… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SALMO 17




C. H. Spurgeon
 O Tesouro de David
 SALMO 17

Título e tema: “Uma oração de David”. David não teria sido um homem segundo o próprio coração de Deus se não tivesse sido um homem de oração. Era um mestre na arte sagrada da súplica. Recorreu à oração em todo tempo de necessidade, como o piloto se apressa ao porto sob a pressão da tempestade. Temos aqui um cântico dolente. “Uma apelação ao céu” pelas perseguições na terra. C. H. S.



Posto que muitos dos Salmos constam de orações, a questão que pode ser colocada é, porque é tal título, em particular, pertence a este salmo. Embora os outros Salmos contenham várias orações mescladas com outras coisas, esta é uma súplica em todo o seu curso. The Venerable Bede, 672-735.



Divisões: Não há linhas de separação clara nas suas partes; mas preferimos a divisão adoptada por este grande comentador antigo, David Dickson. Nos versículos 1-4 David deseja justiça no conflito entre ele e os seus opressores. Nos versículos 5 e 6 requer a graça do Senhor para poder obrar retamente enquanto dura a sua prova. Do versículo 7 ao 12 busca amparo dos seus inimigos, a quem descreve graficamente; e nos versículos 13 e 14 suplica que eles fiquem dececionados, terminando o conjunto numa confiança sossegada de que tudo acabará bem, no final. C. H. S.



Vers. 1. OUVE, Senhor, a justiça. Aquele que tem a pior causa faz mais ruído; por isso a alma oprimida teme que a sua voz seja afogada, e, portanto, suplica neste versículo que o ouça não menos de três vezes. É mais de temer que nós não ouçamos o Senhor do que o Senhor não nos ouça a nós. C. H. S.



Atende ao meu clamor. Um grito real, amargo, sincero, pode quase fundir uma rocha; não há temor de que não seja atendido por nosso Pai celestial. Se a nossa oração, como o grito do menino, é mais natural que inteligente, e mais sincera que elegante, nem por isso será menos eloquente para Deus. Há um grande poder no grito do menino para prevalecer no coração do pai. C. H. S.



Dá ouvidos à minha oração. A duplicação usada aqui não é nem superstição nem tautologia, mas é sim um golpe repetido do martelo que dá no mesmo prego, para firmá-lo de modo mais efetivo, ou como a importuna aldrabada do mendigo à porta, que não quer que se lhe negue a esmola. C. H. S.



Esta petição três vezes repetida indica um grande poder de sentimento e muitas lágrimas; porque a astúcia dos ímpios, na verdade, aflige o homem espiritual mais do que o seu poder e violência, pois podemos dar-nos conta da violência e da força aplicadas abertamente, e quando vemos o perigo, podemos resguardamos de alguma forma contra ele. Martinho Lutero.



Que não é feita com lábios enganosos. Aquele que quer enganar e adular é melhor que empregue a sua astúcia com um néscio como ele mesmo, porque o enganar a Deus omnipotente é tão impossível como recolher a Lua numa rede ou apanhar o Sol. Aquele que queira enganar a Deus, engana-se a si mesmo grosseiramente. A nossa sinceridade na oração não tem mérito em si, como não tem a sinceridade do mendigo na rua; mas ao mesmo tempo o Senhor considera-a, por meio de Jesus, e não recusará prestar o Seu ouvido a alguém que suplica de modo sincero e fervoroso. C. H. S.



Há o que podemos chamar “lábios fingidos”; uma contradição entre o coração e a língua, um clamor na voz e uma mofa na alma. Stephen Charnock



Pode-se observar que a águia sobe mais acima no ar, não com a intenção de voar para o céu, mas para conseguir melhor a sua presa; e assim é que muitos se estendem em aparente devoção, elevando os seus olhos ao céu; mas fazem-no só para realizar de modo mais fácil, seguro e com aplauso os seus desígnios malvados e perversos na terra; são Catos por fora, mas Neros por dentro; escuta-os; ninguém fala melhor; sonda-os e põe-nos à prova, ninguém é pior; têm a voz de Jacob mas as mãos de Esaú; professam ser santos, mas na prática são satanases; pronunciam orações extensas, mas o que pedem é breve; são como alguns produtos do farmacêutico, títulos excelentes, mas dentro, veneno mortal; santidade falsa é a sua capa para toda espécie de vilezas. Peter Bales, in Spencer's “Things New and Old.”



Vers. 2. Saia a minha sentença de diante do teu rosto. Com Jesus como a nossa justiça completa e gloriosa não temos de temer embora o dia do juízo comece imediatamente e o Inferno abra a sua boca aos nossos pés, porém podemos provar com gozo a verdade em que confia o escritor do hino:



De pé me sustentarei naquele grande dia;

Pois quem porá algo a meu cargo?

Pelo sangue de Cristo fui absolvido,

Do opróbrio e da maldição do pecado.

C. H. S.



Vers. 3, 4 e 5. Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; o que pensei, a minha boca não transgredirá. Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor. Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem. Ali onde há verdadeira graça, há aborrecimento de todo o pecado. Stephen Charnock



Vers. 3. Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; o que pensei, a minha boca não transgredirá. Sem dúvida, o Salmista quer dizer nada de hipocrisia ou de iniquidade, no sentido em que os seus caluniadores o acusavam; porque se o Senhor põe à prova ao melhor do Seu povo no crisol, a escória faria a sua aparição terrível, e requereria que a penitência abrisse as suas comportas. Os refinadores logo descobrem a presença de outro metal, e quando o Chefe dos refinadores, no final, nos diga que não achou nada, será um momento verdadeiramente glorioso. “Estão sem falta alguma diante do trono de Deus.” Inclusive aqui, vistos na Cabeça do pacto, pelo menos, o Senhor não vê pecado em Jacob nem perversidade em Israel; inclusive o olhar esqruadrinhador do Omnisciente não pode ver falta onde o grande Substituto o cobre todo com a Sua formosura e perfeição.



Tenho resolvido que a minha boca não tem de exceder-se. O número de enfermidades da língua é tão numeroso como o resto das outras enfermidades do homem postas juntas, e são mais inveteradas. Necessita-se mais do que resolução para manter este ágil ofensor dentro dos seus próprios limites. O domar leões e o encantar serpentes não se podem considerar tão difíceis, porque à língua ninguém a pode domar.



David desejava, em todos os sentidos, afinar os seus lábios à música doce e singela da verdade. Não obstante, David foi caluniado, para nos mostrar que a inocência mais pura pode ser enlodada pela malícia. Não há Sol sem sombra, nem fruto amadurecido ao qual não o biquem os pássaros. C. H. S.



Vers. 4. Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor. Tenho de atribui-lo à boa Palavra de Deus; consulto-a, e por meio dela me mantenho à parte dos métodos turvos de outros que não fazem uso da Palavra como defesa, os quais são arrastados por Satanás, o destruidor. Podemos ir contra o pecado e contra Satã com uma arma melhor que aquela que Cristo usou para vencer ao tentador? Cristo podia, com um raio disparado desde a sua Divindade (se O tivesse querido fazê-lo), deixá-lo prostrado aos Seus pés, como fez depois com os que foram atacá-Lo; mas, preferiu pôr de lado a Majestade da Sua Divindade e permitir a Satã que se aproximasse, para poder confundi-lo com a Palavra, e deste modo dar-lhe prova do que é a espada dos Seus santos, que Ele tinha de lhes deixar para sua defesa contra o mesmo inimigo. William Gurnall



Eu vos escrevi, mancebos, porque sois fortes.” Onde se acha a força deles? “E a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (1 Jo 2:14). Thomas Manton



Vers. 5. Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem. Platão disse a um dos seus discípulos: “Quando os homens falam mal de ti, vive de tal modo que ninguém os creia.”



Dirige os meus passos— assim como o cocheiro tira a rédea do seu cavalo ao ir pela encosta abaixo. Temos toda a espécie de passos, rápido e lento, e o caminho nunca prossegue muito tempo igualmente, mas dirigindo Deus os nossos passos não pode haver falha por causa do caminho ou do nosso passo.



Nos teus caminhos. Não podemos guardar-nos do mal sem seguir obrando o bem.



Para que as minhas pegadas não vacilem. Sim, o caminho é bom, mas nossos pés são maus, e portanto escorregam, inclusive na estrada real. Pode-se tropeçar tanto sobre uma ordenança como sobre uma tentação. C. H. S.



A oração de Theodore Beza (24 de junho de 1519 – 13 de outubro de 1605), que deve ser a nossa, era: “Senhor aperfeiçoa o que começaste em mim, para que eu não naufrague quando já estou quase a chegar ao porto.” Thomas Watson



Vers. 6. Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir. Deus não só ouvirá o nosso clamor, mas também nos ouvirá antes que clamemos, e nos ajudará. Thomas Playfere.



Invoquei-Te antes; portanto, Senhor, escuta-me agora. Os comerciantes estão dispostos a favorecer os que têm sido os seus fregueses desde há muito tempo. Matthew Henry



Vers. 8. Guarda-me como à menina do olho. O sábio Criador colocou o olho numa posição muito protegida; acha-se rodeado por ossos salientes, como Jerusalém está rodeada de montanhas. Além disso, o Seu grande Autor rodeou-o de várias túnicas interiores, assim como da sebe das sobrancelhas, do pano de fundo das pálpebras, da cerca das pestanas; e, além disto, imbuiu em cada homem a ideia de um valor tão alto dos seus olhos, e uma resposta tão rápida ante a apreensão do perigo, que nenhum membro do corpo está melhor protegido que o órgão da visão. C. H. S.



Não te parece que é uma obra da Providência que, considerando a debilidade do olho, Ele o tenha protegido com pálpebras como portas, que sempre que há ocasião para usá-los se abrem e de novo se fecham durante o sono? E para que não sofram lesão pelos ventos, pôs as pestanas como uma peneira, e sobre os olhos dispôs as sobrancelhas como coberta, para que o suor da cabeça não os alcance. Socrates, in Xenophon.



Vers. 9. Dos ímpios que me oprimem, dos meus inimigos mortais que me andam cercando. Os inimigos da alma do crente são inimigos mortais de modo claro, porque os que fazem guerra contra a nossa fé têm por objectivo a própria vida da nossa vida. Os pecados mortais são inimigos mortais, e que pecado há que não leve a morte nas suas vísceras?



Vers. 10. Na sua gordura se encerram. A lascívia e a gulodice engendram gordura vã no coração, que fecha as suas portas contra toda a emoção compassiva e todo o julgamento razoável. O velho provérbio diz: “A ventres repletos, crânios vazios”, e ainda é mais certo que fazem, com frequência, corações vazios.



Com a boca falam soberbamente. Aquele que se adora a si mesmo não disporá o seu coração para adorar ao Senhor. Cheio de prazer egoísta no seu coração, o infiel enche a sua boca de expressões jactanciosas e arrogantes. A prosperidade e a vaidade com frequência alojam-se juntas. Ai do boi cevado quando brama com o cio ao seu amo; o seu fim está muito próximo! C. H. S.



Vers. 11. Andam-nos agora espiando os nossos passos; e fixam os seus olhos em nós, para nos derribarem por terra. É uma alusão, creio eu, aos caçadores, que remexem o chão para achar os rastos da lebre quando os sabujos não encontram o seu rasto pelo olfacto. Joseph Caryl



Vers. 13. Livra a minha alma do ímpio, pela tua espada. O diabo e os seus esbirros podem ser usados como instrumentos por Deus; portanto, “os maus” são chamados a sua “espada”. O diabo e todo o seu grupo são como néscios para Deus; mais ainda, a sua sabedoria é necedade. William Gurnall



Vers. 14. Dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida. Lutero tinha sempre medo de obter a sua porção aqui, e por isso, com frequência, repartia grandes quantidades de dinheiro que lhe haviam oferecido. Não podemos ter a Terra e o Céu ao mesmo tempo como a nossa porção; os sábios escolhem o que vai durar mais. C. H. S.



Deus dá aos maus a sua porção aqui para lhes ensinar o pouco de bom que há em todas estas coisas, e para mostrar ao mundo o escasso valor de todas as coisas que existem aqui na Terra.



Certamente, se fossem muito boas não as teriam; diz-se que não há grande valor na força do corpo, porque um boi tem mais do que tu; diz-se que não há grande valor na agilidade do corpo, porque um cão tem mais do que tu; diz-se que não há grande valor em vestidos luxuosos, porque um pavão os tem melhores que tu; diz-se que não há grande valor no ouro e na prata, porque os índios, que não conhecem Deus, têm mais do que tu; e se estas coisas tivessem grande valor em si mesmas, certamente Deus nunca as concederia aos malvados.



Quanto às coisas externas, o Senhor não tem inconveniente em que vão parar às mãos não santas; mas, quando se trata das misericórdias escolhidas em Cristo, faz uma distinção. Oh, isto é fruto precioso! Um ferreiro que trabalha sobre ferro, com os seus golpes levanta uma infinidade de faíscas, e isto não o preocupa; mas um ourives que trabalha com ouro, preserva cada partícula de pó do mesmo; um lapidário que trabalha com pedras preciosas, assegura-se de que sejam bem preservadas; um carpinteiro apara aqui e acolá, e atira fora os pedaços.



Assim que estas coisas, aparas e serrim, é o que Deus dá como porção aos maus. Jeremiah Burroughs



A terra e os produtos da mesma, Deus distribui-os sem fazer aceção de pessoas, inclusive aos que são os seus filhos só pela criação, não pela adopção. Miles Smith



Nesta vida. Há ainda outra coisa que se pode observar, muito mais monstruosa, nesta criatura, o homem: ainda que esteja dotado de razão e conselho, e sabe que esta vida é como uma sombra, um sonho, um conto, uma vela da noite, fumo, moinha que o vento espalha, uma bolha de água e coisas passageiras, e que a vida vindoura não terá fim, entretanto centra a sua mente cuidadosamente na vida presente, que hoje é e amanhã não é; mas na vida que é perdurável, nem sequer pensa nela. Se isto não é ser um monstro, não sei a quem possamos chamar monstruoso. Thomas Tymme



O que os maus possuem neste mundo é tudo o que esperam; para quê regatear-lhes os corpos cheios ou os títulos rimbombantes? Esta é toda a sua porção; recebem agora a suas coisas boas.



Enquanto que tu, oh cristão, que não possuis nada, és o herdeiro do Céu, co-herdeiro com Jesus Cristo, o qual é o herdeiro de todas as coisas, e tem uma quantidade infinita de riquezas entesouradas para ti; tão grande e infinita, que todas as estrelas do Céu são poucas para igualar o seu número; não tens razão para te queixares de que ficas humilde; porque tudo o que Deus tem é teu, seja a prosperidade ou adversidade, vida ou morte, tudo é teu. O que Deus te dá é para o teu bem-estar, o que te nega ou te tira é para te provar; é com o intuito de aumentar estas graças, que são muito mais valiosas que todos os gozos temporários. Se ao ver os malvados e ímpios flutuando na riqueza e no bem-estar te sentes forçado a lutar contra os inconvenientes e as dificuldades da tua escassez, aprendeste um santo desprezo e desdém pelo mundo, crê-me, e Deus te tem dado mais do que se te tivesse dado o próprio mundo. Ezekiel Hopkins.



Um amo ou senhor paga ao seu servo o seu salário actual, enquanto reduz a dotação ao seu filho quando ele é menor de idade, para que ele possa aprender a depender do seu pai para a sua herança.



Sem dúvida, dizem muitos, se Deus não me amasse não me daria esta porção no mundo. Não te enganes numa questão de tanta importância. O mesmo podes dizer que Deus amava Judas porque ele levava a bolsa, ou a Dives[1] porque comia manjares delicados, e agora está gemendo no Inferno. John Frost



