… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 21 de maio de 2017

21 de maio de 1813 • Robert Murray McCheyne, “o Homem que não era como os outros.”

21 de maio de 1813 Robert Murray McCheyne,
 “o Homem que não era como os outros”
“Era inverno. Sentados perto do fogo, dois homens estavam esculpindo pedra numa pedreira vizinha. De repente, um desconhecido aproximou-se deles; desceu do cavalo e imediatamente começou a conversar com eles sobre o estado espiritual das suas almas. Servindo-se das chamas vivas da fogueira como ilustração, o jovem desconhecido pregou verdades alarmantes. Com profunda surpresa, os dois trabalhadores de pedreira exclamaram: ‘Tu não és um homem como os outros.’"


Tratava-se de Robert Murray McCheyne, uma das estrelas do púlpito escocês, do século XIX. “Indubitavelmente, não era um homem como os outros. Serviu a Deus apenas durante oito anos; sem embargo, nesse curto espaço de tempo marcou uma baliza na história da pregação. Diz-se que tão somente o seu olhar, ao subir para o púlpito, era suficiente para comover até às lágrimas os membros da sua congregação. O seu semblante indicava que vinha da própria presença de Deus. Quem era este homem, que quando morreu aos 29 anos de idade, uma cidade inteira paralisou as suas atividades, a fim de chorar a morte de um grande servo de Deus? Este é o tema da minha rubrica de hoje de “A grande nuvem de testemunhas.”



Robert Murray McCheyne nasceu em Edimburgo na Escócia, neste dia, 21 de maio de 1813; era o mais novo de cinco filhos, de uma família da classe média. Como menino, os pais notaram duas coisas nele: a sua aptidão para escrever poesia, e uma voz melodiosa para recitá-la. A sua conversão espiritual deu-se aos 18 anos, no contexto da morte do seu Irmão mais velho. A dor de perder o seu Irmão levou-o a procurar Deus, e experimentou o Novo Nascimento e o perdão dos pecados.



Tendo concluído os estudos preparatórios, Robert ingressou na universidade para estudar teologia. Foi um bom estudante, ainda que não fosse um aluno brilhante. Sem embargo, já nesta idade manifestava um desejo profundo por estudar as Escrituras. Fundou uma associação de estudantes, que se dedicava à exegese da Bíblia, reunindo-se em cada sábado semanalmente, às seis e meia da manhã. Ao mesmo tempo, começou a dedicou-se à tarefa de compartilhar o Evangelho nos bairros mais pobres da cidade onde estudava. O seu desejo era ser útil para o Senhor.

Em 1835 foi ordenado pastor, na Igreja Presbiteriana da Escócia. Uns meses depois foi chamado a ser o pastor assistente, numa Igreja rural. Desde o começo do seu ministério, Robert dedicou-se a duas coisas: pregar o Evangelho, e visitar as famílias relacionadas com a Igreja. Num caderno, redigia os pormenores das suas visitas pastorais, anotando os temas que tratava, e fazendo uma avaliação da condição espiritual dos membros da família. Evidentemente era um “pastor”, em busca das ovelhas perdidas. A ênfase na sua visitação pastoral era evangelístico, procurando despertar espiritualmente as pessoas a quem visitava. Notava-se a sua paixão pelas almas.



Robert não gozava de boa saúde. O seu corpo era débil, e propenso a adoecer. Apesar dos conselhos da sua mãe (e de outras pessoas), de que devia cuidar melhor da sua saúde, Robert dedicava-se à obra do Senhor com bastante ardor e não poupava o seu corpo.



Nos fins de 1836, Robert recebeu o convite para pastorear a nova Igreja de “São Pedro”, na cidade de Dundee (no leste da Escócia). A cidade tinha então uma população de 51 000 habitantes, a maior parte da qual estava entregue aos vícios e à imoralidade. Havia poucas Igrejas na cidade de Dundee, e em 1835 foi decidido construir-se um novo templo, numa área pouco evangelizada da cidade. Robert foi convidado a ser o primeiro pastor.



O seu primeiro sermão foi baseado no texto de Lucas 4:18, “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar as Boas Novas.” Foi uma mensagem profética, pelo que iria ser o seu ministério nessa cidade.



