… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 7 de janeiro de 2017

7 de janeiro

William MacDonald
Um dia de cada vez
7 de janeiro
“Por fé andamos, não por vista.” (2Co 5:7, ARC. Pt)

Já alguma vez te detiveste a interrogar-te por que é que um jogo de futebol é mais excitante para a maioria das pessoas do que uma reunião de oração? Todavia, se compararmos os registos de assistência, veremos que é assim.



Poderíamos perguntar: “Por que é a presidência do governo é mais atractiva do que o pastoreio de ovelhas numa assembleia?” Os pais não dizem aos seus filhos: “Come a sopa do prato e um dia serás pastor!” Não, pelo contrário, dizem-lhes: “Limpa o prato e um dia serás presidente!”



Por que é mais atractiva uma bem sucedida carreira de negócios do que a vida de um missionário? Frequentemente, os cristãos desalentam os seus filhos para que não vão para o campo missionário, e contentam-se vendo-os como crescem para serem “óptimos funcionários de empresas seculares.”



Por que é que é mais absorvente um documentário da televisão do que o estudo da Palavra de Deus? Pensa nas horas que passas em frente do televisor e nos poucos momentos apressados ante a tua Bíblia aberta!



Por que é que as pessoas estão dispostas a fazer por dinheiro, o que não fariam por amor a Jesus? Muitos dos que trabalham incansavelmente para uma corporação são letárgicos e insensíveis quando o Salvador os chama.



Finalmente, por que é que a nossa própria nação chama muito mais a nossa atenção do que a Igreja? A política nacional é multicolorida e absorvente. Em troca, a Igreja parece andar pesadamente e sem dinâmica.



A causa de todas estas coisas é que andamos por vista e não por fé. A nossa visão está distorcida. Não vemos as coisas como realmente são. Valorizamos mais o temporal do que o eterno. Valorizamos mais o terrestre do que o espiritual. Valorizamos mais por cima a dos homens do que a opinião de Deus.



Quando caminhamos por fé, tudo é distinto. Alcançamos a visão da total acuidade espiritual. Vemos as coisas como Deus as vê. Apreciamos a oração como o privilégio inexprimível de ter audiência directa com o Soberano do Universo. Vemos que um pastor numa Assembleia Local significa mais para Deus do que o governante de uma nação. Vemos, com Spurgeon[i], que se Deus chama um homem para ser missionário: “seria uma tragédia vê-lo descer para ser rei.” Vemos a televisão, que é o falso mundo da irrealidade, enquanto que a Bíblia tem a chave que abre a porta para uma vida cheia de realização. Estamos dispostos a gastar e sermos gastos por Jesus, de uma maneira que jamais estaríamos a sê-lo por uma indigna corporação impessoal. E reconhecemos que a Igreja Local é mais importante para Deus e para o Seu povo do que o maior império do mundo.



Andar por fé marca a diferença!




[i] Nota do Tradutor
Spurgeon, Charles Haddon, comummente referido como C. H. Spurgeon (Kelvedon, Essex, 19 de junho de 1834 — 31 de janeiro de 1892) foi um pregador baptista britânico.

Converteu-se a Cristo em 6 de janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezasseis, em 1851, pregou o seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja baptista em Waterbeach, Cambridgeshire.

Em 1854 Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para um novo prédio.

Desde o início do seu ministério, o seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E a sua excelência na pregação nas Santas Escrituras bíblicas deram-lhe o título de “o Príncipe dos Pregadores”.

Houve uma época em que o simples facto de se optar pela religião evangélica equivalia a colocar a cabeça a prémio. No século XVI, Carlos V (Carlos de Habsburgo (Gante, 24 de fevereiro de 1500 — Cáceres, 21 de setembro de 1558) foi Rei de Espanha (Carlos I) e Imperador do Sacro Império Romano (Carlos V).), o imperador espanhol, queimou milhares de evangélicos em praça pública. O seu filho, Filipe II de Espanha e I de Portugal (Filipe II de Espanha (Valladolid, 21 de maio de 1527 — El Escorial, 13 de Setembro de 1598) foi Rei de Espanha, a partir de 1556, e Rei de Portugal, como D. Filipe I, a partir de 1580.), vangloriava-se de ter eliminado da Holanda cerca de 18 mil “hereges protestantes”. Para fugir à perseguição implacável, outros milhares de cristãos foram para a Inglaterra. Entre eles, estava a família de Charles Haddon Spurgeon, o homem que se tornaria um dos maiores pregadores de todo o Reino Unido. Charles obteve tão bom resultado no seu ministério evangelístico que, para além de influenciar gerações de pastores e missionários com os seus sermões e livros, ainda hoje é conhecido como “o Príncipe dos pregadores”.

Spurgeon era filho e neto de pastores que haviam fugido da perseguição. No entanto, somente aos 15 anos, ocorreu o seu verdadeiro encontro com Jesus. Segundo o relato dos livros que contam a história da sua vida, Spurgeon orou, durante seis meses, para que, “se houvesse um Deus”, Este pudesse falar-lhe ao coração, uma vez que se sentia o maior dos pecadores. Spurgeon visitou diversas igrejas sem, contudo, tomar uma decisão por Cristo.

Certa noite, porém, uma tempestade de neve impediu que o pastor de uma igreja local pudesse assumir o púlpito. Um dos membros da congregação - um humilde sapateiro - tomou a palavra e pregou de maneira muito simples uma mensagem com base em Isaías 45:22a: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra”. Desprovido de qualquer experiência, o pregador repetiu o versículo várias vezes antes de direccionar o apelo final. Spurgeon, que assistia a este culto, não conteve as lágrimas, tamanho foi o impacto causado pela Palavra de Deus. Olhou pela fé, com fé para Cristo na Cruz do Calvário.

Após a conversão, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na Escola Dominical a crianças em Newmarkete Cambridge. Embora fosse jovem, Spurgeon tinha a rara habilidade no manejo da Palavra e demonstrava possuir algumas características fundamentais para um pregador do Evangelho. As suas pregações eram tão electrizantes e intensas que, dois anos depois do seu primeiro sermão, Spurgeon, então aos 20 anos, foi convidado a assumir o púlpito da Igreja Baptista de Park Street Chapel, em Londres, antes pastoreada pelo teólogo John Gill. O desafio, pois, era imenso. Afinal, que possibilidade de sucesso teria um menino criado no campo (anteriormente, Spurgeon pastoreava uma pequena igreja em Waterbeach, distante da capital inglesa), diante do púlpito de uma igreja enorme que agonizava?

Localizada em uma área metropolitana de Londres, Park Street Chapel havia sido uma das maiores igrejas da Inglaterra. No entanto, naquele momento, o edifício, com 1200 lugares, contava com uma assistência de pouco mais de cem pessoas. A última metade do século XIX foi um período muito difícil para as igrejas inglesas. Londres (e toda a nação, também) fora industrializada rapidamente, e as pessoas trabalhavam durante muitas horas. Não havia tempo para as pessoas se dedicarem ao Senhor. No entanto, Spurgeon aceitou sem temor, aquele desafio.

O sermão inaugural de Spurgeon, naquela enorme igreja, ocorreu em 18 de Dezembro de 1853. Havia ali um grupo de fiéis que nunca cessou de rogar a Deus por um glorioso avivamento. «No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, não me esqueço da insistência das suas orações. Às vezes, parecia que eles rogavam até verem a presença de Jesus ali, para abençoá-los. Assim desceu a bênção, a casa começou a encher-se de ouvintes e foram salvas dezenas de almas», lembrou Spurgeon alguns anos depois.

Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, não suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somada a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tão grande que as ruas próximas da igreja se tomaram intransitáveis. Logo, as instalações do templo ficaram inadequadas, e, por isso, foi construído o grande Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 12 mil ouvintes. Mesmo assim, de três em três meses, Spurgeon pedia às pessoas, que tivessem assistido aos cultos naquele período, se ausentassem a fim de que outros pudessem estar no templo para conhecer a Palavra.

