… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

18 de maio


C. H. Spurgeon
Leituras Vespertinas
18 de maio
“Depois.” (Hb 12:11, ARC, Pt)

QUÃO felizes são os Cristãos, “depois!”. Não há calma mais profunda do que aquela que se segue a uma tormenta. Quem não se regozijou no claro resplendor depois da chuva? Os banquetes vitoriosos são para os soldados bem exercitados. Depois de matar o leão comemos o mel; depois de escalar a Colina da Dificuldade sentamo-nos no caramanchão a descansar. Depois de atravessar o vale da humilhação, depois de lutar com Apólion, a claridade aparece com o ramo que cura da árvore da vida. As nossas aflições, à semelhança das quilhas das naves, deixam “depois”uma linha prateada de luz santa atrás delas. Esta é a paz, a doce, profunda paz que se seguiu à horrível inquietação que reinou outrora nas nossas atormentadas e culpadas almas. Olha, pois, a feliz posição do Cristão! Ele tem as suas melhores coisas em último lugar, e, por isso, recebe, primeiro, neste mundo as suas coisas piores, mas ainda as suas piores coisas são “depois” coisas boas; a dura lavoura traz alegres colheitas. Ainda agora o Cristão se enriquece com as suas perdas, levanta-se com as suas quedas, vive pela morte e enche-se esvaziando-se. Se, então, as suas penosas aflições lhe renderam tão pacíficos frutos nesta vida, o que será a completa colheita de uvas de gozo que terá “depois” no Céu? Se as suas noites escuras são tão claras como os dias do mundo, o que serão os seus dias? Se a luz das suas estrelas é mais brilhante do que a luz do Sol, o que será a luz do seu Sol? Se ele pode cantar num calabouço, quão melodiosamente cantará ele no Céu! Se ele pode louvar o Senhor no fogo, como o louvará diante do trono do Eterno! Se a aflição lhe é boa agora, o que será para ele a superabundante bondade de Deus “depois”? Oh, bendito “depois”! Quem não quer ser cristão? Quem não quer levar a presente cruz pela coroa que vem depois? Mas, aqui está a obra da paciência, pois o repouso não é para hoje, nem o triunfo para o presente, mas para “depois”. Aguarda, oh alma, e deixa que a paciência tenha a sua obra perfeita.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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