… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 9 de abril de 2017

9 de abril



C. H. Spurgeon
Leituras Matutinas
9 de abril

“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos e o lamentavam.” (Lc 23:27, ARC, Pt)

NO meio da multidão que acompanhava Jesus à morte, havia algumas almas piedosas cuja amarga angústia se desabafava em soluços e lamentações, música apropriada para acompanhar aquela marcha de aflição. Quando a minha alma pode ver, em imaginação, o Salvador levando a Sua cruz até ao Calvário, ela une-se às mulheres piedosas e chora com elas, porquanto, de facto, há ali motivo justificado para a dor, mais justificado do que aquelas desoladas mulheres pensavam. Elas choravam a inocência maltratada, a bondade perseguida, o amor a sangrar, a mansidão que morria. Porém, o meu coração tem um motivo mais profundo e mais amargo para chorar. Meus pecados foram os açoites que laceram aqueles benditos ombros, e coroaram com espinhos aquelas frontes a sangrar; meus pecados gritaram: “Crucifica-O! Crucifica-O!”, e colocaram a cruz sobre os Seus ombros misericordiosos. Na Sua marcha para o Calvário há dor suficiente para uma eternidade, mas no facto de eu ter sido o Seu assassino, há mais, infinitamente mais aflição do que o que uma pobre fonte de lágrimas pode expressar.

Não é difícil adivinhar por que aquelas mulheres amaram e choraram, porém elas não poderiam ter tido maiores razões para amar e lamentar do que tem o meu coração. A viúva de Naim viu o seu filho ressuscitado, mas eu vejo-me a mim mesmo ressuscitado em novidade de vida. A mãe da esposa de Pedro foi curada de febre, mas eu fui curado da praga mais grave de pecado. De Madalena saíram sete demónios, mas uma inteira legião deles saiu de mim. Maria e Marta foram favorecidas com visitas de Jesus, mas eu com a Sua permanência em mim. Sua mãe deu à luz O Seu corpo, mas Cristo, a esperança de glória, está formado em mim. No que respeita a dívidas, em nada fico atrás das santas mulheres; que eu tampouco fique atrás delas em gratidão ou tristeza.

“O amor e o pesar meu coração dividindo,
Com minhas lágrimas Seus pés lavo-
Constante, tranquilo, no coração esperando,
Chorando por Ele que morreu para salvar.”




Tradução de Carlos António da Rocha

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