… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de maio de 450 • O corpo crucificado de Júlia de Cartago é retirado do mar

22 de maio de 450 O corpo crucificado de Júlia de Cartago é retirado do mar


Ilha de Gorgona, onde corpo de Júlia foi encontrado, ainda pregado na cruz, boiando no mar.
Nesta dia, na História Cristã, havia muitos acontecimentos e personalidades sobre quem se poderia escrever muitas e boas coisas. No entanto, a minha escolha recai sobre Júlia. Pois bem, de quem se trata? Diria que se trata de uma cristã, santa de todos os dias, como são todos os anónimos Cristãos que por amor ao seu Salvador resplandecem em vida abundante!



Júlia vem do latim “Julia”, que significa da linhagem do romano Julius, ou melhor da “família de Júlio” ou podendo ser também, “nascida no mês de julho.”



Júlia nasceu de pais romanos nobres de África, pertencia à família Júlia. Pouco se sabe da sua infância, mas afirma-se que viveu uma vida simples e dedicada a Deus. Quando era bastante jovem, em 436 a sua cidade de Cartago [Refundada por César e Augusto como colónia romana (século I A. C.), novamente adquiriu grande prosperidade e a sua população cresceu a ponto de se tornar a quarta maior cidade do Império Romano, com uma população estimada em meio milhão de habitantes. Tornou-se a verdadeira capital da África romana e da África cristã. Como centro do cristianismo, opôs-se aos donatistas. O vândalo Genserico ocupou a cidade em 439 e estabeleceu ali a sua capital, mas em 533-534 Belisário expulsou os vândalos e a partir de então, até à sua captura e destruição pelos árabes em 697, a cidade permaneceu como parte do Império Bizantino e entrou em decadência] foi conquistada pelos vândalos, liderados por Genserico [Genserico (c. 389 – 25 de janeiro de 477), rei dos vândalos e alanos entre 428 e 477. Foi peça chave nos conflitos travados no século V pelo Império Romano do Ocidente, e durante os seus quase cinquenta anos de reinado elevou uma tribo germânica relativamente insignificante à categoria de potência mediterrânea. Filho ilegítimo do rei vândalo Godegisilo, supõe-se que nasceu nas imediações do lago Balaton (atual Hungria) por volta de 389.]. Júlia foi capturada e vendida nessa ocasião como escrava a Eusébio, um comerciante pagão sírio, porém ela não se queixou e nem se sentiu triste, pois compreendeu que era a vontade de Deus. Aceitou tudo e desempenhou as tarefas mais humildes com uma alegria maravilhosa. Amou a Deus com todo o seu coração. Nas suas horas vagas e com autorização do seu próprio amo, lia e orava fervorosamente.



No ano de 450, o seu dono resolveu levá-la consigo para a região onde hoje é a França. No caminho, parou numa vila [estamos no século V, portanto, trata-se de uma casa no campo (Na Roma antiga, as villae (singular: villa) eram originalmente as moradias rurais cujas edificações formavam o centro de uma propriedade agrícola. Portanto, era uma propriedade ou residência de campo de um patrício, ou de um plebeu de grandes posses, ou de uma família campestre romana, onde normalmente se centravam as explorações agrárias de maior vulto, embora haja casos de algumas dessas propriedades que não tinham exploração agrícola associada. A villa de um patrício era mais luxuosa e sofisticada do que a de um plebeu de grandes posses, assim como a deste era melhor que a de uma família campestre.)], na ilha de Córsega [Córsega (em corso: Corsica) é a quarta ilha do Mar Mediterrâneo por extensão (depois da Sicília, Sardenha e Chipre], a oeste da Itália, constituindo uma região administrativa da França), para participar num festival pagão. Júlia recusou-se a ir. Contudo, parou na porta do templo pagão, e, ajoelhada, orou para que Jesus convertesse todas aquelas pessoas, que lá dentro corrompiam os seus corpos e as suas almas imortais.



Félix, o governador dessa região, ficou muito enojado com ela, porque ela não se tinha unido aos festejos pagãos. Convidou Eusébio para um banquete no seu palácio e ofereceu-lhe quatro das suas melhores escravas em troca dela. O seu dono recusou, já que tinha um enorme afeto por Júlia, que era uma serva muito fiel e boa.



Enquanto o comerciante dormia, sem ressalvas, o malvado governador tratou de fazer com que Júlia fizesse sacrifícios aos ídolos dele. Prometeu dar-lhe a liberdade se ela consentisse em abandonar o Cristianismo. Ela negou-se determinantemente e com muita coragem, anunciou que a única liberdade que desejava era a de servir Jesus.



Félix, irado, esbofeteou-a até que ela já sangrava abundantemente pelo nariz, depois mandou que fosse flagelada e, por fim, crucificada como Cristo e atirada ao mar. Quando Eusébio acordou, era tarde.



Ela aceitou o sofrimento como uma forma de demonstrar o seu amor a Deus, contribuindo para que o Cristianismo crescesse e desse frutos, sem renegar a sua fé em Cristo, morrendo como o seu Mestre. O seu corpo foi encontrado, neste dia, 22 de maio de 450, ainda pregado na cruz, boiando no mar (Mediterrânico), pelos monges do convento da ilha vizinha de Gorgona [A Ilha de Gorgona, encontra-se no Mar Lígure a aproximadamente 37 km a oeste da costa de Livorno. Gorgona tem uma superfície de 2,23 km², sendo a menor das ilhas habitadas do Arquipélago Toscano. Faz parte de província italiana de Livorno e pode ser vista da sua costa, lembrando a face de uma mulher.]. Depois, os monges do convento transportaram-na para a ilha, despregaram-na da cruz, ungiram-na e colocaram-na num sepulcro.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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