… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 17 de dezembro de 2016

17 de dezembro



William MacDonald
Um dia de cada vez
17 de dezembro
“Sem lenha, o fogo se apagará....” (Pv 26:20, ARC, Pt)

Dois homens brigam. Um lança uma rajada iracunda de palavras e o outro responde-lhe com uma réplica cortante. Nós atacamos acaloradamente e o outro contra-ataca com idêntica veemência. Ninguém deseja deter-se para que o seu silêncio não se interprete como debilidade ou derrota. E, assim, o fogo aumenta de intensidade e uma de onda de ódio vai daqui para acolá.

Mas mudemos o quadro. Um homem dirige uma descarga verbal ao seu oponente, mas não recebe fogo em troca. O primeiro trata de agravar, irritar, caluniar e envergonhar, mas o outro nega-se a unir-se à refrega. Finalmente, o antagonista adverte que está perdendo o tempo, assim ele escapula-se resmungando e amaldiçoando. O fogo extinguiu-se porque o acusado recusou acrescentar-lhe combustível.

O Dr. H. A. Ironside muitas vezes encontrava-se no final de uma reunião com pessoas que desejavam discutir com ele por algo que ele havia dito. Quase sempre tratava-se de perquerir [1] lêndeas e não de discutir alguma doutrina fundamental. O Dr. Ironside escutava pacientemente, assim que o litigioso se detinha para tomar fôlego, dizia-lhe: “Bem, irmão, quando chegarmos ao Céu, um de nós estará equivocado e possivelmente esse serei eu.” Essa resposta invariavelmente libertava o Irmão para atender a outros.

Como tomamos nós as críticas? Defendemo-nos, devolvemos olho por olho, deixamos sair todos os pensamentos críticos que abrigamos a respeito da outra pessoa? Ou, pelo contrário dizemos com calma: “Irmão, alegro-me de que não me conheça melhor, porque se assim fosse, teria mais pelo que me criticar.” Respostas como esta apagaram muitos fogos.

Suponho que a maioria de nós recebemos, em alguma ocasião, uma carta bastante explosiva. A reacção natural nesta circunstância é afundar a nossa caneta em ácido e enviar uma mordaz resposta. Isto alimenta o fogo e muito em breve cartas venenosas correm daqui para acolá. Quanto melhor é escrever uma simples réplica: “Querido irmão, se desejas brigar com alguém, por favor, briga com o Diabo.”

A vida é muito breve para a gastarmos em autodefesa, brigando ou discutindo acaloradamente. Estas coisas desviam-nos do que é de primeira importância, reduzem o nosso tom espiritual e prejudicam o nosso testemunho. Outros podem levar a tocha com a qual deliberadamente começarão um fogo, mas nós devemos controlar o combustível. Quando nos negamos a acrescentar combustível ao fogo, este apaga-se.


[1] perquirir v. tr.  inquirir minuciosamente; indagar; investigar com escrúpulo. (Do lat. perquirâre, «inquirir»)


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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