Para demonstrar que os homens iníquos têm frequentemente a maior porção neste mundo, não preciso de falar muito: a experiência de todas as épocas desde o começo do mundo o confirma, e pela nossa própria observação, creio que pude autenticá-lo, entretanto, a Escritura abundantemente o demonstra. O primeiro assassino que alguma vez existiu, transportava riquezas no seu próprio nome: Caim, significa, tanto, (Gn 4:8). Indo ao conjunto das Escrituras, e encontrar-se-á José perseguido pelos seus irmãos; Esaú (como Rivet observa em Gn 32), avançando no mundo, por um tempo, muito por cima de Jacob, continuando, e encontras os israelitas, o povo peculiar de Deus, no cativeiro, e Faraó no trono; Saúl governando, e David numa cova ou num deserto; Job numa estrumeira; Jeremias no calabouço; Daniel no covil, e os meninos na fornalha, e Nabucodonosor no trono. No Novo Testamento temos Félix no assento de juiz, Paulo na barra do tribunal; Dives (o rico) no palácio, Lázaro à sua porta (Lc 16:19); ele vestido de púrpura, Lázaro em trapos e coberto de chagas; ele banqueteava-se e vivia deliciosamente cada dia, o outro desejava apenas as migalhas de pão caídas da mesa, e não as podia comer; Dives rodeava-se com a sua rica e majestosa assistência, Lázaro tem nenhuma outra companhia, somente os cães que vêem lamber-lhe as suas chagas; tudo o que Austin e Tertuliano contra Marcion (lib. 4), concebem ser uma verdadeira história que fora realmente vivida, ainda que outros pensem que era uma parábola. Job diz-nos que “o tabernáculo de ladrões” às vezes “prospera” (Jb 12:6), que em geral a prosperidade que descreve (o capítulo 21 do versículo 7 ao 14); exaltado em “poder”, o versículo 7, multiplicado na sua prosperidade, versos 8 e 11, seguros em casa, versículo 9, prosperidade fora de casa, no exterior, versículo 10, têm a sua abundância de prazer, versículo 12, e a riqueza à vontade, versículo 13. David fala da sua própria experiência disso. Sl 37:35 e Sl 73:7. Portanto, no texto, eles desfrutam não só dos favores comuns, como o ar para respirar, a terra para caminhar, os seus ventres estão cheios do seu “tesouro escondido”, e que não são só para si mesmos, mas são para a sua posteridade também, eles “estão fartos de filhos e dão os seus sobejos às suas crianças”, e que numa palavra, “têm a sua porção nesta vida.John Frost, 1657.



E cujo ventre enches do teu tesouro oculto. Um homem generoso não nega os ossos aos seus cães; e o nosso Deus generoso dá inclusive aos seus inimigos o bastante com o que saciarem-se, e se eles não fossem tão pouco razoáveis, porque nunca estão contentes. O ouro e a prata que estão encerrados nas vísceras escuras da Terra são concedidos aos maus generosamente, e por isso eles se deleitam em toda espécie de deleites carnais. C. H. S.



Os maus podem ter a Terra e a sua plenitude, a Terra e tudo o que é terrestre; os seus ventres são cheios pelo próprio Deus com bens que Ele lhos reserva. Joseph Caryl.



Os corações dos santos estão somente cheios de “maná escondido”, mas os ventres dos maus, com frequência, estão cheios do tesouro escondido; isto é, com as guloseimas e gorduras que costumam estar escondidas e brotam das vísceras da Terra. Joseph Joseph Caryl.



Seus filhos estão fartos. A significação é evidente, que têm o bastante para eles e para os o seus filhos. Albert Barnes



Vers.15. Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; satisfazer-me-ei da tua semelhança quando acordar. Os homens bons têm aqui em baixo aparências da glória, para acalmar a sua fome sagrada, mas o pleno banquete aguarda-os nos Céus. Perante esta plenitude de deleite profundo, inefável, eterna, os gozos dos mundanos são como o vaga-lume comparado com o Sol, ou como um balde de água comparado com o oceano. C. H. S.



Agora mantém-se o andaime entre os homens muito depois que o fresco foi começado a ser pintado; e veremos descobrimentos assombrosos quando Deus tire este andaime e revele o facto.



O teu retrato e o meu vão sendo pintados, e Deus, com traços e poder, está-nos formando ao Seu próprio ideal. Uma vez por outra o que estás fazendo forma-te a ti mesmo; Deus está operando para te fazer semelhante a Ele. E a declaração maravilhosa é que quando estiveres diante de Deus e vejas o que Ele tem feito por ti, ficarás “satisfeito”. Oh palavra que tens vindo vagando solitário e sem alojamento desde que começou o mundo, e as estrelas da manhã cantam juntas com gozo! Haverá uma criatura humana que possa achar-se nesta velha Terra, vestida de carne, e dizer: “Estou satisfeita”? Qual é o significado da palavra? Suficientemente cheio; completamente cheio, cheio em todas as partes. E quando a obra de Deus está completa, nós estaremos em pé diante dEle, e, com o brilhante ideal e a glorificada concepção de aspiração celestial sobre nós, levantados os olhos para Deus, e sobre nós mesmos, vamos dizer: “Estou satisfeito, porque nós deveremos ser como Ele. Ámen. Por que não estaremos satisfeitos?” Henry Ward Beecher, in “Royal Truths,” 1862.



Inclusive sob o peso e combinação de tantos males e aflições, David comporta-se como quem não perdeu a esperança nem se sente abandonado; sim, compara a sua situação com a deles e, neste estado abatido do seu curso, desafia-os quanto à felicidade. William Spurstow, 1656.



Quando um conquistador romano tinha ido à guerra e alcançado grandes vitórias, regressava a Roma com os seus soldados e entrava privadamente na sua casa, e nela se entretinha até ao próximo dia, em que devia sair da cidade, para voltar a entrar publicamente, em triunfo. Agora, os santos, diríamos, entram privadamente no Céu, sem os seus corpos; mas, no último dia, quando os seus corpos despertarem, vão entrar nos seus carros triunfantes. Parece-me estar vendo esta grande procissão, em que Jesus Cristo, indo adiante, com muitas coroas sobre a Sua cabeça, com o Seu corpo glorioso, resplandecente e imortal, dirige a marcha.



Estarei satisfeito” naquele glorioso dia quando todos os anjos de Deus virão, para ver os triunfos de Jesus, e quando o Seu povo será vitorioso com Ele. “Spurgeon's Sermons,” N.º 25. Title, The Hope of Future Bliss.



Quando um homem tem sede que ele seja levado a um oceano de água pura, então ele tem o suficiente. Se há suficiente em Deus para satisfazer os anjos, então, sem dúvida, há suficiente para nos satisfazer a nós. Há gozos renovados que brotam continuamente do Seu rosto; e são tão desejáveis agora como dentro de milhões de anos para as almas glorificadas. Se há tanto deleite em Deus quando O vemos somente pela fé (1Pe 1:8), qual será o gozo da visão quando O veremos cara a cara! Se os santos acham tanto deleite em Deus enquanto estão sofrendo, oh, que gozo e deleite não terão quando estiverem coroados! Quem pode comparar algo com a Divindade? Quem pode sopesar uma pluma com uma montanha de ouro? Deus excede todas as coisas de modo mais infinito do que o Sol excede a luz de uma vela. Thomas Watson



Dizem que os gauleses, quando provaram pela primeira vez os vinhos da Itália, ficaram tão agradados do seu sabor e doçura que, não contentando-se com o ir buscá-los ali, decidiram conquistar a terra que os produzia. Assim a alma sincera crê que não basta receber um pouco agora e depois outro pouco da graça e consolo do Céu, num comércio à distancia com Deus nas Suas ordenanças aqui em baixo, mas que projeta e medita numa conquista desta terra santa e lugar bendito do qual procedem tais mercadorias, para que possa beber o vinho deste reino. William Gurnall



Há um triplo significado neste versículo: 1. Os santos deleitar-se-ão grandemente no estado glorioso em que ressuscitarão. 2. Vão deleitar-se grandemente em Jesus, em Quem e por Quem foram trazidos para a luz da ressurreição e da imortalidade. E, 3. Deleitar-se-ão grandemente ao contemplar a face bem-aventurada e reconciliada de Jeová, o Pai, a Quem os olhos da carne não podem ver. Benjamin Weiss, in loc, 1858.







Nota do Tradutor:
[1] Dive e Lázaro ou Lázaro e Dives é uma narrativa atribuída a Jesus que está registrada só no Evangelho de Lucas (Lucas 16:19-31). Também é conhecida como "O homem rico e Lázaro, o Mendigo". No texto bíblico da Vulgata, desde que o homem rico não é mencionado, que ele é referido como Dives, de dives, a palavra latina para homem rico. ["Luke, chapter 16 verse 19". The Bible - Latin Vulgate. Vatican. http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_nt_evang-lucam_lt.html#16. Retrieved on 2006-06-30. - "homo quidam erat dives et induebatur purpura et bysso et epulabatur cotidie splendide"].


Mota e Tradução de Carlos António da Rocha

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