… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

3 de julho

C. H. Spurgeon
Leituras Matutinas
3 de julho

“As vacas feias à vista e magras de carne comiam as sete vacas formosas à vista e gordas.” (Gn 41:4, ARC, Pt)

O sonho de Faraó tem sido frequentemente a minha experiência. Os meus dias de indolência destruíram ruinosamente tudo o que eu tinha conseguido em tempos de actividade zelosa. Os meus momentos de frieza gelaram todo o calor de meus períodos de fervor e entusiasmo, e meus acessos de mundanalidade têm-me feito retroceder no progresso da vida cristã. Preciso de me acautelar das orações pobres, dos louvores débeis, da obediência insuficiente e das experiências estéreis[1], porque estas coisas devorarão a gordura do meu conforto e da minha paz. Se eu descuido a oração, ainda que seja por curto período de tempo, eu perco toda a espiritualidade que eu tinha obtido. Se eu não obtenho do céu novas provisões, o antigo grão que está em meu celeiro logo ficará consumido pela fome da minha alma. Quando as lagartas da indiferença, os pulgões da mundanalidade e as lagartas tineídeas da sensualidade deixam o meu coração completamente desolado e fazem a minha alma enlanguescer, toda a minha fertilidade e progresso na graça não me serve para nada. Eu deveria ansiar não ter dias magros de carne nem horas feias à vista! Se em cada dia eu partisse para o alvo dos meus desejos, eu logo o atingiria, porém as recaídas no pecado deixam-me constantemente a grande distância do prémio de minha soberana vocação, e privam-me dos progressos que tenho feito tão diligentemente. A única maneira em que todos os meus dias podem ser como “vacas gordas”, é alimentando-os nos prados verdadeiros, ocupando-os com o Senhor no Seu serviço, na Sua companhia, no seu temor e no Seu caminho. Por que é que cada ano não pode ser mais rico do que o anterior, em amor, em utilidade e em gozo? Estou mais perto das colinas celestiais, tenho experimentado mais do meu Senhor; portanto, teria de ser mais semelhante a Ele. Oh Senhor!, conserva-me longe da fraqueza de alma, e não permitas que eu grite: “Emagreço, emagreço, ai de mim!” Mas que eu seja bem alimentado e nutrido na Tua casa, para que eu possa louvar o Teu nome.

[1] “I had need to beware of lean prayers, lean praises, lean duties, and lean experiences.” (literal) Spurgeon usa a palavra “lean” que em português significa “magro, esguio, não gordo; pobre, estéril, improdutivo, de má qualidade” ou “1 magro. 2 sem gordura. 3 pobre, deficiente. 4 improdutivo, escasso, insuficiente.”


Tradução de Carlos António da Rocha

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