… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2 de janeiro



William MacDonald
Um dia de cada vez
2 de janeiro
“Mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” (Fl 2:3b, ARC, Pt)

Considerar os outros mais do que a nós próprios não é natural; a natureza humana caída rebela-se ante um golpe tão duro ao seu ego. É humanamente impossível; não temos o poder em nós mesmos para viver uma vida tão separada do mundo. Mas, é divinamente possível; o Espírito Santo que habita em nós capacita-nos para negarmos ao «eu», a fim de que outros possam ser honrados.



Gedeão[i] ilustra o texto que estamos a considerar. Depois dos seus trezentos homens terem derrotado os midianitas, chamou os homens de Efraim[ii] para dar o golpe final. Cortaram a rota de escape e capturaram dois príncipes midianitas. Mas, queixaram-se de que não os tivessem chamado no começo da batalha. Gedeão respondeu que o rebusco das uvas de Efraim era melhor que a vindima de Abiezer (Jz 8:2[iii]), isto é, a operação de limpeza conduzida pelos homens de Efraim, resultou ser mais notável do que toda a campanha dirigida por Gedeão. Este espírito de desprendimento apaziguou os de Efraim.



Joab[iv] mostrou uma grande generosidade quando capturou Raba e logo chamou a David para que viesse e administrasse a taça de graça (2Sm 12:26-28[v]). Joab ficou muito satisfeito com que David levasse o renome da vitória. Este foi um dos momentos mais nobres na vida de Joab.



O apóstolo Paulo considerava os Filipenses como superiores a ele próprio. Manifestou que o que estavam fazendo era um sacrifício significativo para Deus, enquanto que ele não era nada mais que uma libação derramada sobre o sacrifício e serviço da sua fé (Fl 2:17[vi]).



Em tempos mais recentes, um amado servo de Cristo estava aguardando numa sala de espera a sua vez com outros distintos pregadores, o momento de subir à plataforma. Quando finalmente apareceu, uma estrondosa ovação teve lugar, mas rapidamente se pôs de lado para que aqueles que o seguiam recebessem o aplauso.



O exemplo supremo de auto negação é o Senhor Jesus, o qual se humilhou a Si mesmo para que nós pudéssemos ser exaltados. Fez-Se pobre para que fôssemos enriquecidos. Morreu para que pudéssemos viver.



“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” (Fl 2:5, ARC, Pt)






[i] Quinto juiz de Israel, membro da tribo do Manassés e filho de Joás (Jz 6:11,15). Quando Israel gemia sob o jugo de Midian, o anjo de Jeová apareceu a Gedeão e chamou-o para libertar o seu povo (Jz 6:11-24). Deu-lhe um sinal de fogo que consumiu a comida que Gedeão tinha preparado. Gedeão edificou um altar e chamou-o Jehová-salom (Jehová é paz). Logo derrubou o altar de Baal e a imagem de Asera que seu pai tinha feito e levantou em seu lugar um altar a Deus. Ante a consequente ira dos habitantes da povoação, o pai de Gedeão defendeu o filho, dizendo: “Contendereis vós por Baal? Se é um deus, por si mesmo contenda com o que derrubou o seu altar”. Assim Gedeão recebeu o nome “Jerubaal” (Jz 6: 31, 32).


Deus voltou a confirmar a chamada de Gedeão pelo sinal do velo de lã (Jz 6:36-40). Gedeão reuniu um exército de trinta e dois mil soldados, mas Deus instou-o a reduzi-lo para trezentos. Deu-lhes buzinas, cântaros vazios e tochas. Gedeão sentiu-se fortalecido ao ouvir dizer a um midianita que tinha sonhado com a derrota de Midian. O ataque dos trezentos surpreendeu os midianitas, e Gedeão obteve uma vitória esmagadora.


Israel quis logo elevar Gedeão ao cargo de soberano. Gedeão recusou a honra e insistiu em que se mantivesse a teocracia (Jz 8.23). Entretanto, cometeu um grave erro ao pedir ao povo uma parte do despojo para fazer um éfod de ouro atrás do qual se prostituiu Israel (Jz 8:26, 27). Gedeão teve muitas mulheres e setenta e um filhos, incluindo a Abimelech, quem causou grandes males depois. Morreu em “boa velhice” (8:32), e pelas suas qualidades de liderança e humildade mereceu ser mencionado entre os heróis da fé (Hb 11:32).


[ii] Segundo a Bíblia, Efraim foi o segundo filho de José, nascido no Egipto (Gn 41:52). Quando foi levado à presença do patriarca Jacob com Manassés, Jacob pôs a sua mão direita sobre ele. Quis José mudar as posições dos seus dois filhos, mas Jacob recusou (Gn 48:8-20).

A Tribo de Efraim (em hebraico: אֶפְרַיִם ou אֶפְרָיִם, transl. Efráyim, ʾEp̄ráyim ou ʾEp̄rāyim, "dupla fecundida") foi uma das Tribos de Israel. Juntamente com a Tribo de Manassés, formou a Casa de José. No seu auge, o território ocupado pela tribo estava no centro de Canaan, a oeste da actual Jordânia, a sul do território de Manassés, e a norte da Tribo de Benjamim; a região que foi chamada posteriormente de Samária (para a distinguir da Judeia e da Galileia) consistia na sua maior parte do território da Tribo de Efraim. A área era montanhosa, o que lhe dava protecção, porém também era extremamente fértil, o que lhe trouxe prosperidade, (Oseas, 9:13; Génesis, 49:22; Deuteronómio, 33:13-16 e  Isaías, 28:1) e continha os centros mais antigos da religião israelita - Shechem e Shiloh. (Jewish Encyclopedia) Estes factores contribuíram para fazer de Efraim a mais dominante das tribos do Reino de Israel, e levou o nome Efraim a se tornar um sinónimo de todo o reino. (Jewish Encyclopedia)
[iii] “Porém ele lhes disse: Que mais fiz eu agora do que vós? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?”(Jz 8:2, ARC, Pt)

[iv] Joab = «Jehová seu pai».

Filho de Zeruia, irmã de David, e irmão de Abisai e Asael, chefe do exército de David durante quase todo o reinado deste (2Sm 2:13, 28; 10:7; 1Rs 11:15; 1Cr. 27:34).

Joab foi um valente guerreiro e deu amostras de ser um hábil general, que contribuiu grandemente para o estabelecimento da monarquia, mas o seu carácter era uma estranha mescla. Além dos seus actos pessoais de violência, e do seu oportunismo, podemos ver a sua crueldade na forma como rapidamente aceitou e levou a cabo o plano de David para fazer matar Urias (2Sm 11:6–26). Mas também podia ser magnânimo, como quando permitiu que David toma-se a glória pela captura de Raba de Amon (2Sm 12:26-31). Possivelmente mais notável e surpreendente é o facto de que tratou dissuadir David de levar a cabo o censo que este tinha projectado (2Sm 24:2-4).

Foi um estadista sagaz, e a sua grande influência nos negócios públicos foi frequentemente exercida a bem da nação, como na rebelião de Absalão, e possivelmente mais notável e surpreendente é o facto de que tratou dissuadir David de levar a cabo o censo que este tinha projectado (2 Sm 24.2–4).

Mas, como homem, era altivo, vingativo e imprudente, o qual o corrobora a morte que traiçoeiramente deu ao seu rival Abner e ao seu primo Amassa (2Sm 3:27; 20:9, 10), a sua conduta para com David (2Sm 3:39; 19:5) e a sua conivência com este no assunto de Urias; o ter dado a morte a Absalão e conspirado com Adonias contra o herdeiro designado por Deus para o trono (Salomão); motivos pelos quais foi por fim condenado à morte por Salomão e executado ao lado do altar (1Rs 2:34) por volta do ano 1013 a. C.

[v] “Ora pelejou Joab contra Raba, dos filhos de Amon, e tomou a cidade real. Então mandou Joab mensageiros a David, e disse: Pelejei contra Raba, e também tomei a cidade das águas. Ajunta, pois, agora o restante do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que tomando eu a cidade, não se aclame sobre ela o meu nome.” (2Sm 12:26-28, ARC, Pt)

[vi] “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.” (Fl 2:17, ARC, Pt)



Notas e Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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