… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 18 de dezembro de 2016

18 de dezembro


C. H. Spurgeon

Leituras Matutinas

18 de dezembro
“Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes.” (Jl 2:13, ARC, Pt)

VESTES RASGADAS e outros sinais exteriores de emoção religiosa são coisas fáceis de fazer, e, com frequência, são hipócritas. Porém, sentir arrependimento sincero é muito mais difícil, e, portanto, menos comum. Os homens atenderão com boa disposição às múltiplas e minuciosas regulações cerimoniosas, pois são coisas que agradam à carne, mas a religião verdadeira é muito humilhante, muito escrutinadora do coração e demasiado íntima para os gostos do homem carnal. Eles preferem algo mais pomposo, mais frívolo e mais mundano. As observâncias exteriores trazem um consolo temporário. Nelas se engorda a vaidade, se incha a justiça própria e se satisfazem a vista e o ouvido, mas, elas são, fundamentalmente, ilusórias, pois no assunto da morte e no dia do juízo a alma precisará de confiar em algo que seja mais substancial do que as cerimónias e os ritos. À parte da piedade vital, toda a religião é completamente vã. Toda a forma de culto que não se oferece com um coração sincero é uma solene farsa e uma zombaria impudente da majestade do céu.

O QUEBRANTAMENTO DE CORAÇÃO é uma obra que Deus realiza e que o homem sente profundamente. É uma dor misteriosa que se experimenta pessoalmente, não como uma mera formalidade, mas sim como uma profunda e comovedora obra que o Espírito realiza no íntimo do coração de cada crente. Este não é um assunto para ser meramente falado e no qual se terá apenas de crer, porém é algo que deve ser pungente e vivamente sentido por cada um dos filhos fiéis do Deus vivente. É poderosamente humilhante, e completamente purificador do pecado; Entretanto, é um agradável preparativo para aquelas graciosas consolações que os espíritos desumanos e orgulhosos são incapazes de receber; e é claramente discriminante, porque ele pertence aos eleitos de Deus, e só a eles.

O versículo ordena-nos que rasguemos os nossos corações, mas eles, por natureza, são duros como o mármore. Como, pois, poderão ser rasgados? Levemo-los ao Calvário. Com a voz do agonizante Salvador as rochas se fenderam. Essa voz ainda tem poder. Oh bendito Espírito, faz-nos ouvir esse brado agonizante de Jesus e os nossos corações rasgar-se-ão como os homens rasgam as suas vestes no dia da lamentação.


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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