… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

29 de setembro


William MacDonald
Um dia de cada vez
29 de setembro
“A salvação é do SENHOR.” (Jn 2:9, ARC. Pt)

A todos é familiar o zeloso “ganhador de almas” que vai dum lado para o outro, “pescando” pessoas, guiando-as por meio de uma fórmula de salvação, e insistindo com elas de tal modo que estas fazem uma pequena oração e uma profissão de fé, para tirar-lhe o peso de cima. Este acrescenta outro convertido à sua lista e alça a vista procurando mais cabeças para contar. Evangeliza-se, assim?

Devemos admitir que não. Isso, pelo contrário, é perseguição religiosa e proceder ilícito, e é como qualquer outra coisa feita segundo as forças da carne, faz mais mal do que bem.

John Stott tinha razão ao escrever: “Cristo tem as chaves. É Ele quem abre as portas. Então, não forcemos bruscamente as portas que ainda estão fechadas. Temos de esperar que Ele no-las abra. A causa de Cristo é continuamente prejudicada por causa do testemunho brusco ou desrespeitoso. Sem dúvida, temos de fazer o possível para ganhar os nossos amigos, familiares e colegas de trabalho para Cristo. Mas, às vezes corremos muito e adiantamo-nos a Deus. Paciência! Ora com ardor e ama muito, e permanece em contínua espera para aproveitar toda a oportunidade que se te apresente para testemunhar.”

Ainda que possamos não estar de acordo com muita da doutrina de Dietrich Bonhoeffer[i], faremos bem em tomar a sério estas suas palavras: “A palavra de salvação tem os seus limites. Não há poder nem direito para forçá-las a outros... Todo o intento de impor o Evangelho pela força, de perseguir as pessoas e fazê-las prosélitos, de usar os nossos próprios recursos para apanhar a salvação de outras pessoas, é tão inútil como perigoso...Tão somente obteremos a raiva cega de corações duros e entenebrecidos, e tudo será inútil e daninho. A nossa facilidade traficando a palavra de graça barata aborrece e desgosta o mundo de tal modo que, no final, se volta contra aqueles que tentam forçar algo não desejado.”

A verdadeira conversão é uma obra do Espírito Santo. Não é da “vontade de varão”, no sentido de que o homem não a pode produzir pelo seu próprio esforço, por muito boa intenção que tenha. Quando se pressiona a alguém para que professe a Cristo sem ter o pleno consentimento da sua vontade, a pessoa desilude-se e insensibiliza-se, convertendo-se em muitos casos num inimigo da Cruz de Cristo.

Quando o Espírito Santo nos usa para a salvação de outra pessoa, participamos duma das maiores experiências da vida. Mas resulta em algo extravagante e grotesco quando tentamos fazê-lo nas nossas próprias forças.



[i] Dietrich Bonhoeffer (Breslau, 4 de fevereiro de 1906 – Berlim, 9 de abril de 1945) foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência anti-nazista alemã e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazi.
Bonhoeffer envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dietrich_Bonhoeffer)

Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: