… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 6 de maio de 2017

SALMO 13


C. H. Spurgeon

O Tesouro de David
 SALMO 13
É costume chamar-se a este Salmo “Até quando?. Quase diríamos que é o Salmo do gemido, pela incessante repetição do grito “Até quando?



Vers. 1. Até quando? Esta pergunta repete-se não menos de quatro vezes. Corresponde ao intenso desejo de libertação e à grande angústia do coração. E não tem por que não haver um pouco de impaciência mesclada com isso; não é este o retrato mais fiel da nossa própria experiência? Não é fácil prevenir e evitar que os desejos degenerem em impaciência. A aflição prolongada parece representar abundante corrupção; pois o ouro que tem de permanecer muito tempo no fogo, é porque contém muita escória que tem de ser consumida; daí que a pergunta “Até quando? possa sugerir uma busca profunda do coração.



Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Ah, David!, que néscias são estas palavras! Pode Deus olvidar? Pode o Omnisciente falhar na lembrança? Acima de tudo, pode o coração do SENHOR esquecer o Seu filho amado? Ah, irmãos, expulsemos para longe de nós a ideia, e escutemos a voz do nosso Deus do pacto, pela boca do profeta: “Eis que nas palmas das Minhas mãos te tenho gravado: os teus muros estão continuamente perante Mim”! (Is 49:16)



Para sempre. Que pensamento tão tenebroso! Sem dúvida era bastante suspeitar dum esquecimento temporário, mas faremos uma pergunta ingrata e imaginaremos que o Senhor vai abandonar para sempre o Seu povo? Não, a Sua ira pode durar uma noite, mas o Seu amor permanece eternamente. C. H. S.



Até quando esconderás o teu rosto de mim? O que é que há no nosso coração ou na nossa vida pelo qual Deus esconde o Seu rosto e franze o cenho sobre nós? Timothy Rogers



Tal como a noite e as sombras são boas para as flores, e a luz da Lua e o orvalho são melhor que o Sol contínuo, assim também a ausência de Cristo tem o seu uso especial e um pouco de virtude nutritiva, e dá seiva à humildade, e aviva o apetite, e provê um campo livre para que a fé faça ato de presença e exercite os seus dedos para alcançar o que não vê. Samuel Rutherford, 1600-1661.



Vers. 1, 2. Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração, cada dia? O que o provérbio francês da enfermidade diz é verdadeiro de todos os males, porque vêm a cavalo, mas vai-se a pé. Joseph Hall



O cristão, enquanto está no mundo, vive num clima insalubre; por um lado, os deleites do mesmo amortecem o seu amor a Cristo; por outro, a tribulação com qual se encontra, debilita a sua fé na promessa. William Gurnall



Vers. 2. Até quando? Há muitas situações na vida do crente em que as palavras deste Salmo podem ser uma consolação e ajuda para reviver a fé que se afunda. Certo homem que jazia junto à piscina de Betesda, tinha uma enfermidade há trinta e oito anos (Jo 5:5). Uma mulher que tinha um espírito de enfermidade passou dezoito anos antes de ser “libertada” (Lc 13:11). Lázaro, durante toda a sua vida tinha sofrido da enfermidade e de pobreza, até que foi libertado pela morte e transferido para o seio de Abraão (Lc 16:20-22). Assim pois, todo aquele que se sinta tentado a usar as queixas deste Salmo tenha a segurança no seu coração de que Deus não esquece o Seu povo, que no fim a ajuda virá, e, enquanto isso, todas as coisas contribuem juntamente, para o bem daqueles que O amam (Rm 8:28). W. Wilson, DD Wilson, DD



Assim pois, o leitor cuidadoso notará que a pergunta “Até quando?apresenta-se em quatro formas. A pena do escritor vê-se: conforme parece, segundo é, conforme o afeta a ele por dentro, e aos seus inimigos por fora. Todos somos propensos a bater mais no ceguinho. Como no nosso ditado “a cão cego todos atiram pedras.” Colocamos enormes lousas (epitáfios) tumulares sobre as sepulturas das nossas alegrias, mas quem pensa em erigir monumentos de louvor, pelas misericórdias recebidas? Escrevemos quatro livros de Lamentações e só um de Cantares, e achamos que são muitos mais em casa os gemidos do “Misere” do que o canto de “Te Deum”.



Vers. 5. Mas eu confio na tua benignidade: na tua salvação meu coração se alegrará, noutra versão, Mas eu em tua misericórdia tenho confiado; o meu coração se alegrará na tua salvação. Que mudança vemos aqui! Vede, a chuva terminou, e de novo os pássaros cantam. O coração de David estava desafinado, com mais frequência, do que a sua harpa. Começa muitos dos seus salmos suspirando, mas termina-os cantando. C. H. S.



Vers. 6. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem, noutra versão, Cantarei ao SENHOR pelo bem que me tem feito. O mundo maravilha-se de como podemos estar tão contentes sob desgraças tão extremas; pois o nosso Deus é Omnipotente. Ele volta a desgraça em felicidade. Crede-me que não há gozo no mundo comparável ao que desfrutam os filhos de Deus sob a cruz de Cristo. Posso falar por experiência, e portanto, crede-me, não temais nada do que o mundo vos possa fazer, porque quando aprisionam os vossos corpos, deixam as vossas almas em liberdade para conversardes com Deus; quando nos arremessam e esmagam, levantam-nos; quando nos matam, então enviam-nos para a vida eterna. Que maior glória pode haver do que o sermos conformados à nossa cabeça, Cristo. E isto fá-lo a aflição. Oh bom Deus!, o que sou eu, para que me concedas uma misericórdia tão grande? John Trapp



Nunca soube o que era Deus estar a meu lado em todas circunstâncias e em toda a oferta com que me aflige Satanás, etc., conforme tenho visto e achado que Ele faz desde que vim para este lugar; porque, eis aqui, quando se apresentaram temores, vieram com eles ânimo e apoio; sim, quando comecei, como se disséssemos com nada, excepto com a minha sombra, Deus com a Sua ternura não permitiu que eu fosse molestado, mas com um versículo ou outro da Escritura fortaleceu-me contra tudo, até ao ponto que com frequência tenho dito: Se isto fosse legítimo, pediria em oração maiores tribulações para conseguir maiores consolos. Ec 7:14; 2Co 1:5. John Bunyan, 1628-1688.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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