… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20 de janeiro de 1669 • Susanna Wesley, uma Mãe piedosa


20 de janeiro de 1669 Susanna Wesley, 
uma Mãe piedosa

Susanna Annesley nasce neste dia, 20 de janeiro de 1669, uma quarta-feira. Susanna Wesley, nasceu Susanna Annesley, pois era a filha mais velha do Dr. Samuel Annesley e de Mary White.



Susana Wesley foi a mais velha de vinte e cinco irmãos e a mãe de dezanove filhos, entre os quais estão os mais conhecidos, John e Charles Wesley. John, o seu décimo quinto filho, fundador do Metodismo, nasceu em Epworth, na Inglaterra, na mesma cidade onde também nasceria Charles, o seu décimo oitavo filho, grande poeta cristão. Susana Wesley foi uma mãe que combinou maravilhosamente a disciplina e a piedade. Ela suportou privações, mas nunca se desviou da fé cristã e isso passou para os seus filhos.



O lar de Susana Wesley em Epworth era um lar cristão quase perfeito, e foi aqui, na sua “igreja doméstica”, que ela plantou a primeira semente do Cristianismo e a manteve viva através de seus atentos cuidados na sua imensa prole. Os seus filhos nunca se esqueceram dos cultos que a sua mãe conduzia na sua casa aos domingos, à noite. Ao princípio estes eram realizados na sua ampla cozinha, mas depois, com o aumento da participação dos seus filhos, a pequena reunião estendia-se por toda a casa e também pelo celeiro.



Poucas mulheres na história possuiriam a sensibilidade espiritual, o vigor e a sabedoria de Susana Wesley.



A educação espiritual que Susana Wesley deu aos seus filhos é mencionada numa carta que ela escreveu ao seu filho mais velho, Samuel, o qual também chegou a ser pregador: “Considera bem que a separação do mundo, a pureza, a devoção e a virtude exemplares são requeridas naqueles que devem guiar outros à glória. Eu aconselharia a que organizasses os teus quefazeres seguindo um método estabelecido, por meio do qual aprenderás a optimizar cada momento precioso. Começa e termina o dia com Aquele que é o Alfa e o Ómega, e se realmente experimentas o que é amar a Deus, redimirás todo o tempo que possas para o Seu serviço mais imediato. Começa a atuar sobre este princípio e não vivas como o resto dos homens, que passam pelo mundo como palhas sobre um rio, que são levados pela corrente ou dirigidas pelo vento. Recebe uma impressão na tua mente tão profunda quanto possível da constante presença do Deus grande e santo. Ele está ao redor dos nossos leitos e das nossas trajetórias e observa todos os nossos caminhos. Sempre que fores tentado a cometer algum pecado, ou a omitir algum dever, pára e diz a ti mesmo: “O que estou eu para fazer? Deus está a ver-me!”



Ela praticava o que pregava aos seus filhos. Embora tendo dado à luz dezanove filhos entre 1690 e 1709, e era uma mulher por natureza frágil e ocupada com os muitos cuidados da sua família, ela apartava duas horas em cada dia para a sua devoção pessoal e particular, a sós com Deus. Susana tomou esta decisão quando já tinha nove filhos. Não importava o que ocorresse, ao soar o relógio ela apartava-se para a sua comunhão espiritual. Na sua biografia “Susana Wesley, a mãe do metodismo”, Mabel Brailsford comenta: “Quando nos perguntamos como vinte e quatro horas podiam conter todas as actividades normais que ela, uma frágil mulher de trinta anos, era capaz de realizar, a resposta pode ser achada nessas duas horas de retiro diário, quando ela obtinha de Deus, na quietude de seu quarto, paz, paciência e um valor incansável.”



As provas que Susana suportou poderiam havê-la esmagado. Somente nove de seus dezanove filhos sobreviveram até à vida adulta. Samuel, o seu primogénito, não falou até aos cinco anos. Durante aqueles anos ela chamava-lhe “Filho das minhas provas”, e orava por ele noite e dia. Outro filho dos seus filhos asfixiou-se enquanto dormia. Aquele pequeno corpo foi-lhe trazido sem nenhuma palavra que a preparasse para enfrentar o que tinha acontecido. Os seus gémeos morreram, assim como a sua primeira filha, Susana. Entre 1697 e 1701 cinco dos seus bebés morreram. Uma das suas filhas ficou deformada para sempre, devido ao descuido de uma empregada. Alguns dos seus filhos tiveram varíola.



Outras dificuldades a perseguiram. As dívidas cresciam e o crédito da família esgotava-se. O seu marido, que nunca foi um homem prático, não conseguia viver dentro do orçamento da sua família, e se não tivesse sido pela diligência da sua esposa, com frequência não teriam tido alimento.



Do ponto de vista puramente material, a história da Susana foi de uma miséria pouco comum, de privações e um fracasso. Espiritualmente, por outro lado, foi uma vida de riquezas verdadeiras, glória e vitória, pois ela nunca perdeu os seus altos ideais, nem a sua fé sublime. Durante uma dura prova, ela foi ao seu quarto e escreveu: “Ainda que o homem nasça para o infortúnio, eu ainda creio que têm de ser raros os homens sobre a Terra, considerando todo o transcurso da sua vida, que não tenham recebido mais misericórdia do que aflições e muitos mais prazeres do que dor. Todos os meus sofrimentos, pelo cuidado do Deus omnipotente, cooperaram para promover o meu bem espiritual e eterno ... Glórias Te sejam dadas, oh Senhor!”



