… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

24 de novembro

William MacDonald
Um dia de cada vez
24 de novembro
“Então começou ele a praguejar e a jurar.” (Mt 26:74, ARC, Pt)

Um dia um pregador caminhava solitário no seu jardim, meditando nas actividades da semana que acabava de passar, quando veio à sua memória um incidente muito embaraçoso. De repente deixou sair uma enxurrada de impropérios bastante mordazes, para dizer pouco. Alguém da sua congregação, que caminhava do outro lado da alta parede do jardim, escutava boquiaberto a linguagem nada ministerial.

Tratava-se de um caso de blasfémia privada, um caso dilacerador na vida de muitos filhos sinceros de Deus. Centenas gemem sob a opressão deste horrível hábito. Ainda que precavendo-se do quanto desonram ao Senhor e corrompem a sua própria vida, todos estes seus esforços para acabar com o hábito são infrutíferos.

As palavras indevidas surgem geralmente quando a pessoa está sozinha (ou pensa que o está) e quando está sob tensão nervosa. Algumas vezes estas são a expressão audível da ira reprimida. Noutras ocasiões são desafogos dos nossos sentimentos de frustração. No caso do pregador, possivelmente, seria a sua reacção natural pela vergonha de encontrar-se num apuro.

Ainda pior que a agonia da blasfémia privada é o temor de que algum dia as palavras nos cheguem a escapar-se-nos em público, ou quando estivermos adormecidos ou sob o efeito de anestesia no hospital.

Este velho hábito voltou a Pedro naquela noite quando o Salvador foi julgado. Quando foi identificado como companheiro de Jesus da Galileia, negou-O com maldições e juramentos (Mt 26:74). Nunca o teria feito estando relaxado, mas, agora estava em perigo e extremamente coibido, e as palavras fluíram com a mesma facilidade como nos dias anteriores à sua conversão.

Apesar das nossas melhores intenções e das nossas mais sinceras resoluções, as palavras escapam-se-nos antes de termos a oportunidade de pensar. Apanham-nos completamente desprevenidos.

Devemos desesperar para chegarmos a conquistar este Golias nas nossas vidas? Não, temos a promessa de vitória sobre esta e sobre toda as outras tentações (1Co 10:13). Primeiro, devemos confessar e abandonar o pecado de cada vez que nele caímos.

Depois, devemos clamar a Deus para que ponha guarda aos nossos lábios (Sl 141:3). Devemos pedir o poder necessário para responder às circunstâncias desfavoráveis da vida com aprumo e tranquilidade. Em algumas ocasiões, o facto de confessarmos a falta a algum outro crente ajuda a romper o poderoso hábito.

Por fim, devemos recordar-nos sempre que ainda que os demais possam não escutar-nos na Terra, o nosso Pai escuta-nos no Céu. A lembrança de quanto O ofende deve servir-nos como uma poderosa força de dissuasão.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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