… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

SALMO 29


C. H. Spurgeon
O Tesouro de David
SALMO 29
Este Salmo tem por objeto expressar a glória de Deus conforme a ouvimos no trovão ensurdecedor. Os versículos avançam ao compasso dos raios. Os verdadeiros ministros são filhos do trovão, e a voz de Deus em Cristo Jesus está cheia de majestade. Assim temos as obras de Deus e a Palavra de Deus unidas. C. H. S.


Todo o Salmo: Neste Salmo se celebra a força do SENHOR; e a exemplificação da mesma é evidentemente tirada de uma tempestade no Líbano. Das montanhas, a tormenta estende-se sobre a planície. Robert Murray M’Cheyne, 1813-1843.



Não há fenómeno na natureza tão imponente como uma tempestade com trovões e relâmpagos. O Salmo vinte e nove denota uma vitalidade e um poder sagrados da presença do SENHOR no estrondo da tormenta. James Hamilton, D. D., in “The Literary Attractions of the Bible,” 1849.



Deveríamos compreender o que é uma tempestade no Oriente, para apreciar os sentimentos do poeta; com um poder que sugere o fim do mundo. Augustus F. Tholuck



Vers. 1. Dai ao SENHOR. Nem o homem nem os anjos podem conferir nada ao SENHOR, mas podem reconhecer a Sua glória e poder. As causas naturais, como as chamam os homens, são Deus em ação, e nós não devemos atribuir-lhes poder diretamente. C. H. S.



Vers. 1. Dai ao SENHOR. Dai, dai, dai. Isto mostra quão pouco dispostos estamos para dar a Deus o que se Lhe deve, ou a sofrer uma palavra de exortação para esta finalidade. John Trapp



Vers. 2. Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome. Pela terceira vez nos é feita esta admoestação, porque os homens resistem a glorificar a Deus, e especialmente os homens importantes. A incredulidade e a desconfiança, as queixas e as murmurações roubam a Deus a honra que Lhe é devida. C. H. S.



Vers. 2. O que não o podes fazer, pois o Seu nome está por cima de todo o louvor; mas podes procurar fazê-lo. John Trapp.



Vers. 2. Adorai o SENHOR. Por que tem Ele de ser adorado? Por que temos de Lhe conceder esta alta honra?



Vers. 1, 2. Dai ao Senhor, ó filhos dos poderosos, dai ao Senhor glória e força. Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da sua santidade. Um cristão sincero tem como objetivo glorificar a Deus, exaltar a Deus e elevar a Deus no mundo. Aquele que põe a glória de Deus como a sua meta principal achará que a sua meta principal, gradualmente, minará todas as metas inferiores. Aí, aonde a glória de Deus é tida como o fim mais elevado, todos outros  fins são mantidos abaixo dele. Thomas Brooks.



Vers. 3. A voz do Senhor ouve-se sobre (ressoa sobre, noutra leitura dos originais) as águas. Não há vista que mais alarme do que o brilho do raio ao redor do mastro do navio. Troveja o Deus de glória. O trovão é, de facto, um mero fenómeno elétrico, mas é causado pela intervenção do próprio Deus. A eletricidade por si mesma não pode fazer nada; tem de ser usada e enviada para o seu objetivo; e até que o SENHOR Todo-poderoso a envia, o seu raio é inerte e impotente. Antes voaria pelos céus uma rocha de granito que um relâmpago cruzasse o espaço sem ser enviado pela Primeira Causa. C. H. S.



Vers. 3. A voz do Senhor ouve-se sobre (ressoa sobre, noutra leitura dos originais) as águas. Sim, grande Deus, este coração até aqui tão seco, tão duro, tão árido; esta rocha que tu golpeaste pela segunda vez, já não Te resistirá mais, porque de Ti brotam águas salubres e abundantes. A mesma voz de Deus que trastorna as montanhas, envia os Seus trovões e relâmpagos e divide o céu por cima do pecador, agora manda às nuvens que derramem chuvas de bênçãos, cambiando o deserto da sua alma num campo que produz a cento por um; a esta voz eu escuto. J. B. Massillon.



Verses 3-10. O Senhor, etc. As potências naturais da matéria e as leis do movimento são verdadeiramente os efeitos da atividade de Deus sobre a matéria. Consequentemente, não há tal coisa como as causas naturais ou o poder da natureza. Samuel Clarke.



Vers. 4. A voz do SENHOR é poderosa. Assim como a voz de Deus na natureza é tão poderosa, assim também o é na graça; o leitor pode traçar um paralelo, e achará muito no evangelho que pode ser ilustrado pelo trovão do SENHOR na tempestade. Procura não rechaçar Aquele que te fala. Se a Sua voz é poderosa, pensa como será a Sua mão! C. H. S.



Vers. 4. O caos não Te pode resistir, ele escuta a Tua voz com obediência, mas o coração endurecido te rechaça, e a Tua voz poderosa chama muitas vezes em vão ao seu ouvido. Tu não és maior quando crias os mundos do nada, do que quando mandas ao coração rebelde que se levante do seu abismo de pecado e siga pelos caminhos dos Teus mandamentos. J. B. Massillon.