Muitas congregações, um seminário e um orfanato foram estabelecidos por Spurgeon.. Com o passar do tempo, Charles Spurgeon tornou-se uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar noutras cidades da Inglaterra, bem como noutros países como a França, a Escócia, a Irlanda, o País de Gales e a Holanda. Spurgeon levava as Boas Novas não só para as reuniões ao ar livre, como também aos maiores edifícios onde pregava de oito a dozes vezes por semana.

Segundo uma das suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exactamente, 23654 pessoas: este imenso público lotou o Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas. Na sua pregação usava a voz, sem ajuda de qualquer amplificação artificial.

Mais de cem anos depois da sua morte, muitos teólogos ainda tentam descobrir como Spurgeon obtinha tamanho sucesso. Uns atribuem-no às suas ilustrações notáveis, à habilidade que possuía para surpreender a plateia e à forma como encarava o sofrimento das pessoas. Todavia, para o famoso teólogo americano Ernest W. Toucinho, autor de uma biografia sobre Spurgeon, os factores que atraíam as multidões eram estritamente espirituais: O poder do Espírito Santo, a pregação da doutrina sã, uma experiência religiosa de primeira-mão, paixão pelas almas, devoção pela Bíblia e oração a Cristo, muita oração. Além disso, vale lembrar que todas as biografias, mesmo as mais conservadoras, narram as curas milagrosas feitas por Jesus nos cultos dirigidos pelo pregador inglês.

As pessoas que ouviam Spurgeon, naquela época, faziam considerações sobre ele que deixariam qualquer evangélico orgulhoso. O jornal The Times publicou, certa ocasião, a respeito do pastor inglês: “Ele pôs a velha verdade em vestido novo.” Já o Daily Telegraph declarou que os segredos de Spurgeon eram o zelo, a seriedade e a coragem. Para o Daily Chronicle, Charles Spurgeon era indiferente à popularidade; um génio, para comandar com maestria, uma audiência. O Pictorial World registrou o amor de Spurgeon pelas pessoas.

O amor de Spurgeon tinha raízes. Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gémeos não-idênticos Thomas e Charles. «Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados num rancho, nas serras, quer num sumptuoso quarto de hotel, na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle», relatou, certa vez, Susannah.

A importância de Charles Haddon Spurgeon como pregador só encontra parâmetros nos seus trabalhos impressos.

Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada “A Espada e a Espátula”. Os seus vários comentários bíblicos ainda são muito lidos, dentre eles: “O Tesouro de David” (sobre o livro de Salmos em vários volumes), “Manhã e Noite”, “Livro de Cheques do Banco da Fé” (ambos devocionais) e “Mateus - O Evangelho do Reino” e 63 volumes de Sermões. Tudo isto e muitas outros ‘tesouros’ estão disponíveis em www.spurgeon.org.

Até ao último dia do seu pastorado, Spurgeon baptizou 14692 pessoas. Na ocasião em que ele morreu - 11 de Fevereiro de 1892 -, seis mil pessoas leram diante do seu caixão o texto de Isaías 45:22a: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra”.

Conhecido como o “Príncipe dos Pregadores”, aos 19 anos já era pastor na Park Street Chapel, em Londres. Ao princípio do seu pastorado este era um lugar muito amplo, para mil e duzentas pessoas, porém, frequentado por um pequeno grupo de fiéis. Em poucos meses o prédio não comportava mais a multidão e os crentes mudaram-se para um outro auditório que comportava quatro mil e quinhentas pessoas! A Igreja, então, resolveu alugar o Surrey Music Hall, o prédio mais amplo, imponente e magnífico de Londres, construído para diversões públicas. O culto inaugural deu-se em 19 de Outubro de 1856. Quando o culto começou, o prédio no qual cabiam 12000 pessoas estava superlotado e havia mais de 10000 fora que não puderam entrar!

