… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 29 de janeiro de 2017

29 de janeiro de 1718 • Paul Rabaut, d’A Igreja do Deserto


29 de janeiro de 1718 Paul Rabaut, 
d’A Igreja do Deserto
Paul Rabaut nasce em Bédarieux, no departamento francês de Hérault, localizado na região Languedoc-Roussillon, cuja capital é a cidade de Montpellier, no dia de hoje, 29 de janeiro de 1718.


Paul Rabaut é um ministro da religião reformada, que faz o seu percurso da sua vida espiritual na l’Église du Désert, a Igreja do Deserto. Filho de um comerciante de tecidos, Paul Rabaut é conjuntamente com Antoine Court, um dos promotores da restauração da Igreja Reformada de França. Nasce numa família protestante e aos dezasseis anos une-se ao pregador itinerante Jean Bétrine, partilhando com ele todos os perigos e vicissitudes a que os seguidores da sua fé estavam expostos pelo governo francês durante o século XVIII. Durante os anos de 1734-1738 recebe educação apropriada, não apenas sobre os princípios fundamentais da teologia e da pastoral, mas dando também um corajoso testemunho do Evangelho, é por isso a 30 de abril de 1738 designado pregador pelo sínodo de Languedoc, e então Nimes e as suas imediações tornam-se o seu campo trabalho evangelístico. Em 1739 Paul Rabaut casa com Madeleine Gaidan, daquela cidade, que durante 48 anos partilha com ele as provas e atribulações da sua carreira como "pregador no Deserto”, dando à luz a oito filhos, dos quais apenas três sobreviveram. Em 1749 Rabaut ingressa no seminário teológico de Lausanne, fundado por Court, para aperfeiçoar e concluir os seus estudos de teologia, deixando sua família em Nimes. Tendo terminado os estudo, após de um período de seis meses, ele regressa à Igreja de Nimes e recomeça a sua carreira espiritual, enfrentando a perseguição mais cruel, como está refletida no caso de Jean Calas (1698 —1762) que exercendo a profissão de comerciante em Toulouse, na França, se torna famoso por ter sido vítima de um julgamento preconceituoso devido a professar a fé protestante. Na França, ele é um símbolo da intolerância religiosa cristã, ao lado de Jean-François de la Barre e de Pierre-Paul Sirven. Aquele homem, Jean Calas, era um respeitável comerciante protestante de Toulouse, cujo filho, Marc-Antoine, num acesso de melancolia, se enforcou na casa de seu pai. Os Católicos espalharam o boato de que o filho dele iria abraçar o Catolicismo pelo que o seu pai o assassina. Jean Calas foi preso, julgado e condenado à morte, e o seu corpo foi queimou a 9 de março de 1762. A propriedade da família foi confiscada e a família teve de fugir para Genebra. O caso de Jean Calas foi defendido por Voltaire e por outros, acabando na sua revogação, devolvendo-se a propriedade à família e concedendo-se uma pensão de sobrevivência à viúva. Este caso é excepcional, porque no fim foi feita justiça.



Rabaut era de pequena estatura, que contrastava com a nobreza e firmeza da sua alma e mente; mas o que lhe faltava em aparência era compensado pela fidelidade à sua causa, pela coragem e paciência nos perigos de privação e aflição. A poderosa influência que Paul Rabaut exerceu ao longo de quase meio século na história da Igreja Reformada da França é refletida na incansável devoção à sua l’Église du Désert, a Igreja do Deserto. e aos seus seguidores, a sua entrega aos outros, na sua força de espírito e de doutrina, na sua frieza ante o perigo e no amor por toda a humanidade.



Embora nunca tenha sido oficialmente reconhecido como “chefe” da Igreja Reformada de França, Paul Rabaut ganhou a distinção de ser o líder reconhecido em todos os assuntos de importância. Ele foi vice-presidente do Sínodo Geral de 18 a 21 de agosto de 1744 e presidente do Sínodo Nacional de 1756, da l’Église du Désert, a Igreja do Deserto. Embora tenha sido perseguido e preso quase que constante por causa das suas ativades em prol do Evangelho de Cristo, sempre conseguia escapar dos seus captores e pode ver o triunfo da causa pela qual tanto tinha sofrido. Em 10 de junho de 1763 Paul Rabaut dirigiu como moderador as discussões do Sínodo Nacional da Igreja do Deserto. Daquele momento até 6 de outubro de 1785 propôs-se à tarefa de reconstruir a sua amada Igreja do Deserto em Mines, em cujo objetivo foi ajudado pelo seu filho. O Consistório de Mines foi totalmente restaurado com a plena liberdade de culto e tem meios para sustentar o salário de um pastor. Mas nem mesmo os seus últimos anos foram tranquilos, porque em 1794, seis meses antes da sua morte, foi preso e encarcerado na fortaleza de Nimes, obtendo a sua liberdade apenas após a queda de Robespierre, uma das personalidades mais importantes da Revolução Francesa, a quem os seus amigos chamavam de "O Incorruptível", a 27 de julho daquele ano. Mas a perda da sua esposa e do seu filho mais velho Rabaut Saint-Étienne, que sob o Terror, tinha sido preso e logo executado em de 5 de dezembro de 1793,e aliado à sua debilidade ganha na prisão, apressou o seu fim.



Paul Rabaut morre em 25 de setembro de 1794, em Nimes, cidade do sul da França, cuja capital é o departamento de Gard, na casa onde viveu e foi enterrado na cave da mesma, já que naquele tempo não havia cemitérios para sepultar os protestantes. Ele deixou muitos escritos, o que não é surpreendente, dadas as circunstâncias adversas em que viveu a fé no seu Senhor Jesus Cristo. Escreveu: Lettre pastorale sur l’aumône, 1758 e Exhortation à la repentance et à la profession de la vérité, 1761. Além disso, escreveu diversos panfletos. Escreveu também Précis du catéchisme d'Ostervald, reeditado várias vezes, e ainda dois sermões: La Livrée de l'église Chrétienne sobre Cantares de Salomão 4:4 e La Soif spirituelle sobre João 8:37.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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