (ARC, Pt) que diz: “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”



Uma vida nobre não é um resplendor  

De glória repentina já ganha,

Mas, o somar de dia em dia

Nos quais a vontade de Deus é efetuada.




[i] George Campbell Morgan nasceu em 9 de dezembro de 1863, numa granja de Tetbury, Gloucestershire, Inglaterra. Foi filho de um piedoso ministro baptista de tradição puritana. Na sua casa transudava verdadeira piedade.



Morgan foi um menino doentio, incapaz de assistir à escola, por isso teve de ser ensinado em casa. O resultado foi uma sólida inclinação pelo estudo que levou durante toda a sua vida. Encerrado em casa por lomgos períodos, estava acostumado a entreter-se pregando às bonecas das suas irmãs.



Quando Morgan tinha 10 anos de idade, o evangelista norte-americano D. L. Moody foi pela primeira vez a Inglaterra, e o efeito do seu ministério, conjuntamente com a dedicação dos seus pais, deixou tal impressão na vida do jovem Morgan, que aos 13 anos pregou o seu primeiro sermão. Dois anos depois, ele já pregava regularmente em capelas rurais aos domingos e feriados.



Entretanto, aos 19 anos, a sua mente foi apanhada pelas teorias do materialismo. Estudou filosofia, e quanto mais lia, mais preocupado se tornava. Deixou a sua Bíblia fechada durante dois anos, no que ele chamou o «eclipse» da sua fé. Quando chegou aos 21 anos, estava cheio de dúvidas. Então, guardou à chave os seus livros filosóficos num armário, comprou uma nova Bíblia e leu-a de principio a fim. Recordando esses anos caóticos, Morgan escreveu depois: «A única esperança para mim foi a Bíblia... Deixei de ler livros sobre a Bíblia e comecei a ler a própria Bíblia. Ali vi a luz e fui devolvido ao caminho». Durante os sete anos seguintes, ele leu só a Bíblia, num total, de mais de 50 vezes.



Entre 1883 e 1886, ele ensinou em uma escola judia em Birmingham, de cujo director, um rabino, aprendeu a valorizar a herança de Israel.



Morgan trabalhou com D. L. Moody e Sankey no seu percurso evangelístico pela Grã-Bretanha em 1883. Em 1886, aos 23 anos, deixou a sua profissão de professor, e consagrou-se a tempo integral ao ministério da Palavra. Logo a sua reputação como pregador e expositor da Bíblia abrangeu a Inglaterra e estendeu-se aos Estados Unidos. Foi ordenado como ministro congregacional em 1890, tendo sido recusado dois anos antes pelo Exército de Salvação e pelos metodistas wesleyanos, no seu sermão de prova. Esta parece ser a sorte de muitos homens de Deus, ser reprovados pelos homens, para ser vindicados depois pelo próprio Deus!



Em 1896, D. L. Moody convidou-o a dar uma conferência aos estudantes do Instituto Bíblico Moody, nos Estados Unidos. Esta foi a primeira das suas 54 travessias pelo Atlântico para ministrar a Palavra. Depois da morte do Moody em 1899, Morgan assumiu o cargo de director da Conferência Bíblica do Northfield, que aquele tinha dirigido por muitos anos. Os milhares de convertidos pelo ministério do Moody necessitavam de um professor da Bíblia para fortalecer e aprofundar a sua fé. Campbell Morgan chegou a ser esse professor.



O método do Morgan era orar, frequentemente brevemente, e logo estudar a própria Escritura –tomando-a no seu pleno contexto– antes de iniciar os comentários. Ele nunca usou a pluma para fazer qualquer anotação sobre algum dos livros da Bíblia antes de lê-lo pelo menos 50 vezes. Isto dava ao seu trabalho uma extraordinária frescura e inspiração. Ele rara vez citava outros comentadores da Bíblia, nem dependia da luz que outros receberam. As suas exposições bíblicas até hoje resultam tão motivadoras e inspiradoras, que não podemos senão ser maravilhados pela luz que Morgan recebeu da Palavra.



Em 1904, Campbell Morgan assumiu a direcção da congregação da famosa Capela de Westminster, conhecida como «o bastião do não-conformismo» em Londres. A congregação estava estagnada por esse tempo, e tinha saudades dos velhos e dourados tempos do Samuel Martin, o qual a tinha pastoreado entre os anos de 1842 e 1878. O profundo conhecimento bíblico, e a presença imponente de Campbell Morgan, além da sua muito correcta dicção, fizeram-no muito em breve conhecido. A Capela de Westminster reviveu. Logo instituiu uma escola bíblica nocturna às sextas-feiras, que mais tarde chegou a ser a Escola de Teologia da Capela de Westminster.



Pouco depois, Morgan estabeleceu a Conferência Bíblica Mundesley, uma versão inglesa da Northfield de Moody, que reunia anualmente eminentes ministros e obreiros cristãos de várias correntes denominacionales e países. Mundesley chegou a ser uma parte vital da Capela do Westminster.



Depois de um longo pastorado, retirou-se em 1916, devido a uma debilitadora enfermidade, convertendo-se logo num pregador itinerante. Em 1919 e 1932 realizou muitíssimas campanhas evangelísticas e de pregação pelos Estados Unidos. Muitos milhares de pessoas ouviram-no pregar em quase cada estado e também no Canadá. Durante um ano (1927-1928) serve na faculdade do Instituto Bíblico de Los Angeles, e durante um ano (1930-1931) foi expositor da Bíblia na Universidade de Gordon de Teologia e Missões, em Boston. Entre 1929 e 1932 foi pastor da Igreja do Tabernáculo Presbiteriano em Filadelfia, Pennsylvania, Estados Unidos .



O encanto de Morgan era assombroso. Frequentemente quando ele pregava, as multidões eram tão grandes que era necessário o controle policial.



F. B. Meyer conta que certa vez ele compartilhou o púlpito com Campbell Morgan na Conferência do Northfield, e que o povo chegava em turba para escutar as brilhantes exposições deste sobre as Escrituras. Meyer confessaria depois que ao princípio teve inveja, mas logo encontrou um maravilhoso remédio: «A única maneira pela qual eu pude conquistar as minhas emoções foi orando pelo Morgan em cada dia».



Mais tarde, em 1933, Morgan haveria de reassumir o pastorado do Westminster até ao ano 1943. A sua vida terrestre de testemunho e serviço concluiu-se em maio de 1945.



Campbell Morgan foi, durante toda a sua vida, fiel à sua vocação: «Só há uma coisa que quero fazer e não posso evitá-lo: pregar», estava acostumado a dizer. Expositivo nos seus sermões, sempre se ateu ao texto bíblico e a ele apelou em primeira e última instância.



Foi, além disso, um prolífico autor de livros profundos, folhetos, tratados e artigos. Entre os seus livros publicados em inglês destacam-se: «As Parábolas do Reino», os onze volumes do «Púlpito de Westminster», «A Bíblia analisada», em dez volumes, e «Uma Exposição Completa da Bíblia».



Em castelhanho publicaram-se: «Princípios básicos da vida cristã», «Profetas menores», «O discipulado cristão», «Os ensinos de Cristo», «O Espírito de Deus», «Evangelismo»; «O ministério da pregação», «Pedro e a Igreja», «A perfeita vontade de Deus», «O plano de Deus para as idades», «Princípios básicos da vida cristã», «Os triunfos da fé», e «A última mensagem de Deus ao homem», pela editorial CLIE, da Espanha; e «As cartas de nosso Senhor», «Jesus responde a Job», «O coração de Deus: Oseas», «Grandes capítulos da Bíblia» (dois volumes), «Defraudaram-me!: Malaquias», «As Crises de Cristo» (dois volumes), pela Editorial Hebron, da Argentina.



Ainda que não se possa atribuir a G. Campbell Morgan a abertura de grandes verdades bíblicas, como fizeram outros grandes servos de Deus, ele expôs a Bíblia com luz fresca e com uma expressão muito peculiar.



Graças à sua inspiradora e vigorosa pregação, Morgan atraiu a milhares  amar a Bíblia através das suas mensagens, e os seus livros de reflexões bíblicas são populares entre os buscadores do Senhor ainda nos nossos dias. Os escritos de Campbell Morgan têm uma profunda visão, são únicos e incomparáveis em expressividade. O Senhor Jesus deu-lhe uma graça para trazer o povo de Deus à comunhão com Ele, sendo nutrido e iluminado através de um conhecimento espiritual da Bíblia.


http://inp-biografias.blogspot.com/2009/01/george-campbell-morgan.html


Notas e Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: