… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

30 de novembro


William MacDonald
Um dia de cada vez
30 de novembro
“Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo... Porque cada qual levará a sua própria carga.” (Gl 6:2-5, ARC, Pt)

Uma leitura superficial destes dois versículos poderia convencer facilmente uma pessoa de que apresentam uma flagrante contradição. O primeiro diz que devemos levar as cargas dos outros, o segundo que cada um deve levar a sua própria carga.

A palavra traduzida como cargas “βρος” no versículo 2 significa algo que esgota espiritual, física e emocionalmente uma pessoa. No seu contexto imediato refere-se ao peso da culpa e ao desalento que chega à vida de alguém que foi surpreendido numa falta (v. 1). Ajudamos o tal irmão quando pomos sobre o seu pescoço um braço amoroso e o reconquistamos para uma vida de comunhão com Deus e com o Seu povo. Mas as cargas também incluem as penas, os problemas, as aflições e as frustrações da vida que a todos chegam. Levamos as cargas dos outros quando consolamos, animamos, compartilhamos as nossas coisas materiais e damos um conselho construtivo. Isto quer dizer que nos envolvemos nos problemas dos outros, apesar do alto custo pessoal que isto nos possa representar. Quando fazemos isto, cumprimos a Lei de Cristo, que é amarmo-nos os uns aos outros. Demonstramos o nosso amor de uma maneira prática gastando-nos nos demais e sendo gastos por eles.

Por outro lado, no versículo 5 utiliza-se uma palavra diferente para carga ‘φορτον’. Aqui, esta palavra significa algo que tem de levar-se, sem que nada indique quanto, a se a carga é leve ou pesada. O que Paulo diz aqui é que cada um terá de levar a sua própria carga de responsabilidade ao Tribunal de Cristo. Então, não será questão de como nos comparamos com os demais. Seremos julgados sobre a base dos nossos próprios actos e as recompensas serão distribuídas de acordo com isto. (Nota de Vine do NT: a diferença entre ‘φορτον’ e “βρος” é, que ‘φορτον’ é simplesmente algo que tem de ser levado, sem referência alguma ao seu peso, mas “βρος” sugere sempre o que é pesado e gravoso. Assim, Cristo fala da Sua carga (‘φορτον’) como algo «ligeiro»; aqui “βρος” seria um termo inapropriado; mas a carga do transgressor é “βρος”, «pesada.”

A conexão entre os dois versículos parece ser esta. Uma pessoa que restaura ao que foi surpreendido numa falta pode cair na armadilha de sentir-se superior. Levar as cargas do irmão caído pode fazê-lo crer que possui um nível de espiritualidade mais alto e assim pode comparar-se favoravelmente com o santo que peca. Paulo recorda-lhe que quando estiver ante o Senhor, terá de dar conta de si mesmo, da sua própria obra e carácter e não da de outra pessoa. Terá de levar a sua própria carga de responsabilidade.

De modo que os dois versículos não se contradizem entre si. Antes se complementam em estreita harmonia.


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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