… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 25 de julho de 2017

25 de julho


C. H. Spurgeon
Leituras Matutinas
25 de julho

“E ele deixou a sua veste na mão dela, e fugiu, e saiu para fora.” (Gn 39:12, ARC, Pt)

Quando se luta com certos pecados, não resta outra forma de vitória que a fuga. Os antigos naturalistas escreveram muito a respeito dos basiliscos[1], cujos olhos fascinavam as suas vítimas e as tornavam presas fáceis. Assim também, apenas um simples fitar do vício nos coloca em perigo iminente. Aqueles que desejem livrar-se dos actos do mal, têm de fugir com presteza das suas ocasiões. Temos de consertar com os nossos olhos o pacto de não olhar sequer a causa da tentação, visto que estes pecados apenas necessitam de uma faísca para começar, e imediatamente tudo se transforma num incêndio. Quem deseja entrar atrevidamente na casa do leproso e dormir no meio da sua horrível corrupção? Apenas quem deseje ele mesmo ser leproso é que entraria nessa área de contágio. Se o marinheiro souber como evitar um temporal, ele deve fazê-lo, e não correr o risco de lhe fazer frente. Os pilotos prudentes não desejam ver quão perto podem eles navegar da areia movediça, nem quantas vezes o casco de navio pode tocar uma rocha sem fazer um rombo. O seu alvo é manter-se tão próximo quanto possível no meio de um canal seguro.

Neste dia posso estar exposto a grandes perigos; devo ser ardiloso como a serpente para me guardar deles e evitá-los. As asas da pomba podem ser-me hoje mais úteis do que as mandíbulas de um leão. É certo que aparecerei como um perdedor por recusar as más companhias, mas prefiro deixar a minha capa do que perder a minha reputação. Não é necessário que eu seja rico, mas é imperativo para mim ser puro. Nenhum vínculo de amizade, nenhum laço de beleza, nenhum resplendor de talento, nenhum dardo do ridículo me deve fazer desistir da sábia resolução de fugir do pecado. Tenho de resistir ao diabo e ele fugirá de mim, mas das concupiscências da carne tenho eu de fugir delas, ou elas levarão a melhor sobre mim. Oh Deus de santidade!, preserva os Teus Josés para que a Senhora Engano[2] não os fascine com as suas vis sugestões. Que a trindade horrível: o mundo, a carne, e o demónio, nunca nos domine!



[1] Réptil fabuloso, a que se atribuía o poder de matar com a vista ou o bafo.


[2] Madam Bubble é personagem do famoso livro The Pilgrim's Progress (O Peregrino) de autoria do pastor John Bunyan da Igreja de Bedforshire (1628-1688).

Tradução de Carlos António da Rocha

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