… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

SALMO 21

C. H. Spurgeon
 O Tesouro de David
 SALMO 21


Se pedirmos um benefício e o recebemos, antes de que o Sol se ponha temos de louvar a Deus por esta misericórdia, ou bem merecemos que no-la negue da próxima vez. Este Salmo tem sido chamado o cântico triunfante de David, e podemos recordá-lo como “A ode triunfal do rei”. “O Rei” é muito proeminente em tudo, e isto o leremos com verdadeiro proveito se a nossa meditação sobre Ele for suave, enquanto a considerarmos. Devemos-Lhe a coroa de glória da nossa salvação; assim como Lhe devemos cantar o Seu amor, e também louvar o Seu poder. O próximo salmo irá levar-nos aos pés da cruz, isto leva-nos aos degraus do trono. C. H. S.



Estou persuadido de que não há ninguém que consinta na aplicação do Salmo precedente a Cristo na Sua tribulação que não reconheça neste a Cristo no Seu triunfo.



Ali estava Ele no vale escuro, no vale de Acor; agora está no monte do Sião; ali sofria tribulação e aflição; agora recorda somente a angústia, porque o gozo de uma semente espiritual nasceu no mundo; ali estava assediado por inimigos mortais que O rodeavam por todos lados; mas aqui entrou no que está escrito no Salmo 78:65 e 66: “Então o Senhor despertou, como de um sono, como um valente a quem vinho excitasse. E feriu os seus adversários, que fugiram, e pô-los em perpétuo desprezo.” Hamilton Verschoyle



Vers. 1. O rei alegra-se no teu poder, oh SENHOR. Jesus é uma personagem real. A pergunta “Logo, tu és rei?” recebeu a sua plena resposta dos lábios do Salvador: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.”



Não é um rei meramente, mas o Rei; rei sobre as mentes e os corações, reinando com um domínio de amor ante o qual todos os outros domínios são mera força bruta. Foi proclamado Rei incluso na cruz, porque ali, verdadeiramente, para o olho da fé, reinou como num trono, abençoando com mais que munificência imperial aos filhos necessitados da Terra. C. H. S.



Tua força... Tua salvação. Não achamos motivo para o gozo na força sozinha. Não, não na força de Deus, se não levar consigo, além disso, salvação. Força, não para nos derrubar, mas força para nos livrar; este é o aspeto gozoso. Agora, olhemo-lo do outro lado. Como a força, termina em salvação, é motivo de gozo, deste modo a salvação, se for com a força, faz com que o gozo seja ainda mais gozoso; porque passa a ser uma forte salvação, uma poderosa libertação. Launcelot Andrews (Bishop), 1555-1626, in "Conspiracie of the Goweries."



O gozo de que aqui se fala é descrito como uma nota de exclamação e uma palavra de surpresa: como! O gozo de nosso Senhor ressuscitado tem de ser inefável como a Sua agonia. Se os montes do Seu gozo se elevam em proporção à profundidade dos vales da Sua aflição, então a Sua sagrada bem-aventurança é tão alta como o sétimo céu. Porque, pelo gozo que estava posto diante de Si sofreu a cruz, menosprezando o opróbrio, e agora o gozo cresce diariamente, porque repousa no Seu amor e regozija-Se sobre os Seus redimidos com cânticos quando na sua devida ordem são levadas a achar a sua salvação pelo Seu sangue.



Regozigemo-nos na nossa salvação com o nosso Senhor, posto que vem de Deus, chega a nós, estende-se a outros, e pronto vai alcançar a todos os países. Não devemos temer regozijar-nos em excesso a este respeito; este fundamento sólido vai sustentar o magnífico edifício do gozo. Os gritos dos primitivos metodistas no entusiasmo do seu gozo eram muito mais compreensíveis do que a nossa própria tibieza. O nosso gozo deveria ter algo de inexprimível. C. H. S.



E não lhe negaste a petição de seus lábios. O que está no poço do coração é seguro que sairá no balde dos lábios, e as únicas orações corretas são as do desejo do coração, primeiro, e depois as seguidas pela petição dos lábios.



Vers. 3. Pois o provês das bênçãos de bondade, ou noutra versão, Porque lhe saíste ao encontro com bênçãos venturosas. A palavra “prover”, ou sair ao encontro, significa preceder ou ir diante, e sem dúvida o SENHOR precedeu ao seu Filho com bênçãos. Antes que morressem, os santos eram salvos pelo mérito antecipado da Sua morte; antes, de que Ele viesse os crentes viam o Seu dia e estavam contentes; e Ele mesmo tinha os Seus deleites com os filhos dos homens.



O Pai está tão disposto a dar bênçãos através do Seu Filho que, em vez de ser constrangido a conceder a Sua graça, vai mais adiante que a marcha mediadora da misericórdia. “Não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai; Pois o mesmo Pai vos ama.” Antes que Jesus chame, o Pai responde, e ainda quando Jesus está falando, já Ele ouve. As misericórdias podem ser comparadas com o sangue, porque são dadas gratuitamente. O amor do SENHOR não é devido ao sacrifício do Redentor, mas este amor, com as suas bênçãos de bondade, precede a grande expiação e provê a expiação para a nossa salvação.



Leitor, será muito acertado e ditoso da tua parte se, como teu Senhor, podes ver de uma vez a providência e a graça precedendo-te, saindo ao encontro das tuas necessidades e preparando o teu caminho. A misericórdia, no caso de muitos de nós, vai adiante dos nossos desejos e orações, e vai sempre mais depressa do que os nossos esforços e expectativas, e até as nossas esperanças ficam atrás. A graça previdente merece cânticos; podemos fazer unir-nos a esta cláusula: prorrompamos em gritos. C. H. S.



Como se dissesse: “Senhor, nunca te pedi um reino, e nunca tinha pensado num reino, mas Tu me tens precedido com as Tuas bênçãos e a Tua bondade.” Donde chego a esta conclusão ou doutrina: que é uma coisa doce e digna de todo nosso reconhecimento e agradecimento o ser precedido pelas bênçãos da bondade de Deus ou pela boas bênçãos de Deus.



Não é nada novo que Deus saia ao encontro dos Seus filhos com amor e misericórdia. É desta forma que sempre nos tem tratado, nos trata e nos tratará; assim tem tratado sempre com o mundo, com as nações do mundo, com as cidades e os povos, com as famílias e com as almas particulares.



E diz-me: o que pensas, deste capítulo de Lucas, o décimo quinto? Há três parábolas: a parábola da moeda perdida, a da ovelha perdida, e a do filho perdido. A mulher tinha perdido a moeda e varreu para a achar, mas, dirigiu-se a moeda para a mulher, ou, a mulher para a moeda?



O pastor tinha perdido a sua ovelha, mas deu a ovelha os primeiros passos para achar o pastor, ou foi o pastor o que procurou a ovelha? Verdadeiramente, diz-se com respeito ao filho perdido que o filho tomou a resolução: “Irei ter com meu pai”, mas quando o seu pai o viu de longe, correu e foi ao seu encontro, beijou-o e deu-lhe as boas-vindas a sua casa. Porquê? Para mostrar que a obra da graça e da misericórdia são realizadas de forma prévia pelo preveniente amor. Condensed from William Bridge, 1600-1670.



Uma grande porção da nossa bênção é nos dada antes de que a peçamos ou a busquemos. A existência, a razão, o intelecto, o nascimento num país cristão, a chamada da nossa nação ao conhecimento de Cristo, e Cristo mesmo, com muitas outras coisas, são-nos concedidas amtes que as busquemos, como o direito de David ao trono lhe foi concedido. Ninguém pediu nunca um Salvador, até que Deus por Sua própria conta prometeu “a semente da mulher”. William S. Plumer



Pões na sua cabeça uma coroa de ouro fino. Jesus levou a coroa de espinhos, mas agora leva a coroa de glória. É uma “coroa” que indica natureza real, poder imperial, honra merecida, conquista gloriosa e governo divino. Napoleão coroou-se a si mesmo, mas o SENHOR coroou ao Senhor Jesus; o império daquele derreteu-se numa uma hora, mas o Outro tem um domínio permanente. C. H. S.



Vers. 4. Vida te pediu. Ezequias pediu mais vida, e Deus deu-lhe mais quinze anos, o que nós consideramos como duas vidas. Ele dá generosamente, e a Sua própria medida; como fez o grande Alexandre quando deu uma cidade ao mendigo; e quando enviou ao seu professor um barco cheio de incenso e lhe mandou que sacrificasse com abundância. John Trapp



Vers. 5. Grande é a sua glória pela tua salvação. Senhor, quem é como Tu? Salomão, em toda a sua glória não podia comparar-se Contigo, Tu que foste durante um tempo o desprezado Homem do Nazaré! C. H. S.



Suponhamos que todas as areias da praia, todas as flores, ervas, folhas, raminhos e árvores dos bosques, todas as estrelas dos céus, todas as criaturas racionais, tivessem a sabedoria e as línguas dos anjos para expressar a formosura, a glória e a excelência de Cristo que uma vez subiu ao céu e está sentado à mão direita do Pai. Mesmo assim ficariam curtos, com todo este louvor, em milhões de léguas de chegar ao que Jesus Cristo merece. Isaac Ambrose



De honra e de majestade o revestiste, ou noutra versão, Honra e majestade puseste sobre ele. Se há um peso eterno de glória, sobremaneira grande, para os Seus humildes seguidores, qual há de ser o do nosso próprio Senhor? Todo o peso do pecado foi posto sobre Ele; é apropriado que a medida plena da glória seja posta sobre a mesma Pessoa amada. Uma glória comensurada com seu opróbrio é a que tem que receber, porque Ele a tem ganho.



Não é possível que honremos a Jesus demasiado; aquilo que o nosso Deus Se deleita a fazer, nós podemos certamente fazê-lo até ao máximo. C. H. S.



Feliz o que deixa um osso ou um braço para o pôr na coroa sobre a cabeça do nosso Rei, cujo carro está coberto de amor. Se houvesse dez mil e milhões de céus criados sobre os céus mais altos, e outros tantos em cima deles, e outros tantos sobre estes, até que os anjos se cansassem de contá-los, o lugar seria muito humilde para estabelecer o trono principesco de nosso Senhor Jesus nele. Samuel Rutherford



Vers. 7. Porque o rei confia no SENHOR, e, pela misericórdia do Altíssimo, nunca vacilará. A misericórdia eterna assegura o trono mediador de Jesus. Aquele que é mais alto em todo o sentido ocupa todas as Suas perfeições infinitas em manter o trono de graça sobre o qual reina o nosso rei em Sião. Não foi desviado do Seu propósito, nem pelos Seus sofrimentos, nem pelos seus inimigos, nem será desviado do cumprimento dos Seus desígnios. Ele é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente. C. H. S.



Vers. 8. A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua mão direita alcançará aqueles que te aborrecem, ou noutra versão, Quem pode resistir ao dia da sua vinda? Se os irmãos de José estavam tão aterrorizados que não sabiam o que lhe responder quando ele lhes disse: “Eu sou José vosso irmão”, o que ocorrerá aos pecadores quando ouvirem a voz do Filho de Deus, quando Ele vier triunfante sobre eles na Sua ira, e lhes diga: “Eu sou Aquele” a quem desprezastes; “Eu sou Aquele” a quem ofendestes; “Eu sou Aquele” a quem crucificastes?



Se estas palavras “Eu sou” fizeram cair de costas aos soldados no horto das Oliveiras (Jo 18:6), ainda que tenham sido pronunciadas com naturalidade, o que ocorrerá quando a Sua indignação saia aos borbotões e caia sobre os Seus inimigos como um raio que os reduza a pó? Então gritarão aterrorizados e dirão às montanhas: “Caiam sobre nós, e escondam-nos do rosto d’Aquele que está sentado no trono, e da ira do Cordeiro” (Ap 6:16). James Nouet



Vers. 9. Tu os farás como um forno aceso, quando te manifestares; o Senhor os devorará na sua indignação, e o fogo os consumirá, ou noutra versão, Tu os farás como um forno de fogo no tempo da tua ira. Como fazes à lenha num forno, arderão sob a ira do Senhor; “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes, ou noutra versão, “serão lançados num forno de fogo; ali haverá o pranto e o ranger de dentes.”



Leitor, não consintas no mais leve pensamento que despreze o Inferno ou pronto vais ter pensamentos tolerantes com o pecado. O Inferno dos pecadores deve ser terrível além de toda a conceção, pois de outro modo não se usaria a linguagem que temos aqui. Quem quer ter o Filho de Deus como um inimigo, quando este fim é o que os espera?



A expressão “o dia da tua ira” recorda-nos que agora é o dia da graça, de modo que há um tempo disposto para a Sua ira. O juiz senta-se no tribunal no momento designado. Há um dia de vingança para o nosso Deus; que os que desprezam o dia da graça recordem este dia da vingança. C. H. S.



E lançá-los-ão na fornalha de fogo, ou noutra versão, não só serão lançados num forno de fogo (Mateus 13:42), mas também eles mesmos serão feitos como um forno de fogo, eles mesmos serão os seus atormentadores; as reflexões e terrores das suas próprias consciências serão o seu Inferno. Os que poderiam ter tido a Cristo para que Ele governasse as suas vidas e os salvasse, mas rechaçaram-nO, e lutaram contra Ele, inclusivamente a lembrança disto será bastante para fazer com que a sua eternidade seja um forno de fogo para eles. Matthew Henry



Nenhum poder nos pode resgatar-nos da ira de Deus; nenhum resgate, excepto o sangue de Cristo, nos pode redimir. Uma vez que a vontade de Deus é posta em marcha, todos os seus atributos a seguem; se a Sua vontade disser: “Estou irado”, os Seus olhos procuram o objecto da Sua ira e acham-no; a Sua sabedoria prepara a taça, e as Suas mãos afiam a espada, o Seu braço dá o golpe. Desta maneira há um dia da ira de Deus para o pecado, porque Ele quer que assim seja. John Cragge



Vers. 11. Porque intentaram o mal contra ti. Deus toma nota das suas intenções. Aquele que quis fazê-lo mas não pôde, é tão culpado como o que o fez. A igreja de Cristo e a Sua causa não só são atacadas pelos que não a entendem, senão também por muitos que têm a luz e a odeiam.



O mal intencional tem um vírus em si que não se acha nos pecados de ignorância; agora, quando os ímpios com malícia preconcebida, atacam o evangelho de Cristo, o seu crime é maior, e o seu castigo será proporcionado. As palavras “contra Ti” mostram-nos que aquele que intenta mal contra o pobre crente, quer o mal contra o próprio Rei; que os perseguidores tenham cuidado.



Maquinaram um ardil, mas não prevalecerão, ou noutra versão, Os que forjam maquinações, não prevalecerão. A falta de poder é o que, como a lama, detém o pé dos que odeiam ao Senhor Jesus.



Têm a maldade de imaginar, a astúcia de intrigar e a malícia de planear iniquidades, mas, bendito seja Deus, fracassam ao tentar executá-las; serão julgados, todavia, pelo que têm no seu coração, e a vontade será tomada como um facto no grande dia em que se acertarão contas. C. H. S.

Tradução de Carlos António da Rocha

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