… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

3 de maio


William MacDonald
Um dia de cada vez
3 de maio



“Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gl 6:8, ARC, Pt)

Ninguém pode pecar e gozar de impunidade. Os resultados do pecado não só são inevitáveis, mas também, extremamente amargos. O pecado pode parecer um gatinho inofensivo mas, repentinamente, salta sobre a sua presa, devorando-a como leão desumano.

O suposto encanto do pecado goza nos nossos dias de uma propaganda ampla e multicolorida, se bem que escassamente ouçamos o outro lado. As suas vítimas deixam atrás de si relatos tristes da sua queda e da sua miséria posterior.



Assim ocorreu com um dos escritores mais brilhantes da Irlanda. Este homem começou a afeiçoar-se a um vício insalubre. Uma coisa levou-o a outra, até que veio a enredar-se em pleitos e por último terminou no cárcere, onde escreveu o seguinte:



“Os deuses deram-me quase de tudo. Tive génio, um nome distinto, alta posição social, brilhantismo e atrevimento intelectual. Fiz da arte uma filosofia e da filosofia uma arte. Turvei as mentes dos homens e troquei a cor das coisas. Não houve nada que dissesse ou fizesse que não surpreendesse outros... Tratei a arte como a realidade suprema, e a vida como uma mera ficção. Despertei a imaginação da gente da minha época criando ao meu redor mito e lenda. Reduzi todos os sistemas a uma frase, e toda a existência a um epigrama.



Junto com estas coisas, tive outras que eram de outra natureza. Deixei-me seduzir pelo feitiço da insensatez e da comodidade sensual. Divertia-me sendo um homem elegante. Fiz-me rodear das classes inferiores e das mentes mais insignificantes. Vim a ser o esbanjador de meu próprio génio, e esbanjei toda uma eterna juventude que me obsequiou com prazeres singulares. Enfastiado de viver no mais alto, deliberadamente desci às profundidades em busca de novas sensações. O que para mim era um paradoxo na esfera do pensamento, converteu-se em perversidade na esfera da paixão. O desejo, no final, converteu-se numa enfermidade, uma loucura, ou ambas. Cresci sem que me importasse a vida dos outros. Olvidei que cada pequena ação de cada dia fazia ou desfazia o caráter da pessoa, e que em consequência o que se fazia em segredo algum dia seria apregoado aos quatro ventos... Terminei numa horrível desgraça”.



O que acabamos de ler encontra-se num ensaio cujo título é: “De Profundis[1].



[1] Oscar Wild

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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