… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

27 de setembro

C. H. Spurgeon
Leituras Vespertinas
27 de setembro
O Meu amado meteu a Sua mão pela fresta da porta, e o meu coração estremeceu por amor dEle.” (Ct 5:4, ARC, Pt)

BATER à porta não era suficiente, porque o meu coração estava carregado de sono e, além disso, muito frio e ingrato para se levantar e abrir a porta, mas o toque da Sua graça eficaz tem feito com que a minha alma se movesse. Oh!, a paciência demonstrada pelo meu Amado, que apesar de Lhe ser impedida a entrada, permaneceu à porta enquanto eu dormia no leito da preguiça. Oh!, a grandeza da Sua paciência, ao bater e a tornar a bater, e acrescentando a Sua voz aos seus batimentos, suplicando-me que Lhe abrisse! Como podia eu haver recusado abri-Lhe! Vil coração, ruboriza-te e sê confundido! Mas a maior de todas as demonstrações do Seu amor evidenciou-se nisto: que Ele mesmo tenha sido o Seu próprio porteiro e tirasse com as Suas próprias mãos a tranca da porta. Três vezes bendita seja a mão que condescende a levantar a aldraba e a dar volta à chave! Agora vejo que nada exceto o poder do meu próprio Senhor pode salvar a uma perversa massa de maldade como sou eu. Os ritos falham e até o Evangelho não tem efeito sobre mim até que a Sua mão me é estendida. Agora, também, percebo que a Sua mão funciona onde tudo mais é mal sucedido. Ele pode abrir quando nenhuma outra coisa o faria. Bendito seja o Seu nome, sinto a Sua bondosa presença agora mesmo. Bem podem as minhas entranhas comover-se por Ele, quando penso em tudo o que Ele sofreu por mim e também quando penso na minha mesquinha retribuição. Eu permiti que os meus afetos se extraviassem; eu erigi rivais. Tenho-O ofendido. Oh mais encantador e precioso de todos os amados, eu tenho-Te tratado como uma esposa infiel trata o seu marido. Oh meus cruéis pecados; meu cruel egoísmo. O que posso eu fazer? As lágrimas são pobres para mostrar o meu arrependimento, todo o meu coração ferve com indignação contra mim mesmo. Miserável que eu sou, para tratar o meu Senhor, meu Tudo de tudo, a minha grande e única alegria, como se Ele me fosse um estranho! Jesus, Tu perdoas francamente, mas isto não é suficiente, impedes a minha infidelidade no futuro. Faz desaparecer estas lágrimas com beijos, e depois, limpa o meu coração e ata-o a Ti com sete cordas para que nunca mais me transvie.


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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