… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

31 de janeiro de 410 . A generosa Marcela foi torturada para a forçar a revelar o local dos seus tesouros


31 de janeiro de 410 A generosa Marcela 
foi torturada para a forçar a revelar o local dos seus tesouros

A riqueza pode ser uma maldição ou uma bênção. Para Marcela elas vieram a ser ambas.

Marcela nasceu em Roma numa casa abastada, da alta classe romana, por volta do ano 325. Quando ela era jovem conheceu a Atanásio, o bispo de Alexandria, que passou, quase mais tempo, a fugir dos seus inimigos do que passou na sua sé. Atanásio ofereceu-lhe uma cópia da sua obra Vida de Antão, o monge eremita que tanto fez para tornar o monaquismo uma grande força no Cristianismo. As práticas ascéticas de Antão muito impressionaram Marcela.



As práticas ascéticas eram uma reação natural num mundo onde os esbanjamentos e a dissipação atingiam extremos loucos. Para agradar à mãe, Marcela casou. Sete meses depois o seu marido morreu, deixando-a independente e rica. Ao invés de se vestir de modo a atrair outro marido, a jovem viúva vestia-se de forma a esconder a sua estonteante beleza.



Ainda assim, a mão dela era pedida em casamento. Um de seus pretendentes era um cônsul (um alto magistrado romano), o Cônsul Cereallis, tio de Gallus Caesar. Idoso, ele prometeu dar-lhe toda a sua imensa fortuna se ela se casasse com ele. Embora Marcela estivesse sob pressão da sua mãe para aceitar este casamento com Cônsul Cereallis, ela recusou-o dizendo com humor, “se eu tivesse desejo de me casar e não de dedicar à castidade perpétua, eu deveria buscar um marido e não uma herança.”



A riqueza de Marcela agora tornou-se uma bênção. Com ela alimentou os pobres, contentando-se com muito pouco para si mesma. Ela foi uma das várias mulheres romanas que levaram uma vida austera como um protesto contra o desregrado costume de ceder às inclinações do seu tempo.



Muito do que sabemos sobre esta mulher excepcional vem das cartas de Jerónimo. Marcela conheceu e estudou com este grande sábio que fez a tradução da Vulgata, que é ainda hoje o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana. Os dois corresponderam-se durante o resto das suas vidas, trocando ideias sobre muitas questões, como a heresia do montanismo ou sobre o pecado contra o Espírito Santo. Marcela esquadrinhou Jerónimo com perguntas pertinentes.



Quando os godos de Alarico I capturaram Roma em 410, todas as amigas de Marcela (entre elas, Paula de Roma e a família dela) partiram para a Palestina para encontrar-se com Jerónimo salvo ela que, dizendo que era muito velha, ficou naquele lugar.



As riquezas de Marcela agora tornaram-se uma maldição. Ela foi torturada pelos soldados godos para que revela-se onde ela tinha escondido a sua suposta riqueza. Ela mostrava-lhes o seu vestido grosseiro, repisando insistentemente a verdade de que ela tinha dado toda a sua riqueza aos pobres há muito tempo. Esquecendo os seus sofrimentos próprios, ela roga aos soldados que não cometam estupro em Principia, a sua pupila. Finalmente, os soldados godos levaram-na para uma igreja, onde ela morreu dos ferimentos e chagas que recebeu, louvando a Deus.



Numa carta a Principia, Jerónimo comparou Marcela ao caso de Ana dos Evangelhos, que viveu no templo. Jerónimo apontou que Ana “viveu com o marido sete anos; Marcela sete meses. Ana só esperava por Cristo; Marcela creu sinceramente nEle. Ana confessou-O no Seu nascimento; Marcela creu nEle crucificado ...”



Marcela é recordada a 31 de janeiro pela Igreja Católica Romana e figura também entre os santos das Igrejas Orientais.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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