… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

9 de janeiro


William MacDonald
Um dia de cada vez
9 de janeiro

“Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família” (1Tm 5:4, ARC, Pt)

Sem dúvida tens escutado algo como esta expressão: “É um demónio em sua casa e um santo na rua.” Descreve a horrível tendência de sermos bondosos e sociáveis com aqueles do mundo exterior, e não obstante, duros e cruéis em casa.



É um defeito que não está limitado a qualquer classe de pessoas em particular. Os jovens têm de guardar-se dele. É tão fácil ser uma personalidade de televisão com os seus amigos pessoais, e apesar de tudo, ser um terror para com os seus próprios pais. Os maridos podem apresentar uma aparência encantadora para com os seus sócios de negócios, e não obstante, ao retornar a casa desaparece aquele encanto e voltam à normalidade como seres egoístas e irritáveis. Os pregadores podem ter um estilo cintilante no púlpito e uma péssima disposição no espaço familiar.



Uma perversa propensão comum do nosso estado caído consiste em ferir aqueles que estão mais perto de nós, que se esforçam extremamente por nós, e que nos nossos melhores momentos os amamos de verdade. Ella Wheeler Wilcox[i] escreveu:



Uma grande verdade na vida encontrei,

Em muitos lugares pelos quais andei;

Que as únicas pessoas que realmente ferimos

São aqueles a quem mais amamos.

Adulamos aos que apenas conhecemos,

E agradamos a convidados passageiros,

Desconsiderados, muitos golpes damos

Àqueles a quem mais amamos.



Outro poeta, fazendo eco destes sentimentos, escreveu assim:



“Ao convidado sorrimos

E ao estranho saudamos,

Mas aos nossos, ainda que os amamos,

A eles, nos mostramos amargos.”



“É muito fácil ter uma religião de igreja, de reunião, de oração ou de obra cristã; mas é totalmente distinto ter uma religião diária. ‘Mostrar piedade à nossa própria família’ é uma das partes mais vitais do cristianismo, porém, é muito escassa também; e não é coisa estranha encontrarmos cristãos que ‘fazem a sua justiça’ diante dos homens ‘para ser vistos por eles’, mas falham infelizmente quando se trata de mostrar a sua piedade na sua própria casa. Conheci um pai de família que era tão poderoso na oração na reunião de oração semanal e tão impressionante ao exortar, que toda a igreja era edificada com a sua piedade. Não obstante, ao voltar para o seu lar, depois das reuniões era tão tosco e detestável, que a sua esposa e a sua família temiam pronunciar uma palavra na sua presença” (H. W. Smith).



Samuel Johnson[ii] dizia: “Todo o animal vinga as suas dores sobre aqueles que estão perto.” O homem deve evitar esta tendência natural.



O verdadeiro indicador do nosso carácter cristão não é o que somos em público, mas o que somos em nossa casa.








[i] Ella Wheeler Wilcox (Wisconsin, EUA, 5 de novembro de 1850 - 30 de outubro de 1919), escritora e poeta norte-americana.



Eis dela: OS VENTOS DO DESTINO (1916) “Um barco sai para o leste e o outro para o oeste/Levados pelo mesmo vento que sopra;/É a posição das velas, e não o sopro do vento,/Que determina o caminho que eles seguem./Como os barcos no mar, assim são os caminhos do destino/Ao navegarmos ao longo da vida;/É a posição da alma que determina a meta,/E não a calmaria ou a briga (borrasca)”.

Fonte: http://pt.wikiquote.org/wiki/Ella_Wheeler_Wilcox



[ii] Samuel Johnson (Lichfield, 7 de setembro de 1709 - Londres, 13 de dezembro de 1784) foi um escritor e lexicógrafo inglês.

Filho de um livreiro, foi obrigado a abandonar os estudos em Oxford por falta de recursos e passou a ganhar a vida como preceptor e tradutor. Juntando algum dinheiro, fundou um escola particular, mas fracassou no empreendimento.

Em 1737, com o seu aluno David Garrik, foi para Londres, onde iniciou intensa actividade de crítico e jornalista. Em pouco tempo conquistou grande reputação, confirmada com a publicação de “A vida de Richard Savage”, em 1744 e do “Dicionário da língua inglesa”, em 1755. Ao mesmo tempo, colaborou com a revista The Rambler (1750/52) e depois em The Idler, (1758/60).

