… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

16 de janeiro

William MacDonald
Um dia de cada vez
16 de janeiro

“E veio a palavra do SENHOR segunda vez a Jonas [i].” (Jn 3:1, ACF, Pt)

Aqui temos uma mensagem que resplandece como esperança e promessa: Deus não despreza o homem que fracassa.



A Bíblia descreve os fracassos de David com cru realismo. Quando os lemos, sentamo-nos no pó junto dele e ardemos de vergonha. Porém, David sabia como entrar na presença do Senhor e arrepender-se de todo o coração. Deus tinha ainda planos para David. Perdoou-o, e restaurou-o para uma vida frutífera.



Jonas fracassou quando devia responder à chamada missionário de Deus e acabou no ventre de um enorme peixe. Dentro daquele animado submarino aprendeu a obedecer. Quando Deus o chamou pela segunda vez, imediatamente se pôs a caminho de Nínive, pregou o juízo iminente, e viu toda a cidade submergida no mais profundo arrependimento.



João Marcos teve um brilhante começo com Paulo e Bernabé, mas depois escapuliu-se e voltou para sua casa. Todavia, Deus não o abandonou. Mais tarde, Marcos voltou para a batalha, recuperou a confiança de Paulo, e foi incumbido de escrever o “Evangelho do Servo Infalível.[ii]



Pedro decepcionou o Senhor, apesar de ter prometido ser fiel até à morte. Qualquer pessoa o daria por perdido argumentando que um pássaro com a asa quebrada nunca mais poderia voar tão alto. Mas Deus não o excluiu e Pedro voou a alturas inesperadas. No Pentecostes abriu as portas do reino a mais de três mil pessoas. Trabalhou incansavelmente e sofreu várias vezes às mãos dos seus perseguidores. Escreveu as duas Epístolas que levam o seu nome e finalmente coroou com o martírio uma vida gloriosa de serviço.



Assim quando se trata do serviço, Deus é o Deus da segunda oportunidade. Não nos despreza quando vê que fracassamos. Sempre que encontra um coração contrito e humilhado, inclina-Se para levantar a cabeça do Seu soldado cansado.



Todavia, isto não deve tomar-se como pretexto para aprovar o pecado ou o fracasso. A amargura e o remorso que resultam de decepcionar o Senhor são um freio suficiente.



Tampouco quer dizer que Deus dá ao pecador não arrependido uma segunda oportunidade depois desta vida. Com a morte sobrevém um fim terrível e definitivo. Para o homem que morre nos seus pecados a espantosa sentença é: “No lugar em que a árvore cair, ali ficará.” (Ec 11:3)





Notas do Tradutor:

[i] Jonas (do hebraico יוֹנָה [yõnãh], pelo latim Ionas) foi um profeta israelita da Tribo de Zebulon, filho de Amitai (2Rs 14:25 e Jn 1:1), natural de Gathe-hether (2Rs 14:25). 
Profetizou em 825 A. C. durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel.
Escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome (Mt 12:39-41; 16:4; Lc 11:29-32).
Jonas é comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital da Assíria. A sua missão era admoestar os assírios que devido à sua crueldade e ao muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira Divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias. Os assírios eram famosos, por exemplo, por decapitar os povos vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam vivos. Temendo pela sua vida, Jonas foge para Társis, no S. E. da Península Ibérica (na moderna região da Andaluzia). Situa-se a aproximadamente 3500 km do porto de Jope (a moderna Tel Aviv-Yafo).
Segundo o relato bíblico, durante a viagem acontece um violenta tempestade. Esta só acaba quando Jonas é lançado ao mar. Ele é engolido por um “grande peixe [em grego κῆτος ]” (Jonas 1:17) e no seu estômago, passa três dias e três noites. Sentindo como se estivesse sepultado, nesta situação arrependido reconsidera a sua decisão. Tendo se arrependido, é vomitado pelo “grande peixe” numa praia e segue rumo para Nínive.
Segundo o livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades, teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas mostra-se desgostoso pela não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso. Cerca de cem anos depois, Naúm, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa que Nínive será destruída.
[ii] O livro ‘O Santo Evangelho Segundo S. Marcos’.

Notas e Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: