… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

13 de julho

C. H. Spurgeon
Leituras Matutinas
13 de julho

“Disse Deus a Jonas: É acaso razoável que assim te enfades?” (Jn 4:9, ARC, Pt)


A ira não é sempre, ou, necessariamente, má, mas ela tem uma tendência tão marcada a desviar-se, que todas as vezes que se apresenta, teríamos, imediatamente, de examinar a sua índole com esta pergunta: “É acaso razoável que assim te enfades?” Pode ser que possamos responder: “SIM.” Muito frequentemente a ira é o agitador louco, mas, algumas vezes, é o fogo de Elias que cai do céu. Nós fazemos bem quando nos iramos com o pecado pelo mal que comete contra nosso o bondoso e clemente Deus; ou, quando nos iramos connosco mesmos por continuarmos sendo tão néscios, depois de termos recebido tanta instrução divina; ou, também, quando nos iramos com os demais porque obram o mal. Aquele que não se zanga perante a transgressão é porque participa dela. O pecado é repugnante e odioso e nenhum coração regenerado pode suportá-lo com paciência. O próprio Deus está irado com o ímpio todos os dias, e na Sua Palavra está escrito: “Vós que amais ao SENHOR, aborrecei o mal.” Mas muito mais frequentemente temos de temer que a nossa ira não é nem recomendável nem mesmo justificável, e, então, nós temos de responder: “NÃO.” Por que temos de estar mal dispostos com os filhos, zangados com os serventes e irados com os companheiros? É essa ira honrosa para a nossa profissão cristã, ou glorificamos com ela a Deus? Não é o velho coração mau buscando obter domínio, e não deveríamos nós resistir-lhe com toda a força da nossa nova natureza? Muitos dos que professam ser cristãos rendem-se ao caráter irascível, como se fosse inútil tentar resistir-lhe. O crente deve recordar que é mister que ele seja um vencedor em todo sentido, ou então, ele não será coroado. Se não podermos dominar o nosso génio, o que é o que a graça obrou em nós? Alguém disse ao Sr. Jay que a graça foi muitas vezes enxertada numa pessoa mal-humorada [1]. “Sim”, disse ele, “mas o fruto não serão caranguejos.” Não devemos arranjar uma desculpa natural para a enfermidade do pecado, mas devemos correr a toda a velocidade para a cruz e orar ao Senhor para crucificar os nossos temperamentos, e para nos renovar em bondade e mansidão à Sua própria imagem.


[1] “crab-stump” (literal) “Pessoa mal-humorada”, mas significando também “toco de caranguejo”. Spurgeon joga com a sinonímia da palavra “crab-stump”.


Tradução de Carlos António da Rocha

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