… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 18 de abril de 2017

18 de abril


William MacDonald
Um dia de cada vez
18 de abril
“Agora vemos as coisas como num espelho e de maneira confusa.” (1Co 13:12, BPT, Pt)


Poucas vezes isto é tão evidente como quando vamos à mesa do Senhor para recordá-Lo a Ele e à Sua morte por nós. “Vemos as coisas como num espelho e de maneira confusa.”

Parece haver um véu espesso e impenetrável. Por um lado, estamos nós com todas as nossas limitações. Pelo outro, está todo o grande drama da redenção: Belém, Getsêmane, Gabata, o Calvário, o Sepulcro vazio, Cristo exaltado à dextra de Deus. Percebemos que em tudo isto há algo vastíssimo, e procuramos assimilá-lo, mas, no intento sentimo-nos mais como torrões de lodo do que como seres vivos.

Procuramos entender os sofrimentos do Salvador pelos nossos pecados. Esforçamo-nos por captar o horror do Seu ser abandonado por Deus Pai. Sabemos que suportou o tormento que nós devíamos ter sofrido, por toda a eternidade. Todavia, sentimo-nos frustrados ao darmo-nos conta de que há muito mais. Estamos na margem de um mar inexplorado!

Pensamos naquele Amor que entregou o melhor do Céu pelo pior da Terra. Comovemo-nos ao recordarmo-nos que Deus enviou o Seu Filho Unigénito a esta selva de pecado para procurar e salvar o que se havia perdido. Estamos tratando com o Amor de Deus, um Amor que ultrapassa todo o conhecimento, e nós só em parte O conhecemos.

Cantamos sobre a Graça do Salvador, O qual, ainda que fosse rico, por nossa causa se fez pobre, para que pela Sua pobreza pudéssemos ser enriquecidos. Isto é suficiente para deixar boquiabertos os anjos. Os nossos olhos esforçam-se procurando espionar as vastas dimensões desta Graça incomparável, mas é em vão. Estamos limitados pela nossa curta vista humana.

Sabemos que deveria comover-nos a contemplação do Seu sacrifício no Calvário, mas somos frequentemente tão estranhamente impassíveis... Se realmente entrássemos no outro lado do véu, choraríamos a lágrimas despregadas e teríamos que confessar:

De mim mesmo fico surpreso,
Ao pensar em Ti, Cordeiro amante, agonizante,
Ao percorrer com o olhar este mistério
Que não possa ser movido a amar-Te mais, enternecido.

Devemos interrogarmo-nos com as palavras do poeta:

Sou uma pedra, e não um homem, que eu possa,
Oh Cristo, sob a Tua cruz estar,
E gota a gota contar,
O Teu lento sangrar,
E, contudo, não posso eu chorar?

Como os dois discípulos no caminho de Emaús, os nossos olhos foram abertos. Ansiamos, com ardente anelo, aquele tempo, quando o véu será tirado e possamos ver com melhor cuidado, o tremendo significado, do pão partido e do vinho derramado.

Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: