… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

4 de outubro


C. H. Spurgeon
Leituras Matutinas
4 de outubro

“Ao cair da tarde haverá luz.” (Zc 14:7, ARC, Pt)

FREQUENTEMENTE olhamos para adiante pressentindo o tempo da velhice, esquecendo que ao cair da tarde haverá luz. Para muitos santos, a velhice é a época mais preciosa das suas vidas. Um ar mais balsâmico acaricia a face do marinheiro, quanto se aproxima das praias da imortalidade; menos ondas agitam o seu mar; a quietude reina profunda, suave e solenemente. As labaredas do fogo da juventude desaparecem do altar da velhice, mas permanece a chama mais real do sentimento fervoroso. Os peregrinos chegaram à terra de Beulah, aquele feliz país, cujos dias são como os dias do Céu sobre a Terra. Os anjos visitam-na, as brisas celestiais passam por ela, nela crescem as flores do paraíso e o seu ar está impregnado com música seráfica. Alguns ficam aqui por muitos anos, outros ficam só umas horas antes do seu passamento, porém é um Éden terrestre. Bem podemos ansiar o tempo quando descansaremos nos seus umbrosos arvoredos e nos satisfaremos com esperança, até que venha o tempo do refrigério. O Sol parece maior quando se põe do que quando está no zénite, e um esplendor de glória tinge todas as nuvens que circundam o Sol no seu ocaso. A dor não rompe a calma do suave crepúsculo da velhice, pois a força, que se tem feito perfeita na fraqueza, suporta a dor com paciência. Os frutos amadurecidos da escolhida experiência colhem-se na tarde da vida como preciosa comida, e a alma prepara-se para o descanso.

O povo do Senhor gozará de luz também na hora da morte. A incredulidade chora dizendo: As sombras caem, a noite vem, a existência termina. Ah, não!, grita a fé: A noite já passou e chegou o verdadeiro dia. Junta os teus pés no leito, vê os bandos de espíritos esperando! Anjos chamam-te para longe. Adeus, amado, estás indo, acenando-nos com a mão. Ah, agora estás na luz. Os portões de pérolas estão abertos, à luz de jaspe brilham as ruas de ouro. Nós cobrimos os nossos olhos, mas tu vês o invisível. Adeus, irmão, tu tens luz ao cair da tarde que nós ainda não temos.



Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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