… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

26 de abril

William MacDonald
Um dia de cada vez
26 de abril
“Nunca me lavarás os pés.” (Jo 13:8, ARC, Pt)

O Senhor Jesus cingiu-Se com uma toalha e logo pôs água numa bacia, preparando-Se para lavar os pés aos Seus discípulos. Quando Se aproximou de Pedro, este disse enfaticamente: “Nunca me lavarás os pés.”

Por quê? Porque é que Pedro não quis submeter-se a este bondoso ministério do Senhor? Possivelmente, sentiu-se indigno de que o seu Senhor o servisse. Mas, possivelmente a sua atitude foi de orgulho e de independência. Não quis pôr-se na posição de recipiente; não queria depender da ajuda de ninguém.

Esta mesma atitude é o principal impedimento para que muita gente se salve. Querem ganhar a salvação pelos seus próprios méritos, e resistem a recebê-la como um dom gratuito da graça; sentem que isto os rebaixa na sua dignidade. Não querem sentir-se em dívida com Deus. Mas: “Aquele que é demasiado orgulhoso para endividar-se infinitamente, jamais poderá ser cristão.” (James S. Stewart)

Aqui há também uma lição para os que já são cristãos. Todos nos encontramos alguma vez com crentes que são doadores compulsivos. Estão sempre fazendo algo pelos demais. As suas vidas derramam-se servindo os seus parentes e vizinhos. Merecem ser louvados pela sua generosidade. Mas há mosca no perfume! Nunca querem ser recipientes, nem permitem que ninguém faça nada por eles. Aprenderam a dar generosamente, mas não aprenderam a receber de graça. Desfrutam da bênção de ministrar aos outros, mas negam aos outros que lhes ministrem a mesma benção, como eles fazem.

O próprio Paulo mostrou-se como um recipiente agradecido dos dons dos filipenses. Ao dar-lhes graças dizia: “Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta.” (Fl 4:17, ARC) Pensava mais na recompensa deles que na sua própria necessidade.

“Conta-se do sr. Westcott que, perto do fim dos seus dias, dizia que tinha cometido um grande erro. Pois ainda que tivesse estado sempre disposto a trabalhar pelos outros até ao limite da sua capacidade, nunca permitiu que outros o fizessem para com ele, e como resultado tinha perdido alguns ingredientes da doçura e da realização. Não se tinha permitido a si mesmo a disciplina de receber muitas bondades que não poderiam ser correspondidas.” (J. O. Senderos)

Um poeta desconhecido resumiu isto bem ao escrever:

Tenho por grande a quem, por causa do amor,
Pode dar com coração ardente e generoso;
Mas o que toma por causa da doçura do amor,
Tenho-o por mais generoso ainda e não orgulhoso.



Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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