Vers. 4. A voz do SENHOR é cheia de majestade. O Rei de reis fala como um rei. Assim como quando o leão ruge todas as bestas da selva se acurrulam em silêncio, assim também a terra está silenciosa e muda quando ressoa o trovão do SENHOR. C. H. S.



Vers. 4. Oh, que o evangélico “Boanerges” faça que o glorioso som do evangelho seja ouvido por debaixo de todo o céu, e que o mundo possa de novo ser sensível ao mesmo, antes que a voz do Filho do Homem, que tantas vezes tem chamado os pecadores ao arrependimento, os chame para o julgamento. George Horne.



Vers. 5. A voz do SENHOR. É diabólica a ciência que centra as nossas contemplações nas obras da natureza e as separa de Deus. Se alguém que quer conhecer um homem prescinde do seu rosto e fixa os seus olhos nas unhas, essa é uma loucura merecedora da nossa zombaria. John Calvin.



Vers. 5. Os cedros do Líbano. Estas árvores de Deus tão poderosas, que durante séculos resistiram à força da tempestade, são os primeiros objetos da fúria dos raios, que, como bem se sabe, visitam primeiro os objetos mais altos. Robert Murray M’cheyne.



Vers. 6. Ele os faz saltar como um bezerro, ao Líbano e Sirion, como novos unicórnios. A voz do nosso Salvador moribundo fendeu as rochas e abriu os sepulcros; a Sua voz vivente ainda obra maravilhas semelhantes. C. H. S.



Vers. 6. A cada besta do bosque Ele põe no transe de dar à luz as suas crias. O novo nascimento, o arrependimento e a humilhação do evangelho abrem os corações dos homens, que são grossos e cheios de vaidade própria, de orgulho, de hipocrisia, de amor próprio e satisfeitos consigo mesmo, e também de fanfarronice e de sensualidade, como cada bosque está cheio de matagais e espessura, que impedem o passo, até que é limpo, quer queimando-o, quer destroçando-o. Joseph Caryl



Vers. 7. A voz do SENHOR separa as labaredas do fogo. O próprio poder de Deus sai da Sua palavra, “viva e poderosa, e aguda como espada de dois fios”, que penetra, ilumina e inflama os corações dos homens. George Horne



Vers. 7. A voz do SENHOR produz, ou noutra leitura dos originais, separa as labaredas, de fogo. Isto é muito descritivo da ação divina no Pentecostes enviando chamas partidas, em línguas de fogo que estavam divididas desde a sua fonte celestial, que pousaram sobre as cabeças dos apóstolos, e os encheram do fogo do zelo e do amor santos. Christopher Wordsworth.



Vers. 8. A voz do SENHOR faz tremer o deserto. Sim, inclusive aqui, grande Deus, aonde cri que acharia um asilo inacessível à Tua misericórdia eterna e poderia pecar com impunidade, inclusive nesta solidão a Tua voz me deteve e me fez prostrar a Teus pés. J. B. Massillon.



Vers. 9. E desnuda as brenhas, ou noutra leitura dos originais, E faz cair as folhas às árvores do bosque. Os nossos primeiros pais buscaram um refúgio entre as árvores, mas a voz de Deus achou-os muito prontamente e fez tremer os seus corações. O evangelho tem um poder revelador nos corações obscuros, e faz que a alma trema diante do SENHOR. C. H. S.



Vers. 9. E no seu templo cada um diz: Glória! E noutra leitura dos originais, No seu templo todos exclamam: “Glória a Deus!” Há muito mais poder real no trovão da Palavra que na palavra do trovão. Este aterroriza só para convencer, mas aqueles aterroriza para salvação. Joseph Caryl.



Vers. 11. O Senhor dará força ao seu povo: o Senhor abençoará o seu povo com paz e noutra leitura dos originais, O Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoa o seu povo com a paz. No furacão que descreve este Salmo se descobre um grande poder; na calma suave depois da tormenta se promete que este poder será a força dos escolhidos. C. H. S.



Vers. 11. O Senhor abençoará o seu povo com paz. Primeiro, o evangelho põe este prémio na mão daquele que está disposto a adquiri-lo; é paz da consciência, porque a paz da consciência não é mais que um pagamento realizado sob a mão de Deus, que a dívida da justiça divina seja paga plenamente. Segundo, todo o verdadeiro crente tem paz de consciência na promessa, que nós contamos tão boa como dinheiro constante e sonante. Vale a pena ler todo o Salmo para ver que peso põe o SENHOR nesta promessa doce. O Salmo tem por objeto mostrar, que grandes coisas Deus pode fazer, e que isto não significa para Ele nada mais que uma palavra. Este Deus que faz tudo isto, promete abençoar o Seu povo com paz. Não seria uma paz triste se houvesse ruas tranquilas mas se cortássemos o pescoço nas nossas casas? Contudo, infinitamente mais triste é ter paz nas ruas e nas casas mas guerra e sangue nas nossas consciências culpadas. “A Minha paz vos deixo, a Minha paz vos dou.” Em terceiro lugar, é chamado “um fruto pacífico de justiça.” Porque ele sai de modo tão natural da nossa santidade como um fruto brota da semente correspondente. William Gurnall.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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