… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

28 de dezembro



William MacDonald
Um dia de cada vez
28 de dezembro
“O que, passando, se põe em questão alheia, é como aquele que pega um cão pelas orelhas.” (Pv 26:17, ARC, Pt)

Devemos dar-nos conta, antes de mais nada, que o cão que se menciona neste versículo não é o amigável e muito simpático setter irlandês, que provavelmente não se incomodaria absolutamente se o pegasses pelas orelhas. O versículo refere-se ao cão violento, selvagem e rosnador com as presas a nu. Seria pouco provável que pudesses  aproximar-te suficientemente para o pegares pelas orelhas. Mas, se pudesses, enfrentarias um desesperado dilema; terias medo de continuar segurando-o, e terias medo de soltá-lo.

Bem, esta é uma ilustração gráfica da pessoa que se envolve numa briga que não lhe pertence. Logo incorre na ira de ambos os adversários. Ambos sentem que o intrometido está interferindo para levar as palmas da vitória, de modo que se esquecem das suas próprias diferenças e unem-se, brigando contra ele.

Sorrimos quando pensamos no homem irlandês que se aproximou de dois homens travados numa briga aos murros e perguntou-lhes: “ Esta é uma briga privada ou pode alguém mais entrar nela?” Não obstante, todos, de um modo ou outro, somos entremetidos e há algo que nos tenta a interferir em rixas ou brigas que não nos dizem respeito.

Os oficiais da polícia devem ser extremamente cuidadosos quando são chamados a uma cena onde brigam um marido e a sua esposa. Se isto é assim, quanto mais cuidadoso deve ser o cidadão comum para não se entremeter nas lutas domésticas dos demais!

Possivelmente uma das melhores ilustrações do provérbio deste dia sejam os problemas na Igreja. Por regra geral começa entre duas pessoas. Logo outros tomam partido. O que começou como uma faísca logo se torna num conflito maior. Aqueles que não têm nada que ver com o problema insistem em acrescentar-lhe os seus pronunciamentos “sábios”, como se fossem o oráculo do Delfos. A ira inflama-se, as amizades destroçam-se e os corações quebaram-se. À medida que a batalha aumenta em intensidade, a congregação ouve notícias de enfartes, apoplexias, úlceras e outros problemas de saúde. O que começou como uma raiz de amargura dissemina-se até que muitos são contaminados.

A advertência de não se entremeter em lutas que pertencem a outros poderia dar a impressão de entrar em conflito com as palavras do Salvador: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Porém, não há contradição. Há lugar para os pacificadores quando as partes opositoras estão dispostas a que sua disputa seja arbitrada, mas, não para os que se intrometem e se auto-denominam “mediadores.” De outro modo, aquele que interfere somente consegue entrar numa situação da qual não poderá escapar facilmente e sem dor.


Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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