A influência literária de Samuel Johnson tornou-se cada vez maior, especialmente depois que criou em 1764 um clube literário com os amigos Edward Gibbon, Joshua Reynolds, Oliver Goldsmith e Edmund Burke. Johnson é o autor de uma famosa frase: “O patriotismo é o último refúgio de um canalha”.

Em 1765 apresentou uma edição comentada das obras de Shakespeare e a sua perspicácia crítica afirmou-se ainda mais quando demonstrou que as obras atribuídas ao poeta Ossian na verdade não eram de sua autoria. Esta revelação está no seu livro de viagens «Jornada às ilhas da Escócia», de 1775.

Johnson publicou também um romance de muito sucesso chamado A história de Rasselas, princípe da Abissínia, de 1759 e que foi escrito em poucos dias. No campo da crítica, a sua obra-prima foi Vidas dos mais eminentes poetas ingleses (1779/83), obra que abrange quatro volumes e que continua sendo um dos textos fundamentais da estética do classicismo inglês.



Citações de Samuel Johnson

 “Poucas coisas são impossíveis para a persistência e para a habilidade.” - Few things are impossible to diligence and skill. - “History of Rasselas” in: “The Works of Samuel Johnson: LL.D. A New Edition in Twelve Volumes. With an Essay on His Life and Genius, by Arthur Murphy, Esq”‎ - v.5, Página 458, de Samuel Johnson, Alexander Chalmers, Arthur Murphy - Publicado por Printed for F. C. and J. Rivington, 1823

“As grandes obras são executadas, não pela força, mas pela perseverança.” - Great works are performed not by strength, but perseverance - The works of Samuel Johnson, LL.D.‎ - Vol. II, Página 15, de Samuel Johnson, Arthur Murphy - Publicado por Jones, 1825

Citações atribuídas sem citar as suas fontes ou referências

“O exemplo é mais eficaz que os preceitos.”

“Um homem deve ler segundo o que as suas inclinações o conduzem; porque o que ler como tarefa pouco bem lhe fará.”

“Uma promessa, uma grande promessa, é a alma de um anúncio.”

“Se o homem não faz novas amizades enquanto avança pela vida, logo vai perceber que ficou sozinho. Um homem deve manter suas amizades em constante renovação.”

“O amor é a sabedoria dos loucos e a loucura dos sábios.”

“Elogios, como o ouro e os diamantes, devem seu valor à escassez.”

“Ninguém se ocupa muito com o presente; as lembranças e as expectativas preenchem quase todos os nossos momentos.”

“Em geral as pessoas casam-se sem se conhecer, porém, esse é o principal motivo de tantos casamentos.”

“A verdadeira arte da memória é a arte da atenção.”

“É melhor sofrer uma injustiça que praticá-la, assim como às vezes é melhor ser enganado do que não confiar.”

“Tratai os grandes como o fogo; nem de muito perto, nem de muito longe.”

“A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar.”

“Dois homens não podem ficar juntos durante meia hora sem que um adquira evidente superioridade sobre o outro.”

“Cada citação contribui com algo para a estabilidade e o alargamento da língua.”

“O amor é apenas uma entre muitas paixões.”

“A vida não pode existir em sociedade senão através de concessões recíprocas.”

“As maiores dificuldades são filhas da preguiça.”

“Voltar a casar-se é o trunfo da esperança sobre a experiência.”

“Nenhum lugar proporciona uma prova mais evidente da vaidade das esperanças humanas do que uma biblioteca pública.”

“A linguagem é a roupagem de pensamento.”

“Quem tem mil e um amigos não encontra um disponível; quem tem um inimigo encontra-o em todo lado.”

- Fonte: Coletânea de Pensamentos (http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/frases/coletanea-02.html)

“Patriotism is the last refuge of a scoundrel.” “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas.” - Fonte: The Life of Samuel Johnson, L.L.D., biografia sobre Samuel Johnson de autoria de James Boswell, publicada em 1791

“When a man is tired of London, he is tired of life; for there is in London all that life can afford.” “Quem está cansado de Londres, está cansado da vida; há em Londres tudo que a vida pode proporcionar.” (sem indicação da fonte)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Johnson


Notas e Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: