… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

SALMO 24


C. H. Spurgeon
 O Tesouro de David
 SALMO 24

TÍTULO: “Um salmo do David”. Pelo título só conhecemos quem foi o autor, mas isto, em si, já é interessante e leva-nos a observar as maravilhosas operações do Espírito sobre a mente do doce cantor de Israel, capacitando-o para tocar a corda dolorida do Salmo 22, para derramar as notas suaves de paz do Salmo 23 e, aqui, emitir acordes majestosos e triunfantes. Podemos cantar e fazer todas as coisas quando o Senhor nos fortalece.

Este hino sagrado foi provavelmente escrito para ser cantado quando a Arca da Aliança foi transladada da casa de Obed-edom para permanecer atrás das cortinas no monte de Sião. As palavras não são adequadas para a alegria da dança sagrada com que David abriu o caminho naquela alegre ocasião. O olho do salmista olhou, porém, para além da subida típica da Arca, para a ascensão sublime do Rei da glória. Vamos chamá-lo “O Canto da Ascensão”. Este Salmo está emparelhado com o Salmo 50. C.H.S.

DIVISÃO. O Salmo faz um par com o Salmo 50. É constituído por três partes. A primeiro glorifica o Deus verdadeiro, e canta do Seu domínio universal; a segunda descreve o verdadeiro Israel, que é capaz de comunicar intimamente com Ele, e a terceira narra a subida do verdadeiro Redentor, que abriu as portas do Céu para a entrada do Seu eleito.

Não sei o que outros pensam sobre este ponto, nem pretendo descrevê-lo, mas pela minha parte, não creio que alguém tenha ouvido ou visto algo tão grande, tão solene e tão celestial deste lado das portas do Céu. Patrick Delany, D.D., 1686-1768.

Vers. 1. Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Quão diferente é isto das toscas noções que os judeus tinham de Deus nos tempos de nosso Salvador! Os judeus diziam: “A terra santa é de Deus, e a semente de Abraão é seu único povo”; porém, o seu grande Monarca há muito tempo que os tinha ensinado: “A terra é do SENHOR, e a sua plenitude.” Todo o amplo mundo é reclamado pelo SENHOR, “e os que habitam nele” são declarados Seus súbditos.

Quando consideramos o fanatismo do povo judeu ao tempo de Cristo e a sua indignação contra o nosso Senhor porque Ele disse que havia muitas viúvas em Israel, mas a nenhuma delas foi enviado o profeta, excepto, à viúva de Sarepta, e que havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi curado excepto, Naaman o sírio...

Recordamos que se iraram, também, quando Paulo lhes mencionou que tinha sido enviado para os gentios, assombramo-nos que tivessem permanecido nesta cegueira e, contudo, cantassem este Salmo, que mostra claramente que Deus não é somente o Deus dos judeus, mas também o é dos gentios.

Que repreensão é esta para os que falam dos negros e doutras raças como se elas fossem inferiores, como Se também o Deus do Céu não Se preocupasse com elas! Se um homem é um homem, quem quer que ele seja, o Senhor reclama-o para Ai, e que ninguém se atreva a considerá-lo como uma mercadoria, ai dele! O mais humilde dos homens é um habitante do mundo, e portanto pertence ao SENHOR. Jesus Cristo pôs fim ao exclusivismo nacionalista. Já não há bárbaros, citas, servos ou livres, mas todos somos um, em Cristo Jesus.

O homem vive sobre “a terra” e divide o seu território pelos seus reis e autocratas; mas a terra não é do homem; ele não é apenas mais que um ocupante, alguém a quem a terra é arrendada de forma precária e que pode ser despejado dela, a qualquer momento. O grande latifundiário e verdadeiro proprietário tem o seu assento por cima das nuvens e ri-Se das escrituras e títulos de venda dos vermes, do pó.

Do SENHOR é a terra e a sua plenitude. A terra está cheia da presença de Deus; Ele encheu-a e mantém-na cheia apesar dos requerimentos e abusos das criaturas vivas sobre as suas reservas. O mar está cheio, apesar das nuvens que se levantam sobre ele; o ar está cheio, apesar de todas as vidas que respiram nele; o solo está cheio, ainda que milhares de plantas retirem a sua nutrição dele. C. H. S.

Do SENHOR é a terra. A terra é do SENHOR, isto é, de Cristo, que é o Senhor dos senhores (Ap 19:16); porque todo o mundo e a sua (todas as coisas) plenitude são dEle por este duplo título.

Primeiramente, por doação de Deus, Seu Pai: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mt 28:18) inclusive todas as coisas do Pai são Suas (Jo 16:15); e por consequência é “constituído herdeiro de tudo” (Hb 1:2).

Segundo, a terra é de Cristo, e a sua plenitude, por direito de criação, porque “Ele a fundou”, diz o profeta –e isto duma forma maravilhosa–, “sobre os mares e as águas”... Todas as coisas, pois, são de Cristo, com respeito à criação, todas as coisas foram feitas por Ele” (Jo 1:3); por causa da sustentação, porque Ele sustenta todas as coisas com a Sua palavra poderosa (Hb 1:3); por causa da administração, pois Ele vai de um limite ao outro, e ordena todas as coisas com sabedoria (Pv 8:1); numa palavra, “dEle, e por Ele, e para Ele, são todas as coisas” (Rm 11:36). John Boys

Crisóstomo, que sofreu sob a imperatriz Eudoxia, disse para o seu amigo Ciriaco de que forma se tinha preparado de antemão: “Pensei, vão desterrar-te? “A terra é do Senhor e a sua plenitude. “Vão tirar-me os bens? “Nu nasci no mundo e nu tenho de sair dele.” Vão apedrejar-me? Recordo-me de Estêvão. Decapitar-me? Recordo-me de João, o Baptista”, etc.

Assim deve ser com todos os que tentam viver e morrer consolados; hão-de guardar algo, como dizemos, para o dia chuvoso; hão-de armazenar graças, promessas, prover-se de experiências da bondade de Deus para com os outros e para com eles mesmos, de modo que quando vier o dia mau possam restaurar-se com a provisão feita. John Spencer

“A luz é o semblante do Eterno”, cantou o sol poente. “Eu sou a orla do Seu manto”, respondeu o rubor do alvorada. As nuvens reuniram-se e disseram: “Nós somos a sua tenda nocturna.” E as águas nas nuvens, e as roucas vozes dos trovões uniram-se ao grande coro:

A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas..”

“Ele voa sobre as minhas asas”, sussurrou o vento; e a suave brisa acrescentou: “Eu sou o fôlego de Deus, as aspirações da Sua presença benigna.” “Nós ouvimos os cânticos de louvor”, disse a terra ressequida “tudo ao redor é louvor; eu sozinha estou triste e silenciosa”. Então o orvalho, caindo, replicou: “Não. Eu te nutro, para que sejas renovada e te regozijes, e para que os teus filhos possam florescer como a rosa.” “Brotamos alegremente”, cantaram os prados refrescados; as espigas de trigo menearam-se e disseram: “Nós somos a bênção de Deus, os exércitos de Deus contra a fome.”

“Eu te bendigo das alturas”, disse a delicada voz da Lua; “Nós também te bendizemos”, responderam as estrelas; e o ágil gafanhoto acrescentou: “Eu também, Ele abençoa com a preciosa gota de orvalho.” “Ele mata a minha sede”, disse a gazela; “e me renova”, acrescentou o cervo; “e concede-nos o nosso alimento”, disseram os animais da selva; “e alimenta os meus cordeiros”, disse, agradecida, a ovelha.

“Ele escuta-me”, grasnou o corvo, “quando me sinto abandonado e só”; “ Ele escuta-me”, disse a cabra selvagem das rochas, “quando chega o meu tempo e me nascem as minhas crias”. E a rola e a andorinha e outras aves uniram-se ao canto: “Nós fazemos os nossos ninhos, e as nossas casas, e habitamos sobre o altar do Senhor, e dormimos sob a sombra das Suas asas em tranquilidade e paz.”

“E paz”, replicou a noite, e um eco prolongou o som quando o anunciador da manhã cantou com gozo: “Abri os portais, alargai os portais do mundo! O Rei de glória aproxima-Se. Despertai! Despertai, filhos dos homens; dai louvores e graças ao Senhor, porque o Rei da glória aproxima-Se! “

O Sol levantou-se e David despertou do seu transe melódico. Mas, enquanto viveu, os acordes da harmonia da Criação permaneceram na sua alma, e diariamente recordou-nos nas cordas da sua harpa. From the “Legend of the Songs of the Night,” in the Talmud, quoted in “Biblical Antiquities.” By F. A. Cox, D.D., LL.D., 1852.

Vers. 2. Porque ele a fundou sobre os mares. O mundo é do SENHOR, porque de geração em geração Ele o preserva e sustenta, tendo-lhe posto os seus fundamentos. A Providência e a Criação são os dois selos legais sobre o título de posse do grande Autor de todas as coisas. Ele que edificou a casa e sustenta o seu fundamento sem dúvida tem direito a chamar-lhe Sua. Notemos, sem embargo, sobre que fundamentos tão inseguros estão fundadas todas as coisas. Estão fundadas sobre os mares.

Bendito seja Deus pois o Cristão tem outro mundo para o qual olhar, e repõe as suas esperanças sobre um fundamento mais estável que aquele que oferece este pobre mundo. Os que confiam nas coisas do mundo edificam sobre o mar; porém, nós pusemos as nossas esperanças, pela graça de Deus, sobre a Rocha dos séculos; estamos repousando sobre a promessa de um Deus imutável; dependemos da constância de um Redentor fiel.

Vers. 3. Quem subirá ao monte do SENHOR? É preciso que a criatura suba para que alcance o Criador. Onde está o poderoso alpinista destas enormes alturas? Não é só altura; é glória também. Que olho verá o Rei na Sua formosura e residirá no Seu palácio? C. H. S.

Ser do número dos servos fiéis e verdadeiros de Cristo não é trabalho leve; é uma luta, uma carreira, é uma campanha de guerra contínua; de jejuns e vigílias, de frio e nudez, de fome e sede, de cadeias, de cárceres, de perigos e aflições, de ignomínia e recriminação, de perseguições, do ódio do mundo e do descuido dos amigos; tudo o que chamamos penoso e difícil se acha no caminho que havemos de seguir.

Um homem pode abandonar um desejo carnal, desprender-se de uma má companhia, abandonar o curso do pecado, entrar numa vida de virtude, viver a sua religião ou manter-se firme nela; não pode subir a encosta do monte espiritual a menos que faça frente a uma ou outra destas dificuldades e as vença. Porém não é só o subir, mas também permanecer onde está, como diz a palavra; continuar no seu estado, ser constante na verdade e na piedade, isto será muito difícil, e trará mais dificuldades para continuar a lutar. Mark Frank

Vers. 4. Aquele que é limpo de mãos e puro de coração. Por fora, a santidade prática é uma marca preciosa da graça. O lavar-se com água, como Pilatos, não custa nada, porém, o lavar-se em inocência é que é o importante. É de recear que muitos que professam a religião tenham pervertido a doutrina da justificação pela fé, de tal forma, que tratam as boas obras com desprezo; se é assim, irão receber eterno desprezo naquele grande dia. É em vão que se fala de experiências internas a menos que a vida diária esteja livre da impureza, da desonestidade, da violência e da opressão.

Mas ter “as mãos limpas” não será suficiente a menos que estejam unidas com “um coração puro”. A verdadeira religião é uma obra do coração. Podemos lavar por fora o copo e o prato tanto como queiramos, mas se o seu interior é sujo, estamos completamente sujos à vista de Deus, porque os nossos corações são verdadeiramente muito mais nós mesmos do que as nossas mãos. Podemos perder as mãos e continuar vivendo, mas não podemos perder o nosso coração e continuar vivendo; a própria vida do nosso ser encontra-se na natureza interna, e daí a necessidade imperiosa de pureza por dentro. A sujidade no coração lança pó para os olhos. C. H. S.

Dir-vos-ei, pois, quem é um homem com moral, à vista de Deus? É aquele que se inclina ante a luz divina da regra suprema do direito; é aquele que é influenciado pela consideração reitora de Deus em todas as suas ações; é o que obedece aos outros mandamentos espontaneamente porque obedeceu ao primeiro e maior dos mandamentos: “Dá-me o teu coração”. A sua conduta não se conforma aos costumes e à conveniência, mas a uma norma de direito consequente e imutável.

Levai este homem a um tribunal de justiça para que testifique e não dará falso testemunho. Dai-lhe um tesouro enorme para que o guarde e não furtará nada. Confiai-lhe os tesouros mais queridos da vossa família ou os vossos próprios; estais sem risco, porque tem um princípio de verdade e de integridade no seu seio. É tão digno de confiança à meia-noite como ao meio dia; porque é um homem com moral, não porque a sua reputação ou o seu interesse o exija; não porque o olho da pública observação esteja fixo nele, mas porque o amor e o temor de Deus têm um ascendente no seu coração. Ebenezer Porter, D.D., 1834.

Que não entrega a sua alma à vaidade. Se mamarmos o nosso consolo dos peitos do mundo, demonstrará que somos filhos do mesmo. Satisfaz o mundo a estes? Então, tu tens a recompensa e a tua porção nesta vida; aproveita-te dela quanto possas, porque não conhecerás outro gozo. C. H. S.

Que não entrega a sua alma à vaidade traduz Ariano Montano como “que não recebeu a sua alma em vão”. Oh! Quantos há que recebem as suas almas em vão, não fazendo mais uso delas que os porcos, de quem o filósofo observa, cujus anima pro sale isto é as suas almas são só para salários, a fim de que os seus corpos não fedam. A quem não causa pena o pensar que algo tão escolhido, possa ser empregue para um uso tão vão? George Swinnock

Agora chegamos às quatro condições requeridas para fazer possível uma ascensão: 1) Abstinência de obrar mal: “Aquele que é limpo de mãos, ou noutra versão, aquele que tenha as mãos limpas.” 2) Abstinência de pensar mal: “e puro de coração, ou noutra versão, e um coração puro”. 3) O que faz o dever pelo qual foi enviado ao mundo: “que não entrega a sua alma à vaidade.” E 4) Recorda os votos pelos quais está obrigado para com Deus: “nem jura enganosamente.”

E no sentido mais pleno só há Um no qual se cumpriram estas coisas; de modo que a resposta à pergunta “Quem subirá ao monte do SENHOR?” é: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.” (Jo 3:13). “Portanto, está bem escrito” diz são Bernardo “que este Sumo Sacerdote nos convém, porque conhece a dificuldade desta ascensão ao monte celestial, conhece a debilidade dos que temos de ascender.” Lorinus and Bernard, quoted by J. M. Neale.

O céu não se ganha com boas obras e com uma profissão da religião. O Cristão que obra é o homem que permanece quando o que simplesmente se gaba da sua fé, cai. Os que falam muito de religião são com frequência os que menos fazem. É em vão a profissão daquele que não traz cartas que testificam uma vida santa. William Gurnall

Vers. 5. Este receberá a bênção... e a justiça. Quanto à nossa própria justiça que temos sem Ele, Isaías diz-nos: “São trapos sujos”; e São Paulo, que não é senão “esterco”. As duas são comparações ordinárias, mas são feitas pelo próprio Espírito Santo; contudo, ainda são mais ordinárias no original, em que são tão odiosas quanto um trapo sujo ou a espécie de esterco mencionado, que não nos atrevemos a traduzi-lo. A nossa justiça, pois, não sendo aproveitável, é melhor que a busquemos em outra parte.

Este receberá a justiça, diz o profeta; e “o dom de justiça”, diz o apóstolo (Fl 3:8, 9; Rm 5:17). É, pois, outra justiça que nos é dada, e que recebemos, e que a temos de procurar.

E aonde iremos em sua busca? Job basta para esclarecer este ponto (cap. 15:15; 4:18; 25:5). Não aos céus ou às estrelas; são impuras aos Seus olhos. Não aos santos, porque neles acha loucura. Não aos anjos, porque nem neles acha firmeza. Pois bem, se nenhum destes serve, vemos uma razão necessária pela qual o SENHOR tem de ser parte deste nome: “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” (Jr 23:6) Lancelot Andrewes.

Vers. 6. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacob. Estes são a regeneração; estes estão na linha da graça; estes são a semente legítima. Com tudo, só estão procurando; daí que saibamos que os verdadeiros buscadores são tidos em grande estima por Deus e Ele anota os seus nomed no Seu registro.

Até o buscar tem uma influência santificadora; que poder de consagração tem de haver em achar e gozar o rosto e o favor do Senhor! O desejar a comunhão com Deus é uma coisa que purifica. Oh o ter mais e mais fome e sede da visão de Deus; isto vai levar-nos a purificar-nos de toda a imundície e a andar com circunspeção celestial. C. H. S.

Os Cristãos têm de ser buscadores. Esta é a geração dos buscadores. Toda a humanidade, se é que tem de chegar ao Céu, tem de ser uma geração de buscadores. O céu é uma geração de buscadores, possuidores, achadores e gozadores de Deus. Mas aqui somos uma geração de buscadores. Richard Sibbes

Com a palavra “esta” o Salmista apaga do catálogo dos servos de Deus a todos os israelitas falsos, que confiam só na sua circuncisão e no sacrifício de animais, não têm interesse em oferecer-se a eles mesmos a Deus; e, a pesar disso, ao mesmo tempo, lançam-se precipitadamente para dentro da igreja. João Calvino

Vers. 7. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Estes últimos versículos revelam-vos o grande Homem representativo, que respondeu ao pleno carácter estabelecido, e, portanto, por seu direito próprio subiu ao monte santo de Sião. Nosso Senhor Jesus Cristo pôde subir ao monte do Senhor porque as Suas mãos eram limpas, e o Seu coração era puro, e se nós por fé somos feitos conforme a Sua imagem, também entraremos ali. C. H. S.


Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Na história do evangelho achamos que Cristo tinha uma triple morada entre os homens. Alguns recebiam-no em casa, não no coração, como Simão, o fariseu (Lc 7:44), o qual não lhe deu beijo nem água para os pés; alguns no coração, mas não em sua casa, como o fiel centurião (Mt 8:34); alguns em sua casa e no coração, como Lázaro, Maria e Marta (Jo 3:15; Lc 10:38). John Boys

Devido a que a porta do coração do homem está trancado com pedras e barro, e o homem está profundamente adormecido, não ouve os fortes batimentos das aldrabas que nela ressoam, ainda que sejam ruidosos, ainda que seja um rei que chame; por isso, David volta a chamar: “ Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas.” “Porquê?, Porquê esta pressa?”, diz o pecador. “Qual pressa?” Por que aqui está o Rei às tuas portas; e Este não é um rei ordinário tampouco; é um Rei glorioso, que te vai honrar se Lhe abres a porta rapidamente para Ele Se alojar dentro de ti, se Ele toma residência na tua casa para viver contigo.

Mas a alma, com tudo isto, não abre, mas fica de pé, indecisa, como se se tratasse de um inimigo em vez de um amigo que estivesse ali, e pergunta: “Quem é o Rei de glória?” Quem? A resposta é: Jeová dos exércitos; Aquele que, se não Lhe abrires rapidamente e além disso agradecido, pode derrubar a tua casa sobre sua cabeça; é O SENHOR dos exércitos, o Rei que tem um poderoso exército sempre às Suas ordens, que aguarda as Suas ordens para as cumprir com celeridade. E deverias saber quem é Ele, para que O consideres como amigo. “Levantai”, portanto, “ó portas as vossas cabeças.”

Abri-vos imediatamente os que quereis ter a Deus como amigo e não como inimigo. Oh, por que não há-de exclamar a alma de cada pecador: “Senhor, a porta está fechada, e Tu tens tem a chave; fiz todo o possível, mas as molas estão ferrugentas e não posso dar a volta à chave?”

Mas, oh Senhor, arranca a porta com suas dobradiças, o que seja precisa, a fim de que possas entrar e residir aqui. Vem, Oh Deus poderoso, passa pelas portas de ferro, pelas barras de bronze, e abre passo com o Teu amor e poder. Vem, Senhor, e sê bem-vindo; tudo o que tenho está ao Teu serviço; Oh, faz a minha alma digna de Te recebe! James Janeway

Ele tem-nos deixado os penhores do Espírito, e, tem levado os penhores da nossa carne para o Céu, como garantia de tudo o que vai para lá a seguir. Tertuliano

Cristo foi para o Céu como vencedor, atando o pecado, Satanás, a morte, o inferno e a todos os Seus inimigos às rodas do Seu carro de triunfo. Ele venceu não só os Seus inimigos para Si mesmo, mas também para todos os Seus, a quem tem feito mais vencedores, sim, “mais do que vencedores”. Assim como Ele venceu, também nós venceremos; e como Ele foi para o Céu de modo vitorioso, nós segui-Lo-emos em triunfo. Henry Pendlebury, 1626-1695.

Esta arca, que salvou ao mundo da destruição depois de flutuar num dilúvio de sangue, repousa no cimo do monte. Este inocente José, cuja virtude foi oprimida pela sinagoga, tem saído do calabouço para receber uma coroa. Este invencível Sansão que levou as portas do Inferno às costas e vai em triunfo às colinas eternas.

Este vitorioso Josué passou pelo Jordão com a arca do pacto e toma posse da terra dos vivos. Este Sol de justiça, que foi dez graus adiante, volta para o ponto donde havia partido. Ele que foi “um verme” quando nasceu, um Cordeiro na Sua Paixão e um leão na Sua Ressurreição, agora sobe como águia aos céus, e anima-nos a segui-Lo para lá. De “The Life of Jesus Christ in Glory,” translated from the French of James Nouet.

Vers. 7, 8. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. Oh minha alma, como deveria aumentar o teu gozo e ampliar os teus consolos que Cristo Se ache agora na glória! Cada visão de Cristo é gloriosa, e em cada visão deves esperar no Senhor Jesus Cristo para receberes algumas das Suas manifestações gloriosas. Vem, vive à altura deste grande mistério; olha para Cristo quando Ele entra na glória, e acharás o próprio resplendor da glória no teu coração. Oh, esta visão é uma visão transformadora!: “Mas, todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2Co 3:18) Isaac Ambrose

Vers. 7, 8. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. E saibam todos os fiéis e obedientes, para seu ânimo e consolo, Quem é e qual qualidade é a do Rei glorioso, o Senhor Jesus, a quem o mundo despreza mas que vós honrais. Porque Ele é o Deus Todo-Poderoso, cujo poder omnipotente preserva e defende o Seu povo e a igreja, que confiando nEle O ama e O serve, contra toda a força e poder dos homens e dos demónios que danificam ou tentam fazê-lo ou se opõem a eles; e para derrotá-los, e frustrá-los, sendo nós o Seu Israel, temos achado por experiência, para vossa instrução e corroboração, que sois o seu povo em espírito. George Abbot, in “Brief notes upon the whole Book of Psalms,” 1651.

Vers. 7-10. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos; ele é o Rei da Glória (Selah). Certamente, se quando Deus enviou ao mundo o Seu Filho unigénito disse: “Adorem-no todos os anjos”, muito mais agora que “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens”(Ef 4:8), O exaltou até ao supremo, e Lhe outorgou o nome que é sobre todo nome, “para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho” (Fl 2:10) . E se os santos anjos cantassem com júbilo o Seu nascimento, isto é, a Sua entrada no estado de humilhação e fragilidade, com quanto mais triunfo não O receberiam agora, que regressava de cumprir e aperfeiçoar a redenção do homem! Joseph Hall

Vers. 7-10. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos; ele é o Rei da Glória (Selah). Quando Jesus entrou em Jerusalém teve lugar um triunfo aparente. Toda a cidade estava comovida e perguntava “Quem é este?E a multidão respondia: “É Jesus, o profeta do Nazaré”; e os próprios meninos cantavam: “Hosana ao Filho do David; bendito o que vem no nome do Senhor; Hosana nas alturas!

Quanto maior tem de ser o triunfo da Sua entrada na Jerusalém celestial! Não vais estar comovido neste caso dizendo: “Quem é este?” Vede milhares de anjos no Seu cortejo, e milhares e milhares deles vão acudir para recebê-Lo. A entrada da arca na cidade de David foi só uma sombra disto, e os acordes com que se celebrou naquela ocasião seriam muito mais aplicáveis a esta. Andrew Fuller

Vers. 7-10 Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos; ele é o Rei da Glória (Selah). Ele sozinho levantou-Se dos mortos; sozinho, subiu aos céus, até onde pode ver o homem. Assim Ele demonstrou que é “o Senhor poderoso na batalha”, tão poderoso que num único combate, Ele, como nosso campeão, nosso David, vitoriosamente arrasou o nosso grande inimigo. Porém, quando Ele vier outra vez, vai mostrar que é “o Senhor dos exércitos”. Em vez de vir sozinho em misterioso silêncio, como na sua encarnação maravilhosa, virá seguido de todos os exércitos do Céu. “O Senhor meu Deus virá, e com Ele todos os exércitos do Céu.” “O Senhor vem com dez mil dos Seus santos.” “O Filho do homem virá na glória de seu Pai, e todos os Seus santos anjos com Ele.” “Mil milhares estarão com Ele, e milhares de milhares vão servi-Lo.”

Em vez do silêncio da calma habitação de Nazaré e do santo seio da Virgem, haverá a voz do arcanjo e a trombeta de Deus que O acompanharão. John Keble, M. A.

Vers. 8. Quem é este Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra. Os sentinelas à porta, ouvindo o cântico, olham pelos muretes e ameias e perguntam: Quem é este Rei da glória? Uma pergunta cheia de significado e digna de ser meditada por toda a eternidade. Quem é como pessoa, natureza, carácter, ofício e missão? Qual é a Sua linhagem? Qual é Sua classe e a Sua raça?

A resposta dada é: “O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso na guerra”. Conhecemos o poder de Jesus pelas batalhas que peleou, as vitórias que venceu sobre o pecado, a morte e o inferno, e aplaudimos ao ver que leva cativo o cativeiro na majestade da Sua força. Oh, quem terá um coração capaz de O louvar! Herói poderoso, sê coroado para sempre Rei de reis e Senhor de senhores!

Vers. 9. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Querido leitor, é possível que digas: “Eu não poderei nunca entrar nos céus, porque não tenho as mãos limpas nem o coração puro!” Vê, pois, a Cristo, que já subiu ao monte santo. Ele entrou como precursor de todos os que confiam nEle. Segue as Suas pegadas e repousa no Seu mérito. Ele cavalga triunfante para o Céu, e tu também irás para ali se confiar nEle.

“Mas” dizes, “como posso conseguir ser o que expressas?” O Espírito de Deus dar-te-á este carácter. Ele vai criar em ti um coração novo e um espírito reto. A fé em Jesus é a obra do Espírito Santo, e tem todas as virtudes envoltas em si. A fé acha-se junto à fonte cheia de sangue, e aquele que se lava nela, recebe mãos limpas, um coração puro, uma alma santa e uma língua veraz. C. H. S.

Tradução de Carlos António da Rocha

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