… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 28 de janeiro de 2017

28 de janeiro de 1549 • Elias Levita abre as portas à crítica-textual do Antigo Testamento


28 de janeiro de 1549 Elias Levita abre as portas à crítica-textual do Antigo Testamento
Uma página do dicionário Iídiche-Hebreu-Latim-Alemão de Levita


Elias Levita nasce em Ipsheim oder Neustadt an der Aisch, nas proximidades de Nuremberga, em 13 de fevereiro de 1469, e foi o mais novo de nove irmãos. Elias Levita, também conhecido por Elijah Levita, e Eliahu Bakhur (“Eliahu Bachur”) no primeiro prefácio à sua “massorá” ele afirma explicitamente que nasceu na Alemnaha, uma afirmação que também corroborada por David Kimhi (1160-1235) e por Sebastian Münster (1488-1552). Durante a sua juventude os judeus foram expulsos desse lugar. Então a Itália tornar-se-ia no seu segundo lar, daí que pudesse afirmar no final de Methurgeman que “desejava regressar de Itália, a terra de onde veio e morrer na sua cidade de Veneza.” Ensina hebraico em Pádua, dos anos de 1504 a 1509, aí perde todos os seus bens, quando a cidade é saqueada pelos franceses, tendo nessa altura Elias Levita mudado para Veneza, e dali para Roma no ano de 1512, onde está sob o amparo de Egídio do Viterbo (1469-1532). Quando Roma é tomada por Carlos V (1500-1558) no anos de 1527, pela segunda vez Elias Levita perde todos os seus bens. Então Elias Levita muda-se para Veneza, onde vive de forma permanente, à exceção de uns alguns intervalos passados em Isny e numa visita que realiza à sua Alemanha natal, entre os anos de 1540 a 1543.



Elias Levita veio a ocupar um lugar honorífico, embora não tivesse havido uma extraordinária importância associada ao seu trabalho pelas condições históricas sob as quais foi realizado. A sua obra veio a ser um fator de avanço histórico pelo qual a Cristandade regressaria às fontes documentários das suas doutrinas. A este novo começo de estudos linguísticos históricos Elias Levita prestou grandes serviços. Assim como Reuchlin (1455-1522) sob a direção de Jacob Jehiel Loans, médico do Imperador Frederico III da Alemanha, tinha aprendido hebraico, e assim como Matthias Adrianus, um marrano espanhol, tinha sido o professor de Konrad Pellikan (1478-1556), Elias Levita, pela mediação de Sebastian Münster e Paulus Fagius (1504-1549), viria a exercer uma maior e mais duradoura influência sobre a transmissão do conhecimento do hebraico aos Cristãos. Ainda maior que no departamento das investigações gramaticais e léxicas foi o impulso que Elias Levita deu ao tratamento crítico textual do Antigo Testamento pelo seu Massoreth hammassoreth. Para que saibamos reconhecer a importância do enorme trabalho de Elias Levita a filologia, crítica textual ou ecdótica (do grego ékdotos: “edito”) é a arte cuja finalidade é a de aproximar o texto tanto quanto possível da sua forma original, isto é, da forma pretendida pelo autor. A ecdótica trata, portanto, de restituir, por meio de minuciosas regras de hermenêutica e de exegese, a forma mais aproximada do que seria a redação inicial de um texto, a fim de estabelecer a sua edição definitiva. A crítica textual -também chamada de baixa crítica ou crítica documental- estuda os textos antigos e a sua preservação (ou corrupção) ao longo do tempo, visando reconstituí-los com base na documentação disponível, enquanto a alta crítica tem como foco não só a recuperação do texto em si, mas também outros aspectos, tais como a autoria e o contexto da obra.



Elias Levita cria os seus filhos na fé judaica, apesar da sua relação íntima com eruditos Cristãos; mas, dois dos seus netos, Eliano e Sol Romano, filhos de uma das suas filhas, foram a sua a maior tristeza porquanto abraçaram a fé Cristã. Elias Levita foi um exemplo de erudito que soube como manter o seu interesse focado no essencial das suas investigações, mantendo-se à margem das questiúnculas particulares. Elias Levita morre em Veneza no dia de hoje, 28 de janeiro de 1549, ainda não tinha feito os 53 anos de idade.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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