… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

18 de janeiro de 1815 • Tischendorf descobre o Codex Sinaiticus


18 de janeiro de 1815 Tischendorf 
 descobre o Codex Sinaiticus

 “Resolvi, em 1840, partir para Paris... ainda que eu não tinha meios suficientes para pagar nem mesmo para a roupa da viagem; e quando cheguei a Paris tinha apenas cinquenta táleres. Outros cinquenta havia sido gasto em minha jornada", escreveu Constantin Tischendorf. Hoje não temos nenhum das páginas escritas pelos  próprios autores bíblicos. Uma das nossas primeiros cópias completas do Novo Testamento foi trazida à luz por este estudioso.

Constantin nasceu em Langenfeld, na Saxónia (numa região que hoje faz parte da Alemanha) neste dia, 18 de janeiro de 1815. À medida que Constantin foi avançando nos estudos, foi levado a negar a inspiração da Bíblia. Constantin pensava que "a história da Igreja primitiva, bem como a do texto sagrado, contêm abundantes argumentos em resposta àqueles que negam a credibilidade do testemunho do Evangelho."

Ele tornou-se um estudioso da Bíblia e partiu com uma pequena sacola e uma vontade férrea em busca de manuscritos antigos (livros escritos à mão) para que ele pudesse produzir uma edição da Bíblia o mais próximo do texto original quanto possível. Em 1844, ele procurou manuscritos antigos por todo o Egito, no Sinai, na Palestina e no Médio Oriente. "Para alguns, tudo isto pode parecer um mero trabalho erudito, mas permitam-me acrescentar que a ciência toca a vida em dois aspectos importantes, para mencionar apenas dois - para esclarecer, desta forma a história do texto sagrado, e, para recuperar, se possível, o texto apostólico genuíno que é o fundamento da nossa fé - estes não podem ser assuntos de pouca importância. Toda a Cristandade está, de facto, profundamente interessada nestes resultados", escrevia , então, Constantin Tischendorf.

Em maio de 1844, no mosteiro de Santa Catarina, no sopé do monte Sinai, Constantin Tischendorf viu um grande cesto cheio de pergaminhos esfarrapados. De acordo com Tischendorf, o bibliotecário afirmou que dois cestos semelhante já tinham sido queimados como lixo. Considerando que o mosteiro havia preservado mais de 3000 manuscritos, muitos há mais de mil anos, essa afirmação teria parecido improvável para alguns estudiosos. Por outro lado, o facto de que o mosteiro admitisse que mais de outros 1100 manuscritos estivessem enterrados durante 200 anos debaixo dum prédio que desabara não falam muito bem em abono da preocupação dos monges em cuidarem dos tesouros que lhes haviam sido confiados. Constantin Tischendorf mexendo numa cesta encontrou 129 páginas do Antigo Testamento em grego. Ele estava animado, pois esse era o mais antigo manuscrito bíblico que já tinha visto, datava do século IV d.C!

Os monges deixaram-no ficar estudando com 43 folhas, mas ele não poderia observar o resto das páginas dos manuscrios que ali havia. A atitude dos monges manteve-se a mesma quando ele os visitou em 1853. Apesar disso, Constantin Tischendorf voltou a vistar o mosteiro de novo em 1859. No último dia da sua visita ao mosteiro de Santa Catarina, um dos monges "tirou do canto da sala um grande volume, embrulhado num pano vermelho, e colocou-o diante de mim. Desembrolheio-o, e descobri, para minha grande surpresa, não apenas muito dos fragmentos que, 15 anos antes, eu tinha tirado da cesta, mas também ... o Novo Testamento completo, e, além disso, a Epístola de Barnabé e uma parte do Pastor de Hermas! Cheio de alegria, desta vez eu tive o cuidado de a esconder do monge que estava comigo e também do resto da comunidade, eu pedi, de uma forma desapercebida, a permissão de levar o manuscrito para o meu quarto de dormir e assim observá-lo com mais vagar." Após o seu consentimento, imediatamente, Constantin começou a fazer uma cópia completa da Epístola de Barnabé, da qual não era conhecida até então, nenhum original.

Poucos dias depois, ele obteve dos monges do mosteiro de Santa Catarina, a permissão para levar o manuscrito para o Cairo, onde ele e os seus associados se esgotaram copiaando 110 mil linhas em alguns dias febris.

Mais tarde, os monges, relutantemente, permitiram que o precioso volume fosse levado para a Rússia para ser copiado. No entanto, Tischendorf passou a apresentar o Codex ao czar como um presente. Quando o mosteiro solicitou a sua propriedade de volta, os russos manobraram politicamente até que conseguiram um acordo para que lhes fosse vendido o valioso documento.

Os comunistas, que assumiram o governo da Rússia em 1917 tinham pouco interesse em manuscritos bíblicos. Sem dinheiro, venderam-no para o Museu Britânico, no dia de Natal de 1933, pela grande soma de 100 000 libras esterlinas, uma fortuna nesse tempo. O antigo manuscrito é conhecido como Codex Sinaiticus. Este e outros antigos manuscritos que Constantin redescobiu, são de valor inestimável para a verificação da precisão das nossas traduções. Acontece que os últimos versos de Marcos e da história da mulher apanhada em adultério não estão referidos no Sinaiticus, sugerindo que estes foram adições posteriores à Escritura, e que a presença de Barnabé e Hermas parecem indicar que os copistas os aceitaram como inspirados.

Constantin von Tischendorf (18 de janeiro de 1815 - 7 de dezembro de 1874), foi um alemão que descobriu o Codex Sinaiticus em 1859, no mosteiro de Santa Catarina, no sopé do monte Sinai. Era um hábil linguista. Uma realização importante de Tischendorf foi o seu trabalho em decifrar o Códice de Ephraem Syri rescriptus, um palimpsesto que contém partes de todos os livros das Escrituras Gregas Cristãs (Novo Testamento), exceto II Tessalonicenses e II João. O Códice contém ainda partes das Escrituras Hebraicas (Velho Testamento) traduzidas para o grego. Tischendorf publicou o resultado deste trabalho em 1843 e 1845, e tornou-se então conhecido como líder em paleografia grega.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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