… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 9 de abril de 2017

9 de abril



William MacDonald
Um dia de cada vez

9 de abril

“Como um cordeiro foi levado ao matadouro...” (Is 53:7, ARC, Pt)

Uma vez vi como morria um cordeiro. Foi uma cena terrível e comovedora.

Ao ser levado para o lugar de execução, parecia especialmente formoso. Aos meninos teria encantado abraçá-lo. As crias de qualquer espécie são muito bonitas —gatinhos, cãezinhos, pintainhos, bezerros e potros— mas um cordeiro é peculiarmente belo.

Ali de pé, era um quadro da inocência. O seu branco velo sem mancha dava a aparência de pureza. Era suave e aprazível, indefeso e desvalido. Os seus olhos, singularmente expressivos, cheios de medo, eram de uma emoção comovedora. Parecia não haver razão para que alguém tão formoso e jovem tivesse de morrer.

Ataram-lhe as patas, e, estendido sobre um flanco, respirava pesadamente como se pressentisse a proximidade da morte. Com um destro movimento, o magarefe passou-lhe a faca pela garganta e o sangue derramou-se sobre o chão. O pequeno corpo convulsionava-se com as angústias da morte; um pouco depois jazia imóvel. O nobre cordeiro tinha morrido.

Alguns dos espetadores ocultaram a vista daquela cena desoladora; era muito triste para se ver. Outros choravam. Ninguém queria falar.

Pela fé vejo outro Cordeiro morrendo: o Cordeiro de Deus. A cena é bendita e terrível.

Este Cordeiro é em tudo cobiçável, destacado entre dez mil, o mais justo dos justos. Quando é levado ao lugar de execução, está na flor da vida.

Não só é inocente, mas também é santo, inofensivo, separado dos pecadores e sem mancha. Não parece haver razão para que alguém tão puro tenha de morrer.

Mas os seus verdugos tomam-no e fixam com pregos as Suas mãos e pés à Cruz. Ali sofre os densos tormentos e os horrores do Inferno como Substituto dos pecadores. Apesar de tudo isto os Seus olhos estão cheios de amor e perdão.

Mas o tempo do Seu sofrimento chega ao fim. Entrega o espírito e o Seu corpo pende flácido da Cruz. Um soldado atravessa o Seu flanco... Sangue e água fluem aos borbotões. O Cordeiro de Deus morreu.

O meu coração está transbordando. Lágrimas ardentes correm livremente. Caio de joelhos, agradeço-Lhe e louvo-O! Ele morreu por mim! Nunca cessarei de O amar.



Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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