No começo do seu trabalho pastoral, a Igreja estava cheia. Umas 1100 pessoas assistiam em cada domingo a fim de escutarem a Palavra de Deus. As pessoas sentavam-se por toda a parte onde se pudessem acomodar – nas bancas, nos passadiços, até nos degraus do púlpito. Havia nos Cultos um enorme sentimento da presença de Deus, que atraía as pessoas de todas as partes da cidade. Robert pregava mensagens simples, claras, e cheias das doutrinas fundamentais do Evangelho. A congregação podia ver que Robert era um verdadeiro embaixador de Cristo; um homem cheio da presença de Deus, apesar da sua juventude. Tinha apenas 23 anos!



Nos primeiros meses do seu pastorado nesta Igreja, pregou sobre passagens de Crónicas (que se referiam à construção do templo), sobre vários Salmos e parábolas, sobre a 1.ª Carta do Apóstolo Pedro e as Cartas às Sete Igrejas, em Apocalipse. Também estabeleceu um sistema de leituras diárias, por meio das quais se podia ler toda a Bíblia num ano. Desejava que a congregação estivesse imbuída da Palavra de Deus. Este projeto de Leitura da Bíblia num Ano ainda hoje procura ser implementado por todas as organizações cristãs de qualquer espetro doutrinário que amam a Bíblia e se esforçam por promover a sua divulgação e a sua leitura acima de tudo. E Robert operacionalizou isto na Escócia quando nós em Portugal andávamos a matar-nos uns aos outros na Guerra Civil Portuguesa (1828-1834),também conhecidas como “Guerras Liberais”!

Às quintas-feiras, iniciou um culto de oração. Isto era algo insólito na cidade do Dundee; nenhuma outra Igreja tinha um culto destes. Sem embargo, a assistência, às vezes, alcançava 800 pessoas. Robert também começou uma reunião para jovens, na qual estudava a Bíblia com eles. Estas reuniões tinham uma média de 240 jovens assistentes, semanalmente. Robert usava formas mais informais para lhes ensinar a Palavra de Deus. Por exemplo, numas ocasiões, por um tempo dedicou-se a usar o que chamava “o método geográfico”. Este consistia em mencionar algum lugar citado na Bíblia (por exemplo, o Mar da Galileia), e logo fazer com que os jovens lessem os diferentes textos da Bíblia onde esse lugar era mencionado. Depois, complementava isto com citações de diferentes autores (como Josefo, etc.), que descreviam esses lugares.



Também dedicou tempo a preparar os candidatos para participarem na Santa Ceia. Levava esta tarefa muito a sério. Relacionava-se com cada um deles pessoalmente, procurando saber –e isso era muito importante– da certeza da conversão de cada um deles, antes de permitir que participasse e tomasse a Santa Ceia. Considerava que esse era o tempo no qual o pastor se certificava dos verdadeiros frutos do seu ministério.



Além de todo o trabalho na Igreja, Robert não descuidou a tarefa da visitação. Numa cidade como Dundee havia tantos lares para visitar, que todo o tempo e ocasiões para fazê-lo eram bem-vindas. A sua prática era visitar 16 a 18 famílias, num dia, e logo tomar notas a respeito destas visitas (incluindo um pequeno desenho, para localizar cuidadosamente cada lar visitado. Isto era para estar seguro de reconhecer a casa quando voltasse a fazer uma segunda visita.



Nas suas visitas pastorais dava prioridade aos doentes; especialmente aos que estavam à beira da morte. Tomava estes casos com supremo cuidado, sabendo que era importante discernir bem a condição espiritual das pessoas, antes que partissem para a eternidade. Tomemos um exemplo, do seu caderno de apontamentos pastorais:



“Tomás Tyrie. Rua “Step Row”, parte baixa. Doente há cinco anos. Toma ópio para suportar a dor.



Visita de 12 de dezembro de 1836. Conversação sobre o Inferno e da aniquilação da alma. Compartilhei o tema: “A ovelha perdida.” Escutou com atenção. Lê a Bíblia, mas mais para criticar, do que outra coisa. Vizinhos estiveram presentes.



Visita de 19 de dezembro perguntou muito por mim. Falei da “moeda perdida.” Escutou com bastante atenção, e afirma a verdade do Evangelho.



Visita de 20 de dezembro. “Pv 1: Convertei-vos pela minha repreensão.” Um pouco sonolento, mas indicava que estava de acordo com o compartilhado.



Visita de 22 de dezembro. “O Senhor abriu o coração de Lídia.” Deu muita atenção. Falou de uma grande mudança no seu coração, e de uma tremenda paz na sua alma. Apesar dos efeitos do ópio (sono), era muito claro na sua conversação.



Visita de 28 de dezembro. “Cristo nosso substituto.” Expliquei-lhe todo o Evangelho, e apliquei-o à sua vida, de forma muito pessoal. Respondeu muito bem às perguntas, e com respostas estranhamente profundas. Parece que houve uma verdadeira obra do Espírito Santo na sua vida. Afirma que o seu entendimento de Cristo, e da sua própria alma, mudaram radicalmente.



Visita de 31 de dezembro. Encontrei o seu corpo frio, e preparado para a sepultura. A sua esposa, Margarida, chorando. Ele morrera no dia anterior, na madrugada. Ninguém o viu morrer. Houve uma verdadeira mudança na sua vida. Começara a ler a Bíblia, que antes descuidava. Falava com muito interesse a respeito da sua vida espiritual, e do Senhor. Alegrava-se com as minhas visitas, e dava-me sempre um forte apertão de mãos. Mas, se houve uma verdadeira obra de graça na sua vida, só a eternidade o demonstrará.”



Estas notas do seu caderno de visitas, indicam a seriedade com que tomava o trabalho pastoral, e o cuidado que tinha com as almas. O seu propósito não era obter resultados rápidos, mas antes, seguros. O valor de uma alma é inestimável; não se pode brincar com isso, antes pelo contrário, tratá-la com suma delicadeza.



Com todo este trabalho, que efectuava incansavelmente, o corpo do Robert começou a sofrer. Outras Igrejas endereçaram-lhe convites, para que fosse pastoreá-las. Geralmente eram Igrejas mais pequenas, em zonas rurais, onde lhe ofereciam um salário maior por menos trabalho. Muitos (incluindo os seus pais) animavam-no para que considerasse estes convites, todavia, Robert estava convencido de que devia ficar onde estava, apesar do sofrimento do seu corpo. Claramente, era um verdadeiro servo de Deus.



Em fins de 1838, uma enfermidade muito séria debilitou o corpo de Robert, e ele teve de descansar durante algum tempo do ministério extenuante que realizava. Aproveitou este tempo de descanso forçado para realizar uma viagem à Palestina com outros amigos pastores, para ver a situação espiritual em que se encontravam os judeus, e analisar os esforços que se estavam fazendo para evangelizá-los.



Durante a sua ausência da Igreja, um amigo dele, William Chalmers Burns, veio para pastorear a congregação. A Deus agradou abençoar tanto o ministério de Burns (em resposta às orações de Robert), que a Igreja gozou de um tempo de avivamento espiritual. Indubitavelmente, Burns estava colhendo a boa semente que Robert havia semeado. Os cultos multiplicaram-se, até começarem a ser diários, e prolongando-se até altas horas da noite. Deram-se muitas conversões – vinte, trinta ou quarenta pessoas aproximavam-se dele, logo depois das mensagens, perguntando, “O que devo fazer para ser salvo?” “Parecia que toda a cidade tinha sido sacudida pelo poder do Espírito.”



Quando Robert regressou para a obra, os membros da Igreja comoveram-se ao ver o rosto do seu pastor, ainda tão jovem. Faria em breve 26 anos. Escrevendo à sua mãe, Robert descreveu o culto, no qual entregou a sua primeira mensagem na Igreja, logo depois do seu regresso da Palestina: “Preguei nesta mesma noite. Nunca vi uma congregação semelhante… Não houve espaço vazio; cada canto estava ocupado. Senti-me afligido ao vê-los; sem embargo, senti uma tremenda liberdade ao pregar sobre 1 Coríntios 2:1-4. Nunca preguei perante uma assistência tão numerosa; muitos chorando, muitos outros anelando as palavras da Vida Eterna. Nunca escutei cânticos tão consoladores como nessa noite; era comovedor. Senti que o povo de Deus estava cantando para um Deus a Quem ali podiam sentir; para um Deus que estava presente no Seu templo.”



O regresso de Robert à Igreja podia ter causado certos problemas. Muitos tinham-se convertido sob o ministério de Burns, e naturalmente amavam-no, e queriam que ele ficasse. Sem embargo, Burns retirou-se tranquilamente, e cedeu o púlpito outra vez a Robert. Os dois pastores permaneceram muito bons amigos, e correspondiam-se com frequência, animando-se mutuamente na obra. Assim, durante algum tempo, Burns voltou para a sua antiga Igreja, que se situava numa povoação chamada Kilsyth, e onde continuou experimentando uma enorme bênção de Deus sobre o seu ministério. Depois sentiu a chamada de Deus para ir à China, e viajou até esse país, onde continuou a servir a Deus num contexto muito mais “árido”, espiritualmente.



Em qualquer lugar em que pregasse, o Espírito Santo movia-Se poderosamente, e os pecadores eram convertidos. Descrevendo as coisas que ocorriam antes, durante e depois da mensagem, Robert refere o seguinte:



“Nesses momentos observei um profundo e surpreendente silêncio na congregação. Cada ouvinte inclinado para diante, prestava séria atenção; homens amadurecidos, cobrindo os seus rostos em oração, clamavam a Deus para que as flechas de Rei do Sião penetrassem com poder o coração dos pecadores. Às vezes, escutava um gemido interno, surgindo do coração de muitos, e outros estavam com os rostos banhados em lágrimas. Em algumas ocasiões escutei fortes prantos em várias partes da Igreja, enquanto uma grande solenidade dominava o resto da congregação. Até às vezes, se ouvia um forte grito, como se alguém tivesse sido transpassado por uma espada.”



Ainda que Robert se dedicasse a pastorear a Igreja de “São Pedro”, recebeu múltiplos convites para pregar noutros lugares. Viajou por toda Escócia, procurando estender a obra do Evangelho, e ver novas Igrejas abertas. Também viajou para a Irlanda, onde Deus estendeu a bênção do seu ministério.



Porém, anelava sempre voltar para a sua própria Igreja, para a sua própria congregação.



Como explicar todo este trabalho e esforço pela causa de Cristo? Qual era a chave do seu êxito ministerial? Podemos mencionar vários fatores.



O primeiro assunto que devemos mencionar era a sua comunhão com Deus. Robert levava isto muito a sério. O seu tempo a sós com Deus era a parte mais importante do dia, para ele. Não permitia que nada interferisse com isto. Diariamente lia três capítulos da Bíblia, nas suas devoções matutinas. Depois dedicava-se a orar e a interceder pelos membros da Igreja. Não importava quão cansado estivesse, ou quão fraco se sentisse, nunca descuidava o seu tempo a sós com Deus. Era o sustento da sua vida e do seu ministério.



Um segundo fator foi o seu grande desejo por viver uma vida de santidade. Orava ao Senhor em cada dia, “Faz-me tão santo, tanto quanto um pecador possa ser pecador neste mundo.” Diariamente examinava-se a si mesmo, para ver rastos de pecado na sua conduta ou no seu pensamento. Tratava muito seriamente com qualquer pecado que achasse no seu interior. Um dos seus ditos mais populares é: “O que Deus abençoa não são grandes talentos, mas a grande semelhança com Cristo. Um pregador santo é uma arma formidável nas mãos de Deus.”



Em terceiro lugar, terei de mencionar a sua paixão pelas almas. Robert sentia um vivo desejo por procurar os perdidos, e por fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para ganhá-los para Cristo. Sacrificava o seu corpo para fazê-lo, entregando-se à visitação pastoral evangelística e à pregação do Evangelho.



Finalmente, temos de acrescentar o seu amor pelo Senhor. Isto torna-se muito claro nos seus sermões. Amava muito a Cristo. Deleitava-se nEle. Aprendeu isto de outro grande pregador da Escócia, Samuel Rutherford. Esse amor levou Robert a servir a Cristo com paixão e abnegação pessoais; e também a desejar que o Senhor enviasse um grande avivamento espiritual, para que o Seu nome fosse (e seja, também, nos nossos dias!) glorificado na Escócia.



A força espiritual da vida de Robert contrastava com a debilidade do seu corpo. Sofria de constantes enfermidades, e de muita dor física. Suportou tudo isto, com grande valentia. Sem embargo, na primavera de 1843, quando tinha apenas 29 anos de idade, contraiu a febre tifóide, e Deus achou por bem levar o Seu ilustre servo para o Céu. Como afirmam os editores de uma coleção dos seus sermões, “Terminou a sua obra. Seu Pai Celestial já não tinha para ele outra planta para regar, nem outra vide para cuidar, e o Salvador, a quem ele tanto amou em vida, agora esperava-o com as Suas palavras boas-vindas: “Bem está, servo bom e fiel, entra no gozo do Teu senhor” (Mt 25:21 ARC, Pt).



Sem embargo, conto um pequeno incidente muito interessante ocorreu antes de Robert morrer, que revela muito do carácter de Robert. Tinha participado numa reunião na Igreja, para unir um casal da sua congregação em matrimónio. Assim que o culto terminou, logo uma senhora lhe enviou um pequeno ramalhete de flores, por intermédio de uma menina. “Poderia pôr esta flor, no peito?”, perguntou a menina. “Claro”, respondeu Robert, “mas tu terás de me ajudar.” Logo que a menina acabou de o fazer, ele dirigiu-se a ela, e dizendo-lhe, “Agora que eu tenho feito o que tu querias, farias o que eu quero?” “Sim”, respondeu a menina. “Bom”, acrescentou Robert, “queria que escutasses a história do Bom Pastor, que Se entregou pelas ovelhas.” Enquanto ele falava com a menina, cinco ou seis meninos aproximaram-se deles, para escutar, enquanto Robert falava com tanta ternura à menina, tal qual o fazia do púlpito. Quando acabou de lhes contar a história do Bom Pastor, disse a um amigo, “Devo ir agora para casa. Sinto uma forte dor na cabeça.” Já tinha contraído a febre tifóide. Esse momento em que contou àquela menina a história do Bom Pastor foi a sua última mensagem neste mundo. O seu último sermão.



No sábado, 25 de maio de 1842, após uns dias de dor e sofrimento, Robert passou para a presença de Deus. Era ainda madrugada. O médico estava a seu lado, quando Robert elevou a sua mão, para pronunciar uma bênção. Mas deixou-a cair, e passou para a eternidade.



A morte de um pastor tão querido, tão usado por Deus, e tão jovem (nem trinta anos tinha) sacudiu a cidade de Dundee.


“Em todas partes onde chegava a notícia da sua morte -escreveu Bonar- o semblante dos crentes escurecia-se de tristeza. Possivelmente não terá havido outra morte que impressionasse tanto os santos de Deus na Escócia como a deste grande servo de Deus que consagrou toda sua vida à pregação do Evangelho eterno. Dizia com muita frequência: “Vivei de modo a que um dia, alguém vos ache em falta”, e ninguém que tivesse visto as lágrimas que se verteram pela ocasião da sua morte teria duvidado em afirmar que a sua vida tinha sido o que ele tinha recomendado aos outros. Não tinha mais de vinte e nove anos quando o Senhor o levou para Si.”



No dia do seu enterro cessaram todas as actividades em Dundee. Desde o seu domicílio, donde partiu o préstito fúnebre até ao cemitério, todas as ruas e janelas estavam abarrotadas por uma grande multidão. Muitas almas se deram conta naquele dia de que um príncipe de Israel tinha caído, enquanto que muitos corações indiferentes experimentaram uma terrível angústia ao contemplar o solene espectáculo.”



Comentando sobre a prematura morte do seu filho, o pai de Robert disse, “Foi para evitar que o povo o fizesse um ídolo.”



“A sepultura de Roberto McCheyne ainda hoje se pode ver no rincão nordeste do cemitério que rodeia a Igreja de São Pedro. Ele partiu para as montanhas de mirra e para as colinas de incenso, até que desponte o dia e as sombras desapareçam.”

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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