Uma terrível catástrofe ocorreu neste dia. No início do culto, pessoas diabólicas levantaram-se gritando “ Fogo! Fogo!”, provocando um grande alvoroço e um saldo de sete pessoas mortas e vinte e oito gravemente feridas. Isto não impediu que o interesse pelos cultos, além de diminuir e morresse até aumentasse.

Em março de 1861 a sua Igreja concluiu a construção do Metropolitan Tabernacle, local que comportava uma média de 5000 pessoas em cada culto dominical, isto durante trinta e um anos.

Pregou em cidades de toda a Inglaterra e noutros países: Escócia, Irlanda, Gales, Holanda e França. Pregava ao ar livre e nos maiores edifícios, em média oito a doze vezes por semana!

Spurgeon publicou inúmeros livros. Milhares de sermões seus foram publicados e traduzidos para diversas línguas. Além de pregar constantemente a grandes auditórios e de escrever tantos livros, esforçou-se em vários outros ramos de actividades. Inspirado pelo exemplo de Jorge Müller, fundou e dirigiu o orfanato de Stockwell. Reconhecendo a necessidade de instruir os jovens chamados por Deus a proclamar o Evangelho, fundou e dirigiu o Colégio dos Pastores. A oração fervorosa era um hábito em sua vida. Contava com trezentos intercessores que, todas as vezes que pregava, mantinham-se em súplica.



COLETÂNEA DE CITAÇÕES

“A profissão de fé sem a graça divina é a pompa funerária de uma alma morta.”

“Uma fé pequena leva as almas até o céu, mas uma grande fé traz o céu até as almas.”

“A recondução de um pastor, que caiu em pecado de imoralidade, só deve ocorrer quando o seu arrependimento for tão gritante quanto o seu pecado”

“Ouvi falar dos Santos dos Últimos Dias. Prefiro os Santos de todos os Dias!”

“O meu povo ora por mim” – Quando lhe foi perguntado sobre o seu sucesso.

“Perdoe e esqueça. Quando você enterra um cão raivoso, nunca deixa de fora a cauda dele.”

“Você pode ocultar a sua fraqueza do seu melhor amigo, mas não a esconderá do seu pior inimigo.”

“Eu pessoalmente acredito que não seja possível pregar a Cristo e Ele crucificado, a menos que estejamos pregando o que hoje é conhecido como Calvinismo. O Calvinismo é apenas um apelido; o Calvinismo é o evangelho e nada mais. “

“Para prevenir para sempre a possibilidade de papistas (cristãos católicos romanos) queimarem protestantes, anglicanos enforcarem padres, e puritanos afogarem quacres, que toda forma de união entre Igreja e Estado seja totalmente abolida, e a lembrança da longa maldição seja apagada para sempre.”

Quando Moddy encontrou Spurgeon e descobriu que ele fumava charutos, ele ficou um tanto surpreendido e desconcertado. Spurgeon assegurou-lhe que nunca tinha exagerado. Perguntou-lhe Moddy: “E o que você consideraria um exagero?”. Respondeu Spurgeon: “Fumar dois ao mesmo tempo”. É crido que Spurgeon parou de fumar charutos quando a loja de tabaco onde ele os comprova começou a se auto-anunciar como “A Loja Onde Spurgeon Compra os Seus Charutos”.

“Dez minutos orando são melhores do que um ano murmurando”.

“Em geral, jamais veremos muita melhoria nas nossas Igrejas, enquanto a reunião de oração não ocupar o lugar mais elevado na estima dos crentes.”

“Há pecado até na nossa santidade, há incredulidade na nossa fé; há ódio no nosso próprio amor; há lama da serpente na mais bela flor do nosso jardim.”

“Aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima.”

“Será que um homem que ama o seu Senhor estaria disposto a ver Jesus vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, no meio de aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar aos seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

“Não deixe aquilo que é urgente tomar o lugar daquilo que é importante na sua vida.”

“Muitas pessoas devem a grandeza de suas vidas aos problemas e obstáculos que tiveram de vencer.”

“Não é a quantidade de sua fé que o salvará. Uma gota de água é tão verdadeira água como o oceano inteiro.”

Notas e Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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