… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 29 de outubro de 2016

29 de outubro



William MacDonald
Um dia de cada vez
29 de outubro

“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?” (1Jo 3:17, PJFA)

Nos círculos médicos seria inconcebível ter a cura para o cancro e não compartilhá-la com os doentes cancerosos que há em todo o lado. Reter o remédio seria mostrar uma cruel e desumana falta de compaixão.

O apóstolo João pinta um quadro paralelo no âmbito espiritual. Suponhamos que há um homem, um crente professante que acumulou uma boa quantidade de riqueza e vive no luxo e na comodidade. Tudo ao seu redor é um mundo de enorme necessidade física e espiritual. Há milhões por todo mundo que nunca ouviram o Evangelho e vivem em escuridão, superstição e desespero. Muitos deles sofrem os estragos da fome, da guerra e do desastre natural. Mas este homem esquece-se de toda esta necessidade. É capaz de apagar da sua mente os gemidos de uma humanidade que sofre e soluça. Poderia ajudar se quisesse, mas prefere guardar o seu dinheiro.

Neste ponto João deixa cair a bomba. Pergunta: “Como permanece nele o amor de Deus?” A pergunta implica, certamente, que o amor de Deus não mora nele. E se o amor de Deus não mora nele, existe uma razão válida para duvidar que se trate de um verdadeiro crente.

Isto é muito grave. A igreja nos nossos dias exalta o rico, coloca-o no conselho de anciãos e apresenta-o como exemplo aos visitantes. O sentimento carnal prevalece: “É bonito ver Cristãos ricos”. Mas, João pergunta: “Se é um Cristão verdadeiro, como pode aferrar-se a essa riqueza desmedida quando tantos carecem de pão?”

Parece-me que este versículo obriga-nos a tomarmos uma de duas opções de ação. Por um lado, podemos rechaçar o singelo sentido das palavras de João, afogar a voz da consciência e condenar o homem que se atreve a pregar esta mensagem. Ou, podemos receber a Palavra com mansidão, e empregar a nossa riqueza para fazer frente à necessidade do irmão e ter uma consciência limpa de ofensa para com Deus e o homem. O crente que está satisfeito com um estilo modesto de vida, e destinando tudo o que está além disto à obra do Senhor, pode viver em paz com Deus e com o seu irmão necessitado.

Tradução de Carlos António da Rocha

****

Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: