… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

9 de novembro de 1522 • Martinho Chemnitz, o outro Martinho da reforma luterana

9 de novembro de 1522 Martinho Chemnitz, 
o outro Martinho da reforma luterana


Martinho Chemnitz, ou o “segundo Martinho”, nasceu no dia de hoje, 9 de novembro de 1522, em Treuenbrietzen, perto de Wittenberg, na Alemanha, e morreu no dia 8 de abril de 1586, em Braunschweig, também na Alemanha. Grande Reformador luterano é admirado como pastor, teólogo e confessor da fé luterana. Diz-se dele que “Si Martinus non fuisset, Martinus vix stetisset”, “Se Martinho [Chemnitz] não existisse, Martinho [Lutero] não sobreviveria”.



Chemnitz participou na redação do credo luterano (1577) e escreveu a obra “Examen Concilii Tridentini” [Exame do Concílio de Trento] (1565-1573), fundamental para a recusa das reformas saídas do Concílio Católico Romano de Trento. No Examen Concilii Tridentini ele submeteu rigorosamente os ensinamentos do Concílio de Trento (1645-63) ao juízo das Escrituras e dos Pais da Igreja antiga. O Examen tornou-se a resposta luterana definitiva ao Concílio de Trento.



Depois de Martinho Lutero, Martinho Chemnitz (1522-1586) é considerado o teólogo mais importante da história da Igreja Luterana. Chemnitz combinava um intelecto penetrante e um conhecimento quase enciclopédico das Escrituras e dos Pais da Igreja com um amor genuíno pela igreja.



Quando várias discordâncias doutrinárias eclodiram após a morte de Lutero, em 1546, Chemnitz dedicou-se inteiramente à restauração da unidade na Igreja Luterana. Tornou-se o espírito empreendedor e o principal autor da Fórmula de Concórdia de 1577, que pacificou as disputas doutrinais com base nas Escrituras e, que em grande medida, conseguiu restaurar a unidade entre os luteranos.



Uma das figuras mais influentes na consolidação da doutrina e da prática luteranas na geração que surgiu após a morte de Lutero. Reconhecido como menino dotado de inteligência superior, foi enviado para escola latina em Wittenberg. Saiu desta escola para ajudar nos negócios da família, na fabricação de tecidos, mas voltou para a escola em Magdeburg (1539-42). Em 1545, foi para a Universidade de Wittenberg para estudar sob a orientação de Philip Melanchthon. Quando a Guerra de Esmalcald trouxe desordem temporária a Wittenberg, Chemnitz foi para Konigsberg, onde recebeu o grau de mestre. Foi ali que desenvolveu um profundo interesse pelo estudo da teologia. Foi nomeado bibliotecário da biblioteca ducal em Konigsberg, e em 1554 foi admitido como catedrático de filosofia em Wittenberg. Grandes grupos de ouvintes estudantes davam testemunho da sua eficácia como professor. Em 25 de novembro de 1554 Martinho Chemnitz foi ordenado por Johannes Bugenhagen em Wittenberg. Pouco tempo depois, porém, mudou-se para Braunschweig, onde aceitou uma chamada como pregador e coadjutor do superintendente das igrejas luteranas. Continuou a servir em Braunschweig até a sua morte.



Chemnitz é famoso, e com justiça, como eclesiástico e pregador; mesmo assim, sua relevância permanente baseia-se na sua obra em ligação com as controvérsias entre a Igreja Católica Romana e as igrejas que aderiram à Confissão de Augsburg, e com as contendas que trouxeram separação entre estas igrejas depois da morte de Lutero. Aquelas o levaram ao seu Examen, acerca dos cânones e decretos do Concilio de Trento; as outras deram-Ihe um papel importante, que desempenhou na produção e na aceitação da Fórmula de Concórdia, em 1577.



Um breve escrito de Chemnitz contra a ordem dos jesuítas colocou-o em conflito com o português, Diogo de Paiva Andrade (1528 - 1575), que procurou lançar descredito sobre a critica feita por Chemnitz contra os jesuítas, por meio da defesa da teologia de Trento. Como resposta a Diogo de Paiva Andrade, Chemnitz produziu o Examen, uma análise, em quatro volumes, dos decretos do Concílio de Trento, demonstrando a luz das Escrituras e dos mestres mais antigos e modernos da Igreja onde as formulações tridentinas se afastavam-se dos ensinos da Bíblia. No primeiro volume, Chemnitz desenvolveu o chamado princípio formal da Reforma, de que a Escritura, e não a tradição nem uma combinação da Escritura e da tradição, é a fonte e a norma da doutrina na Igreja Cristã. Nos outros três volumes, tratou dos sacramentos e dos abusos na Igreja Católica Romana, o que Concilio de Trento procurara defender. O Examen é amplamente reconhecido não somente como uma polémica magistral contra os decretos do Concílio de Trento, mas também como uma exposição eficiente dos ensinos do luteranismo da Reforma.



As sérias dissensões que irromperam entre os luteranos apos a morte de Lutero envolviam o modo de se entender várias doutrinas específicas: o pecado original e a conversão, a Ceia do Senhor e as cerimónias eclesiásticas. Chemnitz foi um entre os vários lidereis que procuravam esclarecer as questões em pauta e acalmar as controvérsias. Escreveu e reescreveu os vários artigos da Fórmula de Concórdia, e ajudou a persuadir pastores e os príncipes a subscreverem o documento final.



Chemnitz foi um escritor prolífico. Além das suas obras acima já citadas, elas incluem entre muitas outras, De Duabus Naturis, um tratado sobre as duas naturezas em Cristo, e a Harmonia dos Quatro Evangelhos, que não conseguiu terminar, mas que foi completada por Polycarp Leyser, o Velho, (Leiser, Lyser) e Johann Gerhard, e publicada como obra póstuma.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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