… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 13 de maio de 2017

SALMO 20

C. H. Spurgeon
 O Tesouro de David
 SALMO 20
Tema: Temos diante de nós um hino nacional apropriado para ser cantado no começo de uma guerra, quando o monarca está cingindo a espada para o combate. Se David não tivesse sido afligido com guerras, jamais teríamos sido favorecidos com um salmo assim. Há necessidade de que o santo seja afligido, para que possa dar consolação a outros.



Vers. 1. O Senhor te ouça no dia da angústia. Que misericórdia que possamos orar no dia da tribulação, e que privilégio bendito que nenhuma tribulação possa impedir que o Senhor nos escute! As tribulações rugem como o trovão, mas a voz do crente pode ser ouvida por cima da tempestade. C. H. S.



Todos os dias de Cristo foram dias de tribulação. Ele foi um irmão nascido para a adversidade, um varão de dores e experimentado em aflições... Mas de modo mais particular foi um “dia de angústia em que esteve no Jardim, pesaroso e angustiado, suando gotas de sangue que caíam no chão, e a Sua alma estava angustiada até à morte; mas mais especialmente ocorreu isto enquanto colgava na cruz..., quando levava todos os pecados do Seu povo, aguentou a ira de Seu Pai e foi desamparado por Ele. Condensed from John Gill.



E para quem há dos filhos dos homens a quem não chega um dia de tribulação, cujo caminho não seja escuro às vezes, ou que veja o sol, sem nuvens, do berço à sepultura? “Há poucas plantas” —diz o velho Jacomb— “que tenham sol pela manhã e pela tarde”; e um muito mais velho que ele disse: “O homem nasceu para a tribulação.” Um “dia de angústia”, então, é a herança de todos os filhos de Adão. Quão doce, como já disse, quão doce como o desejo de que, “O Senhor te ouça no dia da tribulação.” É a oração de um outro em nome de algumas tribulações, e implica que o próprio atribulado tenha ele próprio, também orado, “O Senhor te ouça”, ouve e responde à tua oração! Barton Bouchier.



O nome do Deus de Jacob te proteja. Quanto mais conhecemos o Seu nome, isto é, a Sua bondade, misericórdia, verdade, poder, sabedoria, justiça, etc., mais ousadamente Lhe pedimos a Ele, não duvidando que Ele vai responder-nos... Porque aqueles que têm mais crédito pelo Seu amor à liberdade e à compaixão são os que primeiro acudirão para ajudar aos necessitados, e os pobres dirão: “Vou para esta casa, porque tem boa fama.” “Medicines for the plague; that is, Godly and Fruitful Sermons upon part of the Twentieth Psalme, full of instructions and comfort; very fit generally for all times of affliction, but more particularly applied to this late visitation of the Plague. Preached at the same time at Norton in Suffolke, by Nicholas Bownd, Doctor of Divinite. 1604.” [Twenty-one Sermons on verses 1-6. 4to.]



Vers. 2. Envie-te socorro desde o seu santuário. Os homens do mundo desprezam a ajuda do santuário, mas os nossos corações aprenderam a valorizá-la mais do que toda ajuda material. Há os que procuram ajuda na armadura, no tesouro, na despensa, mas nós voltamo-nos para o santuário. C. H. S.



Aqui vemos a natureza da verdadeira fé, que faz com que procuremos a nossa ajuda no céu, e por isso oramos pedindo-a quando não há nada ao redor, na Terra, visível. E esta é a diferença entre a fé e a incredulidade: que os próprios não crentes podem pela razão conceber ajuda, sempre e quando tiverem algum meio para ajudar; mas se falharem, já não podem ver nada mais; de modo que são como os curtos de vista, que não podem ver nada, a menos que esteja muito perto. Mas a fé vê à distância, inclusive chega ao Céu, de modo que é “a evidência das coisas que não se vêem”. Nicholas Bownd, Doctor of Divinite. 1604.



Vers. 3. Lembre-se de todas as tuas ofertas, e aceite os teus holocaustos (Selah). Antes da guerra os reis ofereciam sacrifícios de cuja aceitação eles dependiam para a vitória; o nosso Senhor apresenta-Se a si mesmo como vítima, e foi um aroma suave para o Altíssimo, e depois empreendeu o combate e derrotou às legiões do inferno. C. H. S.



Todas as tuas ofertas. Estas são: a humilhação que O trouxe do Céu à Terra; a Sua paciente permanência no seio da Virgem mãe; a Sua humilde natividade; a dura manjedoira; o boi e o asno como cortesãos; a fuga penosa para o Egipto; a casita de Nazaré; o fazer bem e suportar o mal; os milagres, os sermões, os ensinos; o ser repreendido como homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores; a atribuição de Seus atos maravilhosos a Belzebu.



E aceite o teu holocausto. Como cada parte da vítima era consumida num holocausto, que membro, que sentido do nosso amado Senhor não sofreu agonias na Sua paixão? A coroa de espinhos sobre a Sua cabeça; os pregos nas Suas mãos e nos Seus pés; as reprimendas que encheram os Seus ouvidos; as multidões burlando-se da Sua agonia; o vinagre e o fel; os fedores da colina da morte e da corrupção. Arados araram sobre as Suas costas e fizeram sulcos profundos; o Seu rosto sagrado foi ferido por mãos insolentes, e a Sua cabeça com uma cana. Dionysius, and Gerhohus (1093-1169), quoted by J. M. Neale.



Aceitar: em hebreu “transformar em cinzas”, pelo fogo do céu, como prova da sua aceitação, como era costume. Matthew Poole.



Vers. 5. Nós nos alegraremos pela tua salvação. Deveríamos fazer a resolução de que, venha o que vier, regozijar-nos-emos no braço salvador do Senhor Jesus. As pessoas neste Salmo, antes de que o seu rei fosse para a batalha, estão seguras da vitória e, portanto, começam a regozijar-se de antemão; quanto mais deveríamos fazê-lo nós, que temos visto a vitória ser ganha completamente! A incredulidade começa a chorar pensando no enterro antes que o doente tenha morrido; por que não deve a fé fazer soar os pífaros antes que comece a dança da vitória? C. H. S.



E em nome do nosso Deus. Como os que gritaram (Jz 7:20): “A espada de Jeová e do Gedeão”; e como temos em Js 6:20: “E o povo gritou, e as muralhas do Jericó caíram”; e o rei Abias, gritando com os seus homens da mesma maneira, fez enormes estragos no exército do Israel (2Cr 13:17). O mesmo acontece agora, segundo os costumes militares do nosso tempo, os soldados gabam-se no nome e na glória do seu general, a fim de animar-se contra os seus inimigos. E é precisamente este costume o que o versículo presente nos está ensinando, só que numa forma piedosa e religiosa. Martin Luther.



Vers. 6. Ele o ouvirá. Estaria contente de ser objeto das orações de todas as Igrejas de Cristo; oh, se não houvesse um santo na terra que não tivesse o meu nome nas suas orações pela manhã e pela tarde (sejas tu quem fores que lês isto, rogo-te que ores por mim), mas, acima de tudo, deixai-me possuir as orações e intercessões que são próprias só de Cristo; estou seguro de que então nunca fracassarei; as orações de Cristo são celestiais, gloriosas e muito efectivas. Isaac Ambrose, 1592-1674.



Vers. 7. Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus. Os carros e os cavalos são imponentes ante os olhos, e com os seus arreios e os seus adornos têm um aspeto que entusiasma os homens; mas o olho discernente da fé vê mais no Deus invisível que neles. A máquina de guerra mais temida nos tempos do David era o carro de guerra, armado com foices, que segava os homens como se fossem erva; isto era o orgulho e glória das nações vizinhas, mas os santos consideravam o nome do Senhor como uma melhor defesa.



O nome de nosso Deus é Jeová, e isto jamais deve ser esquecido; este EU SOU existente por Si mesmo, independente, imutável, sempre presente e infinito. Adoremos este Nome incomparável e nunca O desonremos ao desconfiar dEle ou pondo a nossa confiança na criatura. C. H. S.



Seria pelo tempo de S. Miguel, no fim de setembro (a 29, exactamente quando os católicos o festejam), quando, achando-me num apuro de dinheiro extremo, saí para o campo, com um tempo esplêndido, e contemplando o céu azul, o meu coração foi fortalecido na sua fé (algo que eu não atribuo aos meus próprios poderes, a não ser somente à graça de Deus), de modo que pensei dentro de mim: “Que coisa tão excelente é que não tenhamos nada, e não possamos confiar em nada, excepto no Deus vivo, que fez os céus e a terra, e a nossa única confiança é Ele, e que isto nos permita estar tranquilos no próprio coração da necessidade!”



Ainda que me dava conta de que necessitava de dinheiro naquele mesmo dia, contudo, o meu coração sentia-se fortalecido na fé e o meu ânimo era elevado. Ao chegar a casa esperava-me o capataz dos operários e pedreiros, o qual, como era sábado, esperava receber o dinheiro com o qual lhes pagava a soldada. O homem confiava em que o dinheiro estaria preparado para lhes poder pagar na ocasião, mas ao perguntar-me se tinha o que lhe dar, e se tinha recebido algo, eu respondi-lhe: “Não, mas tenho fé em Deus.”



Logo que tinha pronunciado estas palavras, acabou de chegar um estudante para me anunciar que trazia trinta dólares que alguém lhe tinha dado, cujo nome não me podia dizer. A seguir, fui ter com o capataz, que esperava noutro aposento, e perguntei-lhe quanto necessitava para pagar aos obreiros; respondeu-me: “Trinta dólares”. “Aqui estão”, disse-lhe, e perguntei-lhe, ao mesmo tempo, se necessitava de algo mais. Ele respondeu-me que não, o que fortaleceu muito a fé dos dois, posto que se tinha feito evidente a milagrosa mão de Deus que havia resolvido a dificuldade enviando o dinheiro no mesmo momento em que o necessitava. Augustus Herman Frank, 1663-1727.



Vers. 8. Uns encurvam-se e caem. O mundo, a morte, Satanás e o pecado serão pisoteados sob as plantas dos pés dos campeões da fé, enquanto que aqueles que confiam no braço da carne serão envergonhados e ficarão confundidos para sempre. C. H. S.


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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