Na sua escola doméstica, seis horas por dia, durante vinte anos, ela ensinou os seus filhos de maneira tão ampla que eles chegaram a ser muito cultos. Não houve nenhum deles a quem esta mãe estremosa não tivesse depositado a paixão pelo saber e pela retidão.



Certa vez, quando o seu marido lhe perguntou exasperado: “Por que é que estás para aí ensinando esta mesma lição pela vigésima vez a esse moço medíocre?” ela respondeu-lhe calmamente: “Se me tivesse satisfeito ensinando-a dezanove vezes, todo o esforço teria sido em vão. Foi a vigésima vez a que coroou todo o trabalho.”



Sendo já um homem famoso, o seu filho John rogou-lhe que escrevesse algo sobre a criação de filhos, no que ela consentiu com relutância: “Ninguém pode seguir o meu método, se não renunciar ao mundo no sentido mais literal. Há poucos, se é que os há, que consagrariam perto de vinte anos do primor da sua vida com a esperança de salvar as almas dos seus filhos.”



Ela começava a ensinar os seus filhos assim que eles nasciam, para um método de vida bastante rigoroso. Desde o nascimento ela começava-lhes também a treinar as suas vontades, fazendo-lhes entender que eles deveriam obedecer aos seus pais. Eles eram ensinados, do mesmo modo, a chorar devagar, e a beber e comer só o que lhes era dado. Comer e beber entre as refeições não lhes era permitido, a não ser que estivessem doentes. Às seis da tarde, logo que as orações familiares tivessem terminado, eles jantavam. Às oito iam para a cama e deviam dormir imediatamente. “Não era permitido na nossa casa”, informa um dos seus filhos “sentar-se perto do filho até que ele adormecesse.” O grande alarido que muitos dos nossos filhos fazem habitualmente em nossas casas raramente era ouvido em casa dos Wesley. Risadas e jogos, pelo contrário, eram os sons habituais.



O bem-estar espiritual dos seus filhos interessava muito a Susana. Ela inculcou-lhes uma estima pelas coisas do Espírito e levou por diante este ensino até aos seus anos de maturidade. Inclusive sendo maior, o seu filho John vinha à sua piedosa mãe em busca de conselho. Não só para os Cristãos Metodistas, mas também para toda a humanidade e em especial para os Cristãos, Susana Wesley deu à fé uma nova liberdade, um novo brilho à religião prática e uma nova intimidade com Deus.



Não é de admirar que esta Mãe que tão frequentemente orava “dá-me graça, oh Senhor, para ser uma Cristã verdadeira”, produzisse filhos Cristãos, como John Wesley. Ela orava: “Ajuda-me, Senhor, a recordar que a religião não é o estar confinada a uma igreja ou num quarto, nem é o exercitarmo-nos somente em oração e meditação, mas é o estar sempre na Tua presença.”



Em outubro de 1735, os seus filhos John e Charles Wesley foram aos Estados Unidos (na altura colónia britânica) como missionários para os índios e para os colonizadores britânicos. Ao despedir-se dela, John expressou-lhe a sua preocupação em deixá-la, sendo ela já viúva. Ao que ela respondeu: “Se tivesse vinte filhos, alegrar-me-ia que todos eles estivessem assim ocupados, ainda que nunca mais os voltasse a ver.”



Ao regressar a Inglaterra, depois da fracassada experiência missionária americana, John reassumiu as suas pregações por todo o país. Anos depois, Susana teve o imenso regozijo de ouvi-lo pregar noite após noite, ao ar livre, a uma audiência que cobria toda a região de Epworth. Ele seguia o exemplo de sua Mãe pois ele lembrava-se das reuniões que a sua Mãe realizava no seu lar, em Epworth, quando a ouvia pregar nas noites de domingo para cerca de duzentos vizinhos que se aglomeravam na casa pastoral.



Quando os Metodistas alcançaram pleno vigor, a vida da Susana chegou ao seu fim. Num domingo de julho de 1742, enquanto John pregava em Bristol, foi avisado de que sua mãe estava doente, e ele regressou à pressa para a visitar. Na sexta-feira seguinte, ela despertou da sua sonolência para exclamar: “Meu querido Salvador, estás a vir para socorrer-me nos últimos momentos da minha vida!”



Uns dias mais tarde, quando os filhos estavam ao redor do seu leito de morte, ela disse-lhes: “Filhos, assim que eu tenha sido transladada, cantai um salmo de louvor a Deus.” Ela faleceria em 23 de julho de 1742 no lugar onde a primeira Capela Metodista foi aberta e foi sepultada no cemitério, no lado oposto, onde trinta e cinco anos mais tarde o seu filho John construiria a sua famosa capela. Numa certa ocasião, John disse sobre o funeral de sua Mãe: “Foi uma das reuniões mais solenes que eu vi, ou espero ver, neste lado da eternidade